O mercado de urânio encontra-se num momento crucial. Após atingir um máximo de 17 anos de US$106 por libra no início de 2024, os preços moderaram-se para aproximadamente US$70 por libra em meados de 2025, mas os fundamentos do mercado permanecem otimistas devido a desequilíbrios persistentes entre oferta e procura. Compreender quais as nações que dominam a produção global de urânio é fundamental para investidores, estrategas energéticos e aqueles que acompanham a segurança do combustível nuclear.
Dinâmica de Mercado e o Ressurgimento da Energia Nuclear
A produção global de urânio experimentou uma trajetória dramática nos últimos 15 anos. O setor atingiu o pico em 2016 com 63.207 toneladas métricas de produção mundial, seguido por uma contração prolongada devido ao excesso de oferta e à hesitação energética pós-Fukushima, que tornou muitas operações economicamente inviáveis. Até 2022, a produção tinha contraído para 49.355 toneladas métricas — uma redução de 22% em relação ao pico.
No entanto, ocorreu uma mudança fundamental a partir de 2021. Um renovado compromisso global com a energia nuclear como solução de descarbonização, aliado a preocupações de oferta provenientes de regiões produtoras principais, desencadeou uma recuperação do mercado. Atualmente, a energia nuclear fornece cerca de 10% da eletricidade global, com projeções indicando um crescimento substancial à medida que os países perseguem metas de neutralidade carbónica. Este ressurgimento levou os mineiros de urânio a reiniciar operações inativas e a expandir a capacidade existente.
Cazaquistão: O Principal Fornecedor Mundial de Urânio
O Cazaquistão é indiscutivelmente o maior país produtor de urânio do mundo, posição que mantém desde 2009. Em 2022, forneceu 21.227 toneladas métricas de urânio — representando impressionantes 43% da produção global. A base de recursos do país é igualmente impressionante: em 2021, detinha 815.200 toneladas métricas de urânio recuperável conhecida, ficando atrás apenas da Austrália a nível mundial.
A maior parte do urânio do Cazaquistão é obtida através da tecnologia de lixiviação in situ (ISL), um método que minimiza o impacto ambiental enquanto mantém a eficiência operacional. A Kazatomprom, empresa estatal de urânio do país e maior produtora mundial, opera projetos extensos em várias jurisdições. Uma parte significativa do portefólio da Kazatomprom é composta pela mina Inkai — uma joint venture 60/40 com a canadiana Cameco. A Inkai produziu 8,3 milhões de libras de concentrado de urânio (U3O8) em 2023, mas enfrentou uma suspensão temporária de produção no início de 2025 devido a atrasos regulatórios, que posteriormente foram resolvidos.
Notícias de 2024 indicaram que a Kazatomprom poderia não atingir as metas de produção para 2024 e 2025, o que reverberou nos mercados globais, contribuindo significativamente para que os preços do urânio ultrapassassem a barreira de US$100 por libra. Em maio de 2025, uma subsidiária da Kazatomprom obteve financiamento de US$189 milhões para construir uma instalação de processamento de ácido sulfúrico com capacidade de 800.000 toneladas métricas por ano na região de Turkestão, com operações comerciais previstas para o primeiro trimestre de 2027. Este investimento em infraestrutura demonstra o compromisso da empresa com a expansão das capacidades downstream.
Ativos de Urânio na América do Norte e África
Resurgimento da Produção no Canadá
O Canadá é o segundo maior produtor de urânio, embora sua trajetória seja bastante diferente da do Cazaquistão, apresentando maior volatilidade. Em 2022, a produção canadense totalizou 7.351 toneladas métricas, bastante abaixo do pico de 14.039 toneladas de 2016, quando preços baixos forçaram o encerramento de minas em Saskatchewan e regiões do norte. A recuperação começou em 2022 e acelerou-se até 2024.
Duas operações definem o urânio canadense: Cigar Lake e McArthur River, ambos situados em Saskatchewan e operados pela Cameco. Estas minas são lendárias no setor — o banco de dados de mineração da MDO indica que as jazidas nestas instalações têm concentrações de minério superiores à média global por um fator de 100. As operações de McArthur River foram suspensas em 2018 devido à economia de mercado, mas retomaram a produção normal em novembro de 2022. Em 2023, a Cameco produziu 17,6 milhões de libras de urânio (7.983 toneladas métricas), superando os níveis do ano anterior, embora ainda abaixo do objetivo de 20,3 milhões de libras. O ritmo de produção acelerou em 2024, atingindo 23,1 milhões de libras e superando as previsões da empresa. Para 2025, a Cameco projeta uma produção combinada de 36 milhões de libras entre ambas as instalações.
A bacia de Athabasca, em Saskatchewan, reconhecida internacionalmente por depósitos de urânio de classe mundial e por um ambiente regulatório favorável à mineração, continua a atrair capital de exploração. A longa história de mineração na região reforça sua posição como líder global no setor.
Aumento da Produção na Namíbia
A Namíbia conquistou a terceira posição com 5.613 toneladas métricas de urânio produzidas em 2022. Após um declínio até um fundo de 2.993 toneladas em 2015, o país africano experimentou uma expansão constante na produção. Surpreendentemente, a Namíbia chegou a ultrapassar temporariamente o Canadá, hábil a manter a segunda posição em 2021, e quase igualou a produção canadense em 2022, apesar de ter caído para o terceiro lugar.
Três ativos principais sustentam a produção namibiana: Langer Heinrich, Rössing e Husab. Langer Heinrich, operada pela Paladin Energy, foi encerrada em 2017 devido à fraqueza dos preços do urânio. Com a recente recuperação de preços, a Paladin reiniciou a mina e atingiu o status de produção comercial no primeiro trimestre de 2024. As previsões de produção têm sido voláteis — inicialmente, a empresa estimou entre 4 e 4,5 milhões de libras de U3O8 para o exercício de 2025, mas revisou para baixo, entre 3 e 3,6 milhões de libras, em novembro de 2024, devido a inconsistências no estoque de minério e restrições no abastecimento de água. Após fortes chuvas em março de 2025, a Paladin retirou completamente as previsões e atualmente enfrenta duas ações coletivas relacionadas às revisões das previsões.
A Rössing, a mina de urânio a céu aberto mais antiga do mundo, foi transferida para propriedade chinesa (China National Uranium) pela Rio Tinto em 2019. Extensões recentes na vida útil da mina estendem a operação até 2036. A mina Husab, de maioria chinesa (China General Nuclear), é uma das maiores operações de urânio do mundo em volume. Atualmente, está em andamento um programa piloto de lixiviação em pilha para avaliar a viabilidade econômica do processamento de minério de menor grau, com resultados esperados em 2025.
Produtores Asiáticos e Novas Dinâmicas de Oferta
Expansão Estratégica do Uzbequistão
O Uzbequistão entrou no grupo das cinco maiores produtoras de urânio em 2020 e manteve a quinta posição em 2022, com 3.300 toneladas métricas. A produção doméstica do país da Ásia Central cresceu de forma incremental desde 2016, impulsionada por joint ventures com japoneses e chineses. A Navoiyuran, criada a partir de operações estatais em 2022, agora gere a mineração e o processamento de urânio do país.
Parceiros internacionais reconhecem a importância estratégica do Uzbequistão. A Orano (principal empresa de urânio da França) anunciou uma parceria em novembro de 2023, complementando uma joint venture anterior de 51/49 chamada Nurlikum Mining, que desenvolve o projeto South Djengeldi. No início de 2025, a ITOCHU do Japão adquiriu uma participação minoritária na joint venture de South Djengeldi. Esta mina, com capacidade de 700 toneladas métricas anuais, localizada no deserto de Kyzylkum, pode duplicar sua base de recursos através de exploração contínua — um marco que aumentaria significativamente o fornecimento regional.
A China Nuclear Uranium também firmou parceria com o Uzbequistão em março de 2024, refletindo a estratégia de Pequim de garantir um terço de suas necessidades de combustível nuclear de fontes domésticas, um terço por participações estrangeiras e joint ventures, e um terço por compras no mercado spot.
Rússia e Contribuintes Secundários Asiáticos
A Rússia produziu 2.508 toneladas métricas em 2022, ocupando a sexta posição. A produção tem se mantido relativamente estável desde 2011, variando entre 2.800 e 3.000 toneladas anuais. A subsidiária estatal Rosatom opera a mina Priargunsky e desenvolve o depósito Vershinnoye, no sul da Sibéria. Em 2023, a Rosatom superou as metas de produção em 90 toneladas, demonstrando melhorias na eficiência operacional. Uma nova instalação — a Mina nº 6 — deve iniciar a extração de urânio em 2028.
A China ficou em oitavo lugar com 1.700 toneladas métricas em 2022, refletindo crescimento constante desde 885 toneladas em 2011. A China General Nuclear Power, única fornecedora doméstica de urânio, está expandindo agressivamente seus acordos de fornecimento de combustível em Kazakhstão, Uzbequistão e mercados internacionais. Uma inovação de 2025, com cientistas chineses demonstrando a extração bem-sucedida de urânio da água do mar usando tecnologia de hidrogel — uma planta piloto de demonstração deve ser concluída até 2035, potencialmente desbloqueando vastas reservas oceânicas de urânio para futuras expansões nucleares.
A Índia (nona posição, 600 toneladas em 2022) mantém 25 reatores nucleares operacionais, com oito unidades em construção. O governo pretende atingir 100 gigawatts de capacidade nuclear até 2047, sinalizando uma demanda futura significativa por urânio.
Desafios de Oferta na África e Riscos Geopolíticos
Níger e Incerteza Política
O Níger, que foi um fornecedor confiável contribuindo com 2.020 toneladas em 2022, enfrenta desafios geopolíticos sem precedentes. As minas SOMAIR e COMINAK, operadas por subsidiárias da Orano, historicamente forneciam 5% do urânio global. O urânio do Níger representa 15% do combustível nuclear francês e cerca de um quinto das importações da União Europeia — tornando os desenvolvimentos políticos recentes altamente relevantes.
Um golpe militar em 2023 provocou uma reformulação completa do setor de mineração. A junta anunciou intenções de aumentar o controle estatal sobre os recursos de urânio, suspendendo temporariamente novas licenças de mineração enquanto renegociava acordos existentes. Em meados de 2024, o Níger revogou a licença de mineração da GoviEx Uranium para Madaouela e a permissão de operação da Orano para o projeto Imouraren. Posteriormente, o governo concedeu uma licença de mineração de pequena escala para o projeto Moradi à estatal COMIREX, aprovada em fevereiro de 2025, representando uma atualização da licença semi-mecanizada anterior e reforçando a soberania nacional sobre os ativos de urânio.
A Atomic Global continua a desenvolver seu projeto Dasa, com previsão de entrada em operação em início de 2026, embora as incertezas regulatórias persistam.
Implicações de Investimento e Perspectivas de Mercado
A dominância do maior produtor de urânio — o Cazaquistão — demonstra como estabilidade geopolítica, expertise técnica e abundância de recursos convergem para estabelecer liderança de mercado. Contudo, a diversidade das 10 principais produtoras revela que a expansão nuclear global depende da diversificação de oferta.
Analistas de previsão mantêm a convicção na força sustentada do mercado de urânio. O desequilíbrio entre oferta e procura, aliado ao aumento dos compromissos de capacidade nuclear globalmente, sustenta dinâmicas de preços favoráveis a longo prazo. Avanços tecnológicos recentes — desde a eficiência na mineração canadense até a pesquisa de extração de água do mar na China — ampliam as opções futuras de oferta.
Na África do Sul, a Sibanye-Stillwater e a firma de investimentos global C5 Capital firmaram uma parceria estratégica para desenvolver projetos de urânio e capacidades de fornecimento de combustível para reatores modulares pequenos, sinalizando entusiasmo dos investidores na infraestrutura nuclear downstream.
Para participantes do mercado que acompanham a dinâmica do setor de urânio, compreender as geografias de produção e a economia operacional continua sendo fundamental. Os maiores países produtores de urânio do mundo, coletivamente, determinam a segurança energética global e os caminhos de mitigação climática nas próximas décadas.
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Líderes Mundiais na Produção de Urânio: Compreender os Países com Maior Produção de Urânio no Mundo
O mercado de urânio encontra-se num momento crucial. Após atingir um máximo de 17 anos de US$106 por libra no início de 2024, os preços moderaram-se para aproximadamente US$70 por libra em meados de 2025, mas os fundamentos do mercado permanecem otimistas devido a desequilíbrios persistentes entre oferta e procura. Compreender quais as nações que dominam a produção global de urânio é fundamental para investidores, estrategas energéticos e aqueles que acompanham a segurança do combustível nuclear.
Dinâmica de Mercado e o Ressurgimento da Energia Nuclear
A produção global de urânio experimentou uma trajetória dramática nos últimos 15 anos. O setor atingiu o pico em 2016 com 63.207 toneladas métricas de produção mundial, seguido por uma contração prolongada devido ao excesso de oferta e à hesitação energética pós-Fukushima, que tornou muitas operações economicamente inviáveis. Até 2022, a produção tinha contraído para 49.355 toneladas métricas — uma redução de 22% em relação ao pico.
No entanto, ocorreu uma mudança fundamental a partir de 2021. Um renovado compromisso global com a energia nuclear como solução de descarbonização, aliado a preocupações de oferta provenientes de regiões produtoras principais, desencadeou uma recuperação do mercado. Atualmente, a energia nuclear fornece cerca de 10% da eletricidade global, com projeções indicando um crescimento substancial à medida que os países perseguem metas de neutralidade carbónica. Este ressurgimento levou os mineiros de urânio a reiniciar operações inativas e a expandir a capacidade existente.
Cazaquistão: O Principal Fornecedor Mundial de Urânio
O Cazaquistão é indiscutivelmente o maior país produtor de urânio do mundo, posição que mantém desde 2009. Em 2022, forneceu 21.227 toneladas métricas de urânio — representando impressionantes 43% da produção global. A base de recursos do país é igualmente impressionante: em 2021, detinha 815.200 toneladas métricas de urânio recuperável conhecida, ficando atrás apenas da Austrália a nível mundial.
A maior parte do urânio do Cazaquistão é obtida através da tecnologia de lixiviação in situ (ISL), um método que minimiza o impacto ambiental enquanto mantém a eficiência operacional. A Kazatomprom, empresa estatal de urânio do país e maior produtora mundial, opera projetos extensos em várias jurisdições. Uma parte significativa do portefólio da Kazatomprom é composta pela mina Inkai — uma joint venture 60/40 com a canadiana Cameco. A Inkai produziu 8,3 milhões de libras de concentrado de urânio (U3O8) em 2023, mas enfrentou uma suspensão temporária de produção no início de 2025 devido a atrasos regulatórios, que posteriormente foram resolvidos.
Notícias de 2024 indicaram que a Kazatomprom poderia não atingir as metas de produção para 2024 e 2025, o que reverberou nos mercados globais, contribuindo significativamente para que os preços do urânio ultrapassassem a barreira de US$100 por libra. Em maio de 2025, uma subsidiária da Kazatomprom obteve financiamento de US$189 milhões para construir uma instalação de processamento de ácido sulfúrico com capacidade de 800.000 toneladas métricas por ano na região de Turkestão, com operações comerciais previstas para o primeiro trimestre de 2027. Este investimento em infraestrutura demonstra o compromisso da empresa com a expansão das capacidades downstream.
Ativos de Urânio na América do Norte e África
Resurgimento da Produção no Canadá
O Canadá é o segundo maior produtor de urânio, embora sua trajetória seja bastante diferente da do Cazaquistão, apresentando maior volatilidade. Em 2022, a produção canadense totalizou 7.351 toneladas métricas, bastante abaixo do pico de 14.039 toneladas de 2016, quando preços baixos forçaram o encerramento de minas em Saskatchewan e regiões do norte. A recuperação começou em 2022 e acelerou-se até 2024.
Duas operações definem o urânio canadense: Cigar Lake e McArthur River, ambos situados em Saskatchewan e operados pela Cameco. Estas minas são lendárias no setor — o banco de dados de mineração da MDO indica que as jazidas nestas instalações têm concentrações de minério superiores à média global por um fator de 100. As operações de McArthur River foram suspensas em 2018 devido à economia de mercado, mas retomaram a produção normal em novembro de 2022. Em 2023, a Cameco produziu 17,6 milhões de libras de urânio (7.983 toneladas métricas), superando os níveis do ano anterior, embora ainda abaixo do objetivo de 20,3 milhões de libras. O ritmo de produção acelerou em 2024, atingindo 23,1 milhões de libras e superando as previsões da empresa. Para 2025, a Cameco projeta uma produção combinada de 36 milhões de libras entre ambas as instalações.
A bacia de Athabasca, em Saskatchewan, reconhecida internacionalmente por depósitos de urânio de classe mundial e por um ambiente regulatório favorável à mineração, continua a atrair capital de exploração. A longa história de mineração na região reforça sua posição como líder global no setor.
Aumento da Produção na Namíbia
A Namíbia conquistou a terceira posição com 5.613 toneladas métricas de urânio produzidas em 2022. Após um declínio até um fundo de 2.993 toneladas em 2015, o país africano experimentou uma expansão constante na produção. Surpreendentemente, a Namíbia chegou a ultrapassar temporariamente o Canadá, hábil a manter a segunda posição em 2021, e quase igualou a produção canadense em 2022, apesar de ter caído para o terceiro lugar.
Três ativos principais sustentam a produção namibiana: Langer Heinrich, Rössing e Husab. Langer Heinrich, operada pela Paladin Energy, foi encerrada em 2017 devido à fraqueza dos preços do urânio. Com a recente recuperação de preços, a Paladin reiniciou a mina e atingiu o status de produção comercial no primeiro trimestre de 2024. As previsões de produção têm sido voláteis — inicialmente, a empresa estimou entre 4 e 4,5 milhões de libras de U3O8 para o exercício de 2025, mas revisou para baixo, entre 3 e 3,6 milhões de libras, em novembro de 2024, devido a inconsistências no estoque de minério e restrições no abastecimento de água. Após fortes chuvas em março de 2025, a Paladin retirou completamente as previsões e atualmente enfrenta duas ações coletivas relacionadas às revisões das previsões.
A Rössing, a mina de urânio a céu aberto mais antiga do mundo, foi transferida para propriedade chinesa (China National Uranium) pela Rio Tinto em 2019. Extensões recentes na vida útil da mina estendem a operação até 2036. A mina Husab, de maioria chinesa (China General Nuclear), é uma das maiores operações de urânio do mundo em volume. Atualmente, está em andamento um programa piloto de lixiviação em pilha para avaliar a viabilidade econômica do processamento de minério de menor grau, com resultados esperados em 2025.
Produtores Asiáticos e Novas Dinâmicas de Oferta
Expansão Estratégica do Uzbequistão
O Uzbequistão entrou no grupo das cinco maiores produtoras de urânio em 2020 e manteve a quinta posição em 2022, com 3.300 toneladas métricas. A produção doméstica do país da Ásia Central cresceu de forma incremental desde 2016, impulsionada por joint ventures com japoneses e chineses. A Navoiyuran, criada a partir de operações estatais em 2022, agora gere a mineração e o processamento de urânio do país.
Parceiros internacionais reconhecem a importância estratégica do Uzbequistão. A Orano (principal empresa de urânio da França) anunciou uma parceria em novembro de 2023, complementando uma joint venture anterior de 51/49 chamada Nurlikum Mining, que desenvolve o projeto South Djengeldi. No início de 2025, a ITOCHU do Japão adquiriu uma participação minoritária na joint venture de South Djengeldi. Esta mina, com capacidade de 700 toneladas métricas anuais, localizada no deserto de Kyzylkum, pode duplicar sua base de recursos através de exploração contínua — um marco que aumentaria significativamente o fornecimento regional.
A China Nuclear Uranium também firmou parceria com o Uzbequistão em março de 2024, refletindo a estratégia de Pequim de garantir um terço de suas necessidades de combustível nuclear de fontes domésticas, um terço por participações estrangeiras e joint ventures, e um terço por compras no mercado spot.
Rússia e Contribuintes Secundários Asiáticos
A Rússia produziu 2.508 toneladas métricas em 2022, ocupando a sexta posição. A produção tem se mantido relativamente estável desde 2011, variando entre 2.800 e 3.000 toneladas anuais. A subsidiária estatal Rosatom opera a mina Priargunsky e desenvolve o depósito Vershinnoye, no sul da Sibéria. Em 2023, a Rosatom superou as metas de produção em 90 toneladas, demonstrando melhorias na eficiência operacional. Uma nova instalação — a Mina nº 6 — deve iniciar a extração de urânio em 2028.
A China ficou em oitavo lugar com 1.700 toneladas métricas em 2022, refletindo crescimento constante desde 885 toneladas em 2011. A China General Nuclear Power, única fornecedora doméstica de urânio, está expandindo agressivamente seus acordos de fornecimento de combustível em Kazakhstão, Uzbequistão e mercados internacionais. Uma inovação de 2025, com cientistas chineses demonstrando a extração bem-sucedida de urânio da água do mar usando tecnologia de hidrogel — uma planta piloto de demonstração deve ser concluída até 2035, potencialmente desbloqueando vastas reservas oceânicas de urânio para futuras expansões nucleares.
A Índia (nona posição, 600 toneladas em 2022) mantém 25 reatores nucleares operacionais, com oito unidades em construção. O governo pretende atingir 100 gigawatts de capacidade nuclear até 2047, sinalizando uma demanda futura significativa por urânio.
Desafios de Oferta na África e Riscos Geopolíticos
Níger e Incerteza Política
O Níger, que foi um fornecedor confiável contribuindo com 2.020 toneladas em 2022, enfrenta desafios geopolíticos sem precedentes. As minas SOMAIR e COMINAK, operadas por subsidiárias da Orano, historicamente forneciam 5% do urânio global. O urânio do Níger representa 15% do combustível nuclear francês e cerca de um quinto das importações da União Europeia — tornando os desenvolvimentos políticos recentes altamente relevantes.
Um golpe militar em 2023 provocou uma reformulação completa do setor de mineração. A junta anunciou intenções de aumentar o controle estatal sobre os recursos de urânio, suspendendo temporariamente novas licenças de mineração enquanto renegociava acordos existentes. Em meados de 2024, o Níger revogou a licença de mineração da GoviEx Uranium para Madaouela e a permissão de operação da Orano para o projeto Imouraren. Posteriormente, o governo concedeu uma licença de mineração de pequena escala para o projeto Moradi à estatal COMIREX, aprovada em fevereiro de 2025, representando uma atualização da licença semi-mecanizada anterior e reforçando a soberania nacional sobre os ativos de urânio.
A Atomic Global continua a desenvolver seu projeto Dasa, com previsão de entrada em operação em início de 2026, embora as incertezas regulatórias persistam.
Implicações de Investimento e Perspectivas de Mercado
A dominância do maior produtor de urânio — o Cazaquistão — demonstra como estabilidade geopolítica, expertise técnica e abundância de recursos convergem para estabelecer liderança de mercado. Contudo, a diversidade das 10 principais produtoras revela que a expansão nuclear global depende da diversificação de oferta.
Analistas de previsão mantêm a convicção na força sustentada do mercado de urânio. O desequilíbrio entre oferta e procura, aliado ao aumento dos compromissos de capacidade nuclear globalmente, sustenta dinâmicas de preços favoráveis a longo prazo. Avanços tecnológicos recentes — desde a eficiência na mineração canadense até a pesquisa de extração de água do mar na China — ampliam as opções futuras de oferta.
Na África do Sul, a Sibanye-Stillwater e a firma de investimentos global C5 Capital firmaram uma parceria estratégica para desenvolver projetos de urânio e capacidades de fornecimento de combustível para reatores modulares pequenos, sinalizando entusiasmo dos investidores na infraestrutura nuclear downstream.
Para participantes do mercado que acompanham a dinâmica do setor de urânio, compreender as geografias de produção e a economia operacional continua sendo fundamental. Os maiores países produtores de urânio do mundo, coletivamente, determinam a segurança energética global e os caminhos de mitigação climática nas próximas décadas.