No seu segundo dia de trabalho, foi enviado para o Vietname, a polícia o deteve no aeroporto: isto é para ir à morte

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Geração de resumo em curso

O rapaz acabou de encontrar trabalho e, no segundo dia após entrar, foi destacado para o Vietname. A família achou estranho e, por isso, apresentou uma queixa à polícia. No posto de embarque, no aeroporto, os agentes puseram-no a parar e disseram: “Isto é para ires morrer.”

Esta história parece estranha, mas é um facto real. Ao fim da tarde de 17 de março, no Aeroporto de Xangai Hongqiao, o Liu, de 25 anos, esteve a um passo de entrar num caminho sem retorno.

I. Ganhar um presente do céu

Este rapaz, o Liu, tem 25 anos, está na flor da idade. Arranjar emprego não é fácil por estes dias; as candidaturas que enviou ficaram sem resposta, como se caíssem num abismo, e fez entrevistas em dezenas de empresas sem obter nada.

No momento em que estava com a cabeça nas nuvens, uma publicidade de recrutamento na internet fez-lhe os olhos brilharem.

“Cadeia de indústria digital com salários elevados, recrutamento em regime de alta remuneração; rendimento mensal acima de 10.000; alimentação e alojamento incluídos; entrada sem condições.”

Quem é que não ficaria tentado com estas condições? O Liu enviou imediatamente a candidatura. Adivinha só? No próprio dia recebeu um convite para entrevista; e, após a entrevista, decidiram logo: contratação!

O Liu ficou muito contente, pensando que era “a mudança para melhor”. Mas a verdade é que não era “virar a sorte”; era cair numa armadilha.

No primeiro dia de trabalho, mal teve tempo de se sentar ao posto, e no segundo dia, ao começar o turno, o chefe chamou-o para o escritório: “Liu, a empresa tem um grande projeto no Vietname. Vais assumir isso.”

O Liu ficou em choque: “Tão rápido?”

O chefe sorriu: “Rapazes, é para se exercitarem mais. O salário vai duplicar; amanhã partimos.”

O Liu ficou com dúvidas: como é que uma empresa tão regular faz isto? Mas, ao virar do pensamento, talvez fosse porque era muito competente e o estavam a valorizar.

II. A família achou que havia algo errado

O Liu voltou a casa e contou-lhes o sucedido. Assim que os mais velhos ouviram, franziram a testa.

“Espera aí, o que é que disseste? No segundo dia já te destacaram? E ainda para o Vietname?”

“Sim, a empresa confia em mim.”

“Confia o quê, droga nenhuma!” O avô bateu com a mão na perna e disse, “Que empresa regular é que faz isto? Pergunta-lhes que tipo de visto é que te arranjaram.”

O Liu tirou o passaporte para ver: visto de turismo.

O avô mudou logo de cor: “Visto de turismo para ir trabalhar? Isto é ilegal! E os bilhetes? Onde estão?”

“Bilhete de ida só: Xangai para Xiamen, e depois ligação para Cidade de Ho Chi Minh.”

“Só ida?” O avô inspirou fundo: “É ida sem volta!”

O Liu ainda não acreditava: “Estão a exagerar. A empresa disse que lá há alguém para nos receber.”

“Receber?” Disse a família, “Vão é receber-te para te levarem para um parque de burlas!”

Depois de tentarem convencerem-no durante algum tempo, o Liu continuou a não ouvir. Como era jovem, achava que os familiares estavam a dramatizar e a bloquear o seu caminho. Vendo que não o convenciam, a família deu um passo atrás e resolveu: telefonar à polícia!

III. Corrida contra a morte no aeroporto

Quando a esquadra do aeroporto da Polícia de Xangai recebeu a denúncia, faltavam apenas 40 minutos para o fecho do voo.

Em 40 minutos, encontrar uma pessoa… que difícil.

Mas os agentes não hesitaram e ativaram imediatamente o mecanismo de resposta de emergência. Chamadas via rádio para procurar, revisão de câmaras de segurança, verificação do portão de embarque — e, no aeroporto, desenrolou-se uma corrida contra a morte.

Por fim, junto ao portão de embarque, os agentes encontraram o Liu. Nessa altura, o Liu estava mesmo prestes a embarcar.

“Liu, é isso? Não embarques já. Vamos falar connosco.”

O Liu não estava satisfeito: “Estou a perder o meu voo, a empresa está à minha espera.”

Os agentes também não perderam tempo com rodeios e disseram diretamente, sem abrir espaço a dúvidas: “Tu sabes que tipo de visto é este? Visto de turismo! Usar um visto de turismo para ir trabalhar para o estrangeiro é ilegal!”

“Mas a empresa disse que….”

“A empresa disse?” O agente interrompeu-o, “A empresa ainda te disse que tinhas um salário alto, certo? Então olha para o teu bilhete: bilhete só de ida! As transferências regulares têm bilhete de ida e volta. Já viste alguma empresa comprar bilhetes só de ida aos empregados?”

O Liu ficou sem palavras.

O agente prosseguiu: “Sabes o que é esse ‘projeto’ que te espera no Vietname? Burlas de telecomunicações! Quando lá chegares, confiscam-te o passaporte, controlam a tua liberdade e fazem-te fazer o que for preciso. Se não conseguires cumprir a missão, és espancado. Se tentares fugir, prendem-te e batem ainda com mais força!”

“Eu… eu só não participo em actividades ilegais, não é?”

“Lá, não tens escolha!” O agente suspirou: “Quando chegares a esse tipo de lugar, a pessoa não tem, de facto, direitos de decisão.”

IV. Um balde de água fria para o despertar

Os agentes explicaram ao Liu, pormenorizadamente, como quem desfaz um nó.

Visto de turismo não serve para trabalhar — isto é um senso comum. Bilhete só de ida prova que a outra parte não pretende que voltes. Quanto a essa “indústria digital”, na maioria das vezes — em oito ou nove casos — é uma fachada para burlas de telecomunicações.

Estas palavras, como um balde de água fria, finalmente acordaram o Liu.

Quanto mais ouvia, mais assustado ficava; uma frieza subiu-lhe pela espinha. Se a família não tivesse feito a denúncia, se os agentes não o tivessem interceptado a tempo, neste momento ele poderia já estar num voo para o Vietname. À sua espera não estaria um trabalho bem pago, mas sim um parque de burlas: detenção ilegal e dias sem luz.

“Eu… eu não vou.”

A voz do Liu tremia.

Os agentes tocaram-lhe no ombro: “Se pensaste bem, está resolvido. Lembra-te: não cai dinheiro do céu. Quando cai alguma coisa, na maioria das vezes é uma armadilha.”

V. Isto não é um caso isolado

Não penses que o caso do Liu foi um acaso. Segundo dados da Organização Internacional de Polícia Criminal, em 2025 já existem 170.000 casos de burlas transfronteiriças de procura de emprego, com um valor envolvido superior a 8 mil milhões de dólares. Em cada 10 vítimas, 8 são jovens.

Estes burlões compreendem demasiado bem a psicologia dos jovens. Recém-licenciados, ansiosos por encontrar emprego; ao verem expressões como “alto salário e destacamento para o estrangeiro”, “sem condições” e “salários elevados”, e ainda “acomodação garantida”, os olhos ficam logo atraídos.

Mas se reflectires bem: que empresa regular é que contrata assim?

Contratação rápida, destacamento urgente, salário absurdo e procedimentos irregulares — estas quatro condições. Basta que uma delas esteja presente para precisares de redobrar a atenção. Se as quatro estiverem todas presentes, é 100% fraude.

Empresas regulares que destacam empregados tratam estritamente vistos de trabalho, organizam itinerários de ida e volta, fazem formação antes de iniciar e assinam contratos — tudo isso não pode faltar. Como é que haveria de ser como a empresa que o Liu encontrou, que coloca a pressa um recém-chegado para fora do país?

VI. Como evitar cair em burlas?

Falando nisso, temos de alertar os jovens que estão à procura de emprego.

Primeiro: para trabalhar no estrangeiro, tens de passar por uma empresa regular de trabalho temporário com registo na tutela do Ministério do Comércio. As informações dessas empresas podem ser consultadas e verificadas nos websites oficiais — não te fiques apenas nas palavras da outra parte.

Segundo: confirma se tens um visto de trabalho legal. Qualquer visto de turismo ou visto de negócios não é equivalente a um visto de trabalho no estrangeiro. Ir trabalhar com visto de turismo é, por si só, uma suspeita de ilegalidade.

Terceiro: quando te oferecem oportunidades aparentemente tentadoras, como “entrada e destacamento imediato” e “salário alto, sem condições”, fica primeiro calmo. Verifica cuidadosamente o nome completo da empresa, a informação de registo, o negócio concreto e o endereço do escritório. Se estas informações forem vagas ou não puderem ser apresentadas, é muito provável que haja problemas.

Quarto: discute mais com a tua família. Os jovens não devem acreditar cegamente que “a mim não vai acontecer”. As técnicas de burla estão sempre a ser renovadas; manter a vigilância é a forma eficaz de prevenir.

Lembra-te: não há boas coisas que se conseguem sem esforço. Por trás do “salário alto” que parece tentador, pode haver riscos difíceis de suportar.

VII. Para terminar

O caso do Liu, no fim, acabou por correr bem. Mas quantos jovens não tiveram tanta sorte?

Segundo o relatório do Centro de Cooperação de Segurança de Execução Conjunta entre o Rio Lancang e o Rio Mekong, entre 2023 e 2025 houve 4842 anúncios de recrutamento suspeitos de serem falsos; a percentagem de expressões geográficas como “no estrangeiro” e “fora do país” atingiu 26,7%; e as promessas salariais, como “rendimento mensal acima de 10.000”, representaram 24,7%.

Por trás desses números frios estão inúmeras vidas e famílias que podem ser destruídas.

Arranjar emprego não é para decisões apressadas. Mais um pouco de prudência e menos pressa; nunca deixes que os interesses de curto prazo te ofusquem o pensamento. Se te deparares com “destacamento urgente” ou “tentação de alto salário”, vale a pena perguntar a ti mesmo: tão bom — por que razão haveria de ser a mim que calha?

Quando se percebe isto, muitas fraudes desmoronam por si.

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