Já reparou em oscilações estranhas no mercado antes de grandes anúncios? Nos últimos anos, esse fenômeno tem ganhado força, e chama-se negociação com informação privilegiada no mundo cripto. O que antes era considerado o maior problema dos mercados tradicionais de ações, agora está firmemente enraizado na economia digital.
O que é negociação com informação privilegiada e por que é um problema
Resumidamente, negociação com informação privilegiada é a compra ou venda de ações ou títulos com base em informações confidenciais que não estão disponíveis ao público em geral. Pessoas com acesso a essas informações confidenciais obtêm uma vantagem injusta sobre os demais investidores.
Nos EUA, a Comissão de Valores Mobiliários e Bolsas (SEC) regula rigorosamente essa atividade. Embora algumas formas de negociação com informação privilegiada sejam legais — por exemplo, quando um CEO compra abertamente ações de sua própria empresa após registro adequado — a maioria dos casos relacionados a informações confidenciais é considerada fraude.
Curiosamente, o direito não se limita apenas a executivos de empresas. Em 1909, a Suprema Corte dos EUA já decidiu que até mesmo um diretor que compra ações com base em informações não divulgadas comete fraude. E hoje, familiares, amigos ou pessoas casuais que descobrem segredos também podem ser responsabilizadas. Um exemplo clássico é um cabeleireiro que, ao ouvir por acaso uma conversa confidencial durante o trabalho com o CEO, soube dos lucros anuais da empresa e decidiu comprar ações. Isso é uma negociação com informação privilegiada ilegal em ação.
Como funciona no mercado de criptomoedas
O mercado de criptomoedas funcionou por muito tempo como o Velho Oeste digital — não regulamentado e quase sem controle. Isso criou um terreno fértil para manipulações e operações desonestas usando informações privilegiadas.
Se você negocia ativamente, provavelmente já percebeu esquemas como:
Grandes baleias e fundadores de projetos frequentemente compram ou vendem grandes volumes de tokens, manipulando os preços
Esquema clássico de “pump and dump”: a moeda sobe por compras excessivas e notícias infladas, e depois insiders se unem e vendem tudo na hora combinada
Listagem na exchange — informações sobre uma listagem próxima de um token em uma plataforma líder são usadas antecipadamente
Atualizações técnicas — informações sobre forks futuros e atualizações dão vantagem na negociação
Por outro lado, a natureza descentralizada do blockchain torna a maioria das operações transparente. O problema, que se revelou ao longo do desenvolvimento da indústria, é bastante agudo. Segundo pesquisa da Universidade de Tecnologia de Sydney, informações privilegiadas aparecem em 27-48% de todas as listagens de criptomoedas, apesar do aumento na regulamentação.
Casos reais que abalaram o mercado cripto
Escândalo Coinbase: quando o acesso à informação virou ouro
Em 2022, a SEC investigou o caso do ex-gerente de produto da Coinbase, Isha Vakhi. Ele tinha acesso a informações sobre quais criptomoedas seriam adicionadas à plataforma. Vakhi regularmente passava essas informações confidenciais para seu irmão e amigo, e eles, sem perder tempo, compraram pelo menos 25 criptomoedas (nove delas eram valores mobiliários) com lucro superior a 1,1 milhão de dólares. Ishan foi condenado a dois anos de prisão, seu irmão a 10 meses, e o outro foi obrigado a pagar uma multa superior a 1,6 milhão de dólares.
Long Blockchain: quando o nome mudou tudo
Em 2017, uma pequena empresa chamada Long Island Ice Tea repentinamente mudou seu nome para Long Blockchain Corp. e anunciou a transição para tecnologias de blockchain. Isso aconteceu durante a mania de criptomoedas, e a mudança de marca provocou um salto de 380% nas ações. No entanto, a empresa na prática nunca começou a desenvolver soluções de blockchain. Três pessoas que usaram informações privilegiadas sobre o anúncio antes de sua divulgação pública foram condenadas. As multas totalizaram 400 mil dólares.
OpenSea: mercado de NFTs no centro de escândalo
Em 2021, o gerente de produto da OpenSea, Nate Chastain, usou seu conhecimento sobre quais coleções de NFTs seriam exibidas na página principal da plataforma. Ele comprou essas coleções antecipadamente e as vendeu durante um salto repentino no valor e volume de negociações. O lucro foi de 57 mil dólares, mas Chastain foi condenado a três meses de prisão e a uma multa de 50 mil dólares.
Quais as consequências para quem pratica negociação com informação privilegiada
As multas por uso de informações confidenciais podem ser muito mais severas do que parecem:
Prisão de até 20 anos, dependendo do lucro obtido e do histórico criminal
Multas criminais: até 5 milhões de dólares para pessoas físicas, até 25 milhões para corporações
Multas civis de até três vezes o lucro obtido
Perda de direitos — a pessoa pode ser proibida de atuar como diretor de uma empresa pública
Dano à reputação — julgamento público que destrói a imagem na indústria
Confisco — devolução de todos os fundos e ativos obtidos
Como os reguladores respondem ao desafio
A SEC classifica cada vez mais as criptomoedas como valores mobiliários. XRP, ADA, SOL e muitos outros tokens já estão sob essa classificação, o que implica na aplicação direta das regras de informações privilegiadas.
O presidente da SEC, Gary Gensler, repete várias vezes: se uma empresa arrecada dinheiro por meio de um token, e os investidores esperam lucros com as atividades da empresa, isso é um valor mobiliário, e toda a regulamentação aplicável deve ser seguida.
As exchanges centralizadas já implementaram verificações obrigatórias de KYC e AML. No entanto, plataformas descentralizadas (DEX) continuam sendo um elo fraco. A pressão por maior controle sobre elas aumenta, para que adotem mecanismos mais rigorosos.
Curiosamente, a Binance até ofereceu uma recompensa de até 5 milhões de dólares por informações sobre operações com informações privilegiadas na exchange — isso aconteceu após um escândalo envolvendo um token que comprou 314 milhões de BOME antes de sua listagem na plataforma.
O futuro: informações privilegiadas sob vigilância
Blockchain, apesar de sua reputação de tecnologia anônima, é na verdade bastante transparente para análise. Sua transparência pode ser usada para monitorar e prevenir manipulações. Pesquisas da Solidus Labs mostraram que 56% das listagens de ICOs apresentam sinais de negociação com informação privilegiada, mas a pressão regulatória está aumentando.
A indústria está mudando. Grandes players de exchanges de criptomoedas e empresas entendem que autorregulação não é uma opção, mas uma necessidade para a simplicidade de seus negócios e reputação. O fim do mercado cripto sem controle está próximo, e aqueles que usam informações privilegiadas devem entender: as autoridades já estão na jogada.
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
Mercado de criptomoedas e transações invisíveis: como informações privilegiadas mudam as regras do jogo
Já reparou em oscilações estranhas no mercado antes de grandes anúncios? Nos últimos anos, esse fenômeno tem ganhado força, e chama-se negociação com informação privilegiada no mundo cripto. O que antes era considerado o maior problema dos mercados tradicionais de ações, agora está firmemente enraizado na economia digital.
O que é negociação com informação privilegiada e por que é um problema
Resumidamente, negociação com informação privilegiada é a compra ou venda de ações ou títulos com base em informações confidenciais que não estão disponíveis ao público em geral. Pessoas com acesso a essas informações confidenciais obtêm uma vantagem injusta sobre os demais investidores.
Nos EUA, a Comissão de Valores Mobiliários e Bolsas (SEC) regula rigorosamente essa atividade. Embora algumas formas de negociação com informação privilegiada sejam legais — por exemplo, quando um CEO compra abertamente ações de sua própria empresa após registro adequado — a maioria dos casos relacionados a informações confidenciais é considerada fraude.
Curiosamente, o direito não se limita apenas a executivos de empresas. Em 1909, a Suprema Corte dos EUA já decidiu que até mesmo um diretor que compra ações com base em informações não divulgadas comete fraude. E hoje, familiares, amigos ou pessoas casuais que descobrem segredos também podem ser responsabilizadas. Um exemplo clássico é um cabeleireiro que, ao ouvir por acaso uma conversa confidencial durante o trabalho com o CEO, soube dos lucros anuais da empresa e decidiu comprar ações. Isso é uma negociação com informação privilegiada ilegal em ação.
Como funciona no mercado de criptomoedas
O mercado de criptomoedas funcionou por muito tempo como o Velho Oeste digital — não regulamentado e quase sem controle. Isso criou um terreno fértil para manipulações e operações desonestas usando informações privilegiadas.
Se você negocia ativamente, provavelmente já percebeu esquemas como:
Por outro lado, a natureza descentralizada do blockchain torna a maioria das operações transparente. O problema, que se revelou ao longo do desenvolvimento da indústria, é bastante agudo. Segundo pesquisa da Universidade de Tecnologia de Sydney, informações privilegiadas aparecem em 27-48% de todas as listagens de criptomoedas, apesar do aumento na regulamentação.
Casos reais que abalaram o mercado cripto
Escândalo Coinbase: quando o acesso à informação virou ouro
Em 2022, a SEC investigou o caso do ex-gerente de produto da Coinbase, Isha Vakhi. Ele tinha acesso a informações sobre quais criptomoedas seriam adicionadas à plataforma. Vakhi regularmente passava essas informações confidenciais para seu irmão e amigo, e eles, sem perder tempo, compraram pelo menos 25 criptomoedas (nove delas eram valores mobiliários) com lucro superior a 1,1 milhão de dólares. Ishan foi condenado a dois anos de prisão, seu irmão a 10 meses, e o outro foi obrigado a pagar uma multa superior a 1,6 milhão de dólares.
Long Blockchain: quando o nome mudou tudo
Em 2017, uma pequena empresa chamada Long Island Ice Tea repentinamente mudou seu nome para Long Blockchain Corp. e anunciou a transição para tecnologias de blockchain. Isso aconteceu durante a mania de criptomoedas, e a mudança de marca provocou um salto de 380% nas ações. No entanto, a empresa na prática nunca começou a desenvolver soluções de blockchain. Três pessoas que usaram informações privilegiadas sobre o anúncio antes de sua divulgação pública foram condenadas. As multas totalizaram 400 mil dólares.
OpenSea: mercado de NFTs no centro de escândalo
Em 2021, o gerente de produto da OpenSea, Nate Chastain, usou seu conhecimento sobre quais coleções de NFTs seriam exibidas na página principal da plataforma. Ele comprou essas coleções antecipadamente e as vendeu durante um salto repentino no valor e volume de negociações. O lucro foi de 57 mil dólares, mas Chastain foi condenado a três meses de prisão e a uma multa de 50 mil dólares.
Quais as consequências para quem pratica negociação com informação privilegiada
As multas por uso de informações confidenciais podem ser muito mais severas do que parecem:
Como os reguladores respondem ao desafio
A SEC classifica cada vez mais as criptomoedas como valores mobiliários. XRP, ADA, SOL e muitos outros tokens já estão sob essa classificação, o que implica na aplicação direta das regras de informações privilegiadas.
O presidente da SEC, Gary Gensler, repete várias vezes: se uma empresa arrecada dinheiro por meio de um token, e os investidores esperam lucros com as atividades da empresa, isso é um valor mobiliário, e toda a regulamentação aplicável deve ser seguida.
As exchanges centralizadas já implementaram verificações obrigatórias de KYC e AML. No entanto, plataformas descentralizadas (DEX) continuam sendo um elo fraco. A pressão por maior controle sobre elas aumenta, para que adotem mecanismos mais rigorosos.
Curiosamente, a Binance até ofereceu uma recompensa de até 5 milhões de dólares por informações sobre operações com informações privilegiadas na exchange — isso aconteceu após um escândalo envolvendo um token que comprou 314 milhões de BOME antes de sua listagem na plataforma.
O futuro: informações privilegiadas sob vigilância
Blockchain, apesar de sua reputação de tecnologia anônima, é na verdade bastante transparente para análise. Sua transparência pode ser usada para monitorar e prevenir manipulações. Pesquisas da Solidus Labs mostraram que 56% das listagens de ICOs apresentam sinais de negociação com informação privilegiada, mas a pressão regulatória está aumentando.
A indústria está mudando. Grandes players de exchanges de criptomoedas e empresas entendem que autorregulação não é uma opção, mas uma necessidade para a simplicidade de seus negócios e reputação. O fim do mercado cripto sem controle está próximo, e aqueles que usam informações privilegiadas devem entender: as autoridades já estão na jogada.