Na véspera da aprovação da lei de stablecoins em Taiwan, que deverá entrar em vigor já em junho deste ano, o presidente do Mega Financial Holding, Dong Rui-bin, revelou abertamente o que muitos executivos bancários pensam: “Os bancos emitirem stablecoins, ainda não consigo ver vantagem alguma.”
(Resumo anterior: Peng Jinlong, do Financial Supervisory Commission: Taiwan terá stablecoins emitidas por “instituições financeiras”, com entrada em vigor prevista para junho de 2026)
(Informação adicional: Stablecoins são apenas uma “carteira digital”? Uma guerra de percepções que pode acabar por sufocar o futuro das criptomoedas em Taiwan)
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Atualmente, o Mega Bank está testando transferências internacionais usando USDT em 25 filiais no exterior. O resultado é que 14 delas não conseguiram realizar as transferências devido a restrições regulatórias locais, com uma taxa de sucesso inferior a 60%. Este número foi divulgado pelo presidente do Mega Financial, Dong Rui-bin, durante o fórum da Yushan Technology Association. Sua conclusão foi:
“Se a inovação financeira for apenas por inovação, e ninguém a usar no final, é como o NFT: uma lição.”
Embora o setor de FinTech atualmente veja o setor financeiro de Taiwan como relativamente conservador, Dong Rui-bin afirma que suas dúvidas têm uma lógica financeira concreta. Ele questiona: em que parte do processo os bancos podem lucrar ao emitir stablecoins?
Dong Rui-bin afirmou que o primeiro ponto crítico é que o mercado de pagamentos interno em Taiwan não necessita de stablecoins. As transferências domésticas já são feitas em cerca de dois minutos, com taxas entre 0 e 15 NT$, e VISA e Mastercard dominam há muito tempo os pagamentos no varejo, até mesmo tornando o negócio de cartões de crédito bastante difícil. Para entrar neste mercado, stablecoins não têm uma necessidade real nem espaço para tarifas.
O segundo ponto é o cenário de transferências internacionais, onde as stablecoins são frequentemente citadas como vantagem, com velocidade de cerca de 20 minutos e custos inferiores às transferências bancárias, que variam entre 420 e 1.100 NT$.
Porém, Dong Rui-bin questiona: “Alguém usaria stablecoins emitidas pelo Mega?” Ele afirma que o reconhecimento do Mega nos EUA e Japão é insuficiente para promover stablecoins denominadas em dólares ou ienes. A credibilidade das stablecoins depende da confiança na instituição emissora, e neste aspecto, USDT da Tether já representa 61% do valor de mercado global de stablecoins, formando uma estrutura de domínio absoluto.
O terceiro ponto crítico é a regulamentação, que ameaça destruir o modelo de receita dos bancos ao emitir stablecoins.
As principais economias globais, incluindo EUA, UE, Reino Unido, Cingapura, Hong Kong, Emirados Árabes Unidos e Japão, exigem que os bancos mantenham reservas em moeda fiduciária equivalentes a 100% do valor emitido. Ou seja, se um cliente deposita 1 dólar, o banco deve congelar 1 dólar, que não pode ser emprestado. Assim, a tradicional margem de lucro de empréstimos e depósitos desaparece na emissão de stablecoins.
Dong Rui-bin afirmou: “A exigência de reserva de 100% em moeda fiduciária faz com que eu não possa pagar qualquer juros.” Sem incentivos para atrair clientes, como fazer esse negócio?
Este dilema não é exclusivo do Mega, mas uma questão estrutural enfrentada por bancos ao redor do mundo.
Segundo a Payments Association, se 10% dos pagamentos internacionais migrassem para stablecoins, os bancos perderiam centenas de bilhões de dólares em taxas anuais. Os bancos não ignoram os riscos, mas se veem forçados a escolher entre “custear testes de investimento” ou “ver os clientes migrarem para Tether”.
Tether também não está isenta de controvérsias. Aproximadamente 20% de suas reservas não são em dinheiro, incluindo empréstimos garantidos, Bitcoin e metais preciosos, o que ainda está longe de uma reserva 100% fiduciária. Bancos regulados que emitirem stablecoins terão que arcar com custos de auditoria de maior transparência, competindo com produtos de maior custo e menos regulamentados.
O Mega Bank anunciou que “as taxas de stablecoins serão cobradas com base na taxa de câmbio”.
No entanto, a maioria dos bancos limita suas taxas de serviço, e embora stablecoins possam oferecer tarifas menores para transferências pequenas, para transferências acima de 7.000 dólares (mais de 200.000 NT$), os bancos ainda têm vantagem.
Os dados de teste do Mega indicam que transferências internacionais geralmente são concluídas em até 2 horas, com taxas internas entre 420 e 1.100 NT$, incluindo 300 NT$ de custos postais e uma taxa de câmbio de 0,05% (com limite máximo de 800 NT$).
Stablecoins, por outro lado, prometem transferências em até 20 minutos, com taxas de 2 USDT mais uma taxa de transação de 0,2%.
Esses números não condizem com a experiência de usuários que usam transferências na blockchain, o que gerou debates na comunidade cripto: “Qual cadeia leva 20 minutos para confirmar?”, “A taxa de 0,2% é para stablecoins fiduciárias?”
Para tokens como BNB, Tron ou a maioria do ETH Layer2, o envio de tokens e a confirmação de blocos levam no máximo 1 minuto, com taxas de menos de 0,1 dólares.
Quando as necessidades de transferência dos usuários forem comparadas, as stablecoins podem se tornar um produto altamente competitivo para os bancos. O presidente do Mega foi honesto ao explicar por que os bancos em Taiwan não querem emitir stablecoins; porém, isso não significa que as stablecoins não possam competir com transferências bancárias tradicionais, embora eu mantenha uma reserva de cautela.
A Comissão de Supervisão Financeira anunciou que a lei entrará em vigor até junho de 2026, e que as entidades emissoras de stablecoins serão principalmente instituições financeiras. A estrutura regulatória está se formando rapidamente, mas a opinião mais direta dos bancos, como expressa pelo presidente do Mega, é: fazer stablecoins, há alguém que queira usar? Há dinheiro para ganhar? Atualmente, ambas as respostas em Taiwan permanecem incertas.