Tribunal australiano rejeita processo climático contra a Santos

Tribunal Australiano Rejeita Caso Climático Contra Santos

Charles Kennedy

Ter, 17 de fevereiro de 2026 às 14h44 GMT+9 3 min de leitura

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A Santos Limited obteve uma vitória legal após o Tribunal Federal Pleno da Austrália rejeitar um caso relacionado ao clima que contestava aspetos das suas divulgações passadas e ordenar custos a favor da empresa.

O caso, movido pelo Centro Australásico para Responsabilidade Corporativa (ACCR), tinha como alvo declarações feitas no Relatório Anual de 2020, no Relatório de Mudanças Climáticas de 2021 e numa apresentação do Dia do Investidor de 2020. A questão eram elementos do roteiro de zero líquido até 2040 e compromissos climáticos relacionados, com a ACCR argumentando que certas representações eram enganosas.

Na sua decisão, o Tribunal rejeitou as alegações na íntegra, marcando um resultado importante no panorama em evolução de litígios climáticos contra produtores de petróleo e gás na Austrália.

A decisão do Tribunal Federal efetivamente confirma a posição da Santos de que as suas divulgações relacionadas ao clima cumpriam os padrões legais na altura em que foram feitas. O Tribunal também concedeu custos legais à Santos, reforçando a defesa bem-sucedida da empresa.

A Santos reiterou o seu compromisso com uma “divulgação transparente, precisa e em conformidade,” observando que o seu Plano de Ação de Transição Climática evoluiu desde a publicação inicial do seu roteiro de zero líquido até 2040. A empresa destacou que sempre afirmou que a sua estratégia de transição se adaptaria em linha com avanços tecnológicos, de mercado e regulatórios.

Mais de 85% das ações votadas apoiaram o Plano de Ação de Transição Climática da Santos na sua mais recente Assembleia Geral Anual, refletindo forte apoio dos acionistas à sua estratégia climática na votação consultiva “Say on Climate”.

Central na defesa do roteiro climático da Santos está o projeto de Captura e Armazenamento de Carbono (CCS) de Moomba, na Austrália do Sul. A empresa tinha anteriormente comprometido-se a desenvolver o projeto e a trabalhar com governos para estabelecer um quadro regulatório de captura e armazenamento de carbono.

O CCS de Moomba está operacional desde setembro de 2024 e foi projetado para injetar até 1,7 milhões de toneladas por ano de CO2 equivalente em reservatórios de hidrocarbonetos esgotados para armazenamento permanente. A Santos descreve a instalação como um dos maiores e de menor custo globalmente em projetos de CCS.

A empresa enquadrou Moomba como uma prova tangível de que os seus compromissos anteriores se traduziram em infraestrutura operacional de redução de emissões, posicionando o CCS como um pilar central da sua estratégia de descarbonização enquanto mantém a produção de hidrocarbonetos.

A decisão ocorre num contexto de intensificação do escrutínio às divulgações ESG no setor energético, especialmente em relação a alegações de zero líquido e planos de transição. Globalmente, investidores ativistas e grupos de defesa têm recorrido cada vez mais aos tribunais para desafiar o que caracterizam como “greenwashing” nas estratégias climáticas corporativas.

Continuação da história  

A Austrália tornou-se um ponto focal para tais litígios, com reguladores e tribunais testando os limites das divulgações financeiras relacionadas ao clima. Para produtores de petróleo e gás, a clareza legal sobre declarações prospectivas e caminhos de transição está a emergir como um fator de risco material.

Para a Santos, a decisão elimina uma incerteza jurídica que poderia afetar o sentimento dos investidores, especialmente enquanto a empresa continua a avançar com projetos de gestão de carbono e planos de expansão de GNL. A aprovação do seu Plano de Ação de Transição Climática pelos acionistas, juntamente com o lançamento operacional do CCS de Moomba, reforça o argumento de que o seu caminho para zero líquido está baseado em tecnologia implementável, e não em metas aspiracionais.

Com casos de responsabilização climática a proliferar globalmente, o desfecho deste caso pode servir como um ponto de referência importante para outras empresas de energia enfrentando escrutínio legal semelhante sobre divulgações climáticas.

Por Charles Kennedy para Oilprice.com

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