Aumento global de fornecimentos de café: o que está a fazer baixar os preços

Os futuros de café sofreram uma queda na sexta-feira à medida que os participantes do mercado digeriam as expectativas de uma produção global recorde. Os contratos de café arábica de março caíram 1,83%, enquanto o café robusta de janeiro recuou 2,00%, com robusta atingindo uma mínima de 2,5 meses. A pressão de venda decorre de uma mudança fundamental na dinâmica de oferta em regiões produtoras importantes.

Previsões de Produção Pintam um Quadro Otimista para os Estoques

A agência de previsão de safra do Brasil, Conab, acabou de levantar suspeitas ao aumentar a estimativa de produção do país para 2025 para 56,54 milhões de sacos — um aumento de 2,4% em relação à projeção de setembro de 55,20 milhões de sacos. Mas isso é apenas parte da história. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou um quadro global ainda mais amplo, projetando que a produção mundial de café em 2025/26 atingirá um recorde de 178,68 milhões de sacos, um aumento de 2,5% em relação ao ano anterior. Dentro desse total, a produção de robusta deve subir 7,9% para 81,658 milhões de sacos, enquanto a de arábica enfrenta uma leve contração de 1,7%, chegando a 97,022 milhões de sacos.

O Vietnã, o maior produtor mundial de robusta, está aumentando significativamente sua produção. As exportações de café do país em novembro saltaram 39% em relação ao ano anterior, atingindo 88.000 toneladas métricas, enquanto as remessas acumuladas de janeiro a novembro subiram 14,8%, chegando a 1,398 milhão de toneladas métricas. Olhando para o futuro, a produção de café verde do Vietnã em 2025/26 deve aumentar 6,9%, atingindo 31 milhões de sacos — um recorde de quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietnã até sugeriu que a produção poderia ficar 10% acima do ano anterior, se o clima colaborar.

Sinais Mistos: Onde Surge Apoio

A tsunami de oferta não é totalmente contestada. O arábica encontrou algum suporte nos dados de exportação de novembro do Brasil: as remessas de café verde caíram 27% em relação ao ano anterior, para 3,3 milhões de sacos, sinalizando uma disponibilidade mais apertada no curto prazo, apesar da maior previsão de safra. Dados meteorológicos também trouxeram algum conforto — Minas Gerais, maior região produtora de arábica do Brasil, recebeu apenas 11 mm de chuva durante a semana encerrada em 5 de dezembro, apenas 17% da média histórica, o que pode estressar as plantas na entrada da temporada de crescimento.

Os níveis de armazenamento contam uma história mais complexa. Os estoques de café arábica na ICE atingiram uma mínima de 1,75 anos, de 398.645 sacos, em 20 de novembro, embora tenham se recuperado para 426.523 sacos na última sexta-feira. Os estoques de robusta na ICE atingiram uma mínima de 11,5 meses, de 4.012 lotes, na quarta-feira, sugerindo uma oferta apertada na bolsa, mesmo com a capacidade de produção global em expansão.

Demanda em Queda

Os compradores de café nos EUA têm sido cautelosos. As compras americanas de café brasileiro de agosto a outubro — período em que as tarifas estavam elevadas — caíram 52% em relação ao ano anterior, para 983.970 sacos. Embora essas tarifas tenham sido posteriormente reduzidas, os estoques de café nos EUA permanecem restritos, limitando o apetite de compra imediato. A demanda internacional também parece moderada: a Organização Internacional do Café informou que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual (Out-Dez) caíram 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos.

Obstáculos Políticos Aumentam a Complexidade

Um obstáculo regulatório adiciona um tom de baixa. O Parlamento Europeu aprovou um adiamento de um ano para o Regulamento de Deforestação da UE (EUDR) em 26 de novembro, permitindo a continuação das importações de café e outras commodities de regiões que enfrentam desmatamento na África, Indonésia e América do Sul. Essa prorrogação abre efetivamente canais de oferta que, de outra forma, poderiam ter enfrentado restrições, potencialmente inundando os mercados da UE com volumes adicionais.

A Conclusão

Os preços do café enfrentam uma pressão estrutural devido a uma expectativa de abundância de oferta tanto de arábica quanto de robusta. Enquanto a escassez no mercado à vista e os desafios climáticos oferecem suporte tático, a trajetória da produção global e o atraso na implementação das regras de combate ao desmatamento aumentam as probabilidades de preços mais baixos no curto a médio prazo. Os traders que monitoram as tendências de preços do café verde devem acompanhar de perto os padrões de precipitação no Brasil e o fluxo de exportação do Vietnã — esses fatores provavelmente determinarão se os níveis de suporte se mantêm ou se dão lugar a uma nova queda.

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