Como os investidores usam a fórmula P/E para avaliar ações

Pontos-chave

  • O sistema P/E mostra quanto os investidores estão dispostos a pagar por cada dólar de lucro da empresa - é a principal ferramenta para identificar ativos subvalorizados e sobrevalorizados.
  • Existem várias opções de cálculo: com base nos dados atuais (trailing), indicadores prognósticos (forward), análise absoluta e relativa.
  • Ao utilizar a fórmula P/E, é sempre necessário considerar os padrões da indústria e as taxas de crescimento da empresa.
  • As criptomoedas não se encaixam na avaliação P/E tradicional, pois não geram lucro no sentido clássico, no entanto, algumas plataformas DeFi começam a aplicar metodologias semelhantes.

Introdução: por que é necessária a fórmula P/E

Quando você pensa em investir em ações, surge a questão principal: estou a pagar a mais? O rácio preço/lucro é uma ferramenta que ajuda a responder a essa pergunta. É um dos mais comuns entre traders e investidores ao analisar a atratividade de valores mobiliários. Vamos entender como usá-lo na prática e em que devemos prestar atenção.

Compreensão do coeficiente P/E: princípios básicos

O índice P/E liga dois indicadores-chave: o preço de mercado de uma ação e o lucro da empresa atribuído a essa ação. Isso permite comparar diferentes empresas e determinar se a sua avaliação atual no mercado é justificada.

A essência é simples: o coeficiente mostra quanto dinheiro os investidores estão dispostos a investir para obter um dólar de lucro anual da empresa. Um valor alto significa que o mercado tem grandes expectativas em relação à empresa, enquanto um valor baixo pode indicar tanto um bom negócio quanto problemas nos negócios.

Cálculo P/E: fórmula prática

Fórmula clássica:

P/E = Preço da ação ÷ Lucro por ação (EPS)

Onde EPS ( earnings per share ) é calculado assim:

EPS = (Lucro líquido da empresa) ÷ (Número de ações ordinárias emitidas)

Exemplo prático: se uma ação custa 100 dólares e o lucro por ação é de 5 dólares por ano, então P/E = 100 ÷ 5 = 20. Isso significa que os investidores pagam 20 dólares por cada dólar de lucro anual.

Opções de cálculo: qual escolher

Os analistas utilizam diferentes abordagens para calcular o P/E dependendo do objetivo proposto:

P/E (Trailing) Atual — baseado no lucro real da empresa nos últimos 12 meses. Este é o indicador mais honesto, pois utiliza dados reais já conhecidos pelo mercado.

Previsão (Forward) P/E — baseia-se nas expectativas dos analistas em relação ao lucro nos próximos 12 meses. Um indicador mais otimista, útil para avaliar o crescimento, mas depende da precisão das previsões.

P/E Absoluto — é simplesmente a relação entre o preço atual da ação e o último EPS conhecido. Este é um cálculo básico sem análise adicional.

P/E Relativo — compara o índice de uma empresa específica com a média do setor ou os valores históricos da mesma empresa. Ajuda a determinar se a ação está sobreavaliada em comparação com os pares.

O que significa um P/E alto e baixo: o contexto é tudo

A interpretação do coeficiente nunca deve ser feita no vácuo. Um P/E elevado frequentemente sinaliza que os investidores acreditam no crescimento futuro dos lucros e estão dispostos a pagar um prémio. As empresas em fase de rápida escalabilidade geralmente têm coeficientes elevados, e isso é normal.

Um P/E baixo pode significar duas coisas completamente diferentes: ou a ação está realmente subavaliada, ou a empresa está enfrentando problemas e o mercado reflete isso no preço.

A principal regra: compare sempre empresas dentro do mesmo setor. As empresas de tecnologia tradicionalmente têm P/E mais altos (20-30 e acima) devido ao potencial de crescimento, enquanto serviços públicos e bancos operam com índices de 10-15. Isso não significa que uns são mais baratos e outros mais caros — reflete a diferença nos modelos de negócios.

Aplicação prática: como os investidores utilizam o P/E

Procura de ações subvalorizadas (screening) — O P/E permite filtrar rapidamente empresas cujas ações estão a ser negociadas abaixo da média do setor. Esta é a primeira etapa para identificar potenciais oportunidades.

Acompanhamento de tendências históricas — se anteriormente a empresa era negociada com um P/E de 25, e agora é de 15, isso pode significar uma sobreavaliação no passado, ou problemas atuais. A análise histórica ajuda a entender a evolução da percepção da empresa pelo mercado.

Análise Comparativa — a colocação do P/E da empresa em relação aos padrões da indústria e ao mercado mais amplo mostra se a avaliação atual é justificada ou não.

Limitações: quando o P/E pode falhar

P/E — uma ferramenta poderosa, mas não uma panaceia:

Não funciona com empresas deficitárias — se a empresa está a perder dinheiro, o EPS é negativo e o coeficiente perde sentido.

Não distingue as fontes de crescimento — um P/E elevado pode ser justificado para um gigante do e-commerce, mas o mesmo coeficiente para um fabricante tradicional pode ser um sinal de alerta.

Vulnerável a manipulações nas demonstrações financeiras — algumas empresas podem alterar os princípios de contabilidade para apresentar os lucros de forma mais favorável.

Ignora a carga de crédito — dois coeficientes P/E = 20 podem esconder situações completamente diferentes: uma empresa tem dívidas baixas, a outra — enormes empréstimos.

Por isso, o P/E deve ser analisado juntamente com outros indicadores: a razão de dívida, o fluxo de caixa livre, a margem de lucro e as taxas de crescimento da receita.

Contexto do setor: comparação através da lente do setor

Para uma análise correta, sempre observe as empresas no contexto de seu setor:

Tecnologia: altos P/E ( frequentemente 25-50), pois os investidores esperam um crescimento exponencial. Os custos com P&D são altos, mas se pagam ao longo do tempo.

Serviços públicos: baixo P/E (10-15), rendimentos estáveis e previsíveis, crescimento mínimo, mas dividendos fiáveis.

Saúde: indicadores variáveis (15-25), depende se a empresa trabalha com medicamentos caros (altos P/E) ou se produz genéricos (baixos).

Ao comparar uma startup tecnológica com uma empresa de utilidades com base em um P/E, você chegará a conclusões erradas.

P/E no contexto das criptomoedas: é aplicável aqui

A fórmula clássica P/E funciona para o Bitcoin e outras criptomoedas? Resposta curta: não no sentido tradicional.

Razão: as criptomoedas não são empresas com lucro. O Bitcoin é uma rede, o Ethereum é uma plataforma. Elas não publicam relatórios trimestrais de receitas, não pagam impostos e não têm EPS no sentido clássico.

No entanto, há um desenvolvimento interessante. Em finanças descentralizadas (DeFi), algumas plataformas realmente geram receita através de taxas. Analistas começam a aplicar metodologias semelhantes, avaliando o valor desses protocolos em relação à sua receita anual proveniente de taxas. Esta é uma abordagem experimental, mas mostra tentativas de transferir ferramentas financeiras clássicas para o ecossistema cripto.

Para criptomoedas, utilizam-se métricas completamente diferentes: a relação da capitalização de mercado com o volume de negociação diário, a relação com a atividade na blockchain, a comparação com os máximos históricos.

Resultados: P/E como ponto de partida para a análise

O índice preço/lucro (P/E) é um dos indicadores mais acessíveis e úteis para avaliar a justiça do preço das ações. Ele mostra rapidamente quanto os investidores estão dispostos a pagar pelos lucros da empresa, ajudando a comparar diferentes opções de investimento dentro de um mesmo setor.

Mas lembre-se: o P/E é o começo da análise, e não o seu fim. Sempre complemente com uma análise da dívida, fluxos de caixa, margem de lucro e perspectivas de crescimento. A combinação de várias métricas fornece uma imagem muito mais completa do que depender de um único indicador.

Use o P/E como primeiro filtro para identificar as ações que lhe interessam e, em seguida, aprofunde a análise, estudando os indicadores fundamentais e a dinâmica do setor.

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