A procura por rendimentos em dólar tem crescido significativamente entre investidores brasileiros. Com a economia interna enfrentando incertezas, juros continuando elevados e o câmbio em permanente flutuação, muitos agora buscam alternativas para diversificar suas fontes de receita e construir um fluxo contínuo de ganhos em moeda estrangeira. Nesse cenário, os ETFs que pagam dividendos mensais emergiram como uma solução prática e acessível para essa demanda.
Esses fundos negociados em bolsa oferecem uma vantagem significativa: permitem receber uma quantia recorrente todos os meses sem necessidade de montar uma carteira complexa de ações internacionais. O investidor brasileiro que deseja estruturar parte dos seus rendimentos em dólar encontra nos ETFs que pagam dividendos mensais um instrumento eficiente para construir patrimônio de forma mais robusta, equilibrada e com exposição global.
O funcionamento dos ETFs de dividendos mensais e a geração de renda passiva em dólar
Os ETFs que pagam dividendos mensais são fundos que reúnem uma seleção de ações ou ativos com histórico comprovado de distribuição de lucros. O principal atrativo é exatamente isso: a distribuição acontece mensalmente, tornando esses instrumentos ideais para quem procura uma renda previsível e recorrente.
Em vez de adquirir múltiplas ações americanas individualmente — o que seria custoso e operacionalmente complexo — o investidor compra cotas de um único ETF e já tem acesso automático a uma carteira diversificada com pagamentos automatizados. Esse rendimento é depositado normalmente em dólares na conta da corretora, podendo ser reinvestido ou convertido conforme os objetivos pessoais.
Esses fundos costumam concentrar-se em empresas com fluxo de caixa robusto, setores resilientes como energia, telecomunicações e imóveis, além de ativos que priorizam a distribuição consistente de proventos, como os REITs (fundos imobiliários americanos). O resultado é uma fonte de receita que permanece gerando mesmo em períodos de volatilidade ou retração do mercado — característica valiosa para quem constrói patrimônio no longo prazo.
Plataformas brasileiras oferecem cada vez mais facilidade para acessar esses ativos. Algumas corretoras disponibilizam acesso direto às bolsas americanas com praticidade crescente, possibilitando que o investidor local diversifique sua carteira com segurança e eficiência.
Seis alternativas de ETFs para construir renda passiva em dólar com dividendos mensais
A seguir, apresentam-se seis dos ETFs que pagam dividendos mensais mais populares entre investidores globais que transformam seus aportes em uma fonte constante de renda em dólar. Cada um possui características particulares de rentabilidade, composição, custos administrativos e perfil de risco, permitindo escolhas mais alinhadas ao planejamento financeiro de longo prazo.
1. Global X SuperDividend ETF (SDIV)
Para quem almeja uma renda passiva em dólar contínua com exposição abrangente no cenário internacional, o SDIV representa uma alternativa interessante. Esse ETF da gestora Global X concentra-se em ações de empresas com altíssimo rendimento por dividendo ao redor do planeta, oferecendo distribuições mensais consistentes há mais de uma década e meia.
Lançado em 2011, o fundo replica o índice Solactive Global SuperDividend Index, que seleciona 100 ações globais com os maiores dividendos e volatilidade controlada. O balanceamento igualitário de cada ação na carteira evita excessiva concentração em negócios ou regiões específicas.
Dados principais (dezembro/2025)
Métrica
Valor
Preço atual
~US$ 24,15
Patrimônio líquido
US$ 1,06 bilhão
Taxa de administração
0,58% ao ano
Rendimento por dividendo (12m)
9,74%
Volume médio diário
≈ 337 mil cotas
Distribuição
Mensal, em dólares
A carteira do SDIV possui predominância de ações dos setores financeiro (aproximadamente 28%), energia, imobiliário com REITs (13%), além de utilidades e consumo discricionário. A diversificação geográfica constitui um dos principais diferenciadores, com presença significativa nos Estados Unidos (25%), Brasil (15%), Hong Kong (12%) e diversos países emergentes.
Aspectos favoráveis
Renda passiva em dólar com distribuições mensais, proporcionando previsibilidade de caixa
Diversificação global ampla, reduzindo dependência de uma única economia
Seleção focada em empresas com alto rendimento por dividendo
Aspectos a considerar
Empresas com dividendos muito altos podem apresentar fundamentos frágeis, expondo a cortes de proventos ou desvalorização das cotas
Exposição significativa a mercados emergentes e setores cíclicos como energia e financeiro
Taxa administrativa elevada comparada a ETFs passivos convencionais
2. Global X SuperDividend U.S. ETF (DIV)
O DIV representa um dos principais ETFs americanos para quem busca renda passiva em dólar com distribuições mensais de dividendos, dedicando-se exclusivamente a papéis dos Estados Unidos. A proposta estratégica permite equilibrar rendimento elevado com volatilidade reduzida, apropriado para quem deseja estabilidade sem comprometer o fluxo de caixa.
O fundo replica o índice Indxx SuperDividend U.S. Low Volatility, que identifica 50 ações americanas com os maiores rendimentos por dividendo, desde que apresentem baixa volatilidade histórica em comparação ao S&P 500. Essa combinação busca assegurar uma receita estável mesmo em contextos turbulentos, privilegiando setores defensivos.
Dados principais (dezembro/2025)
Métrica
Valor
Preço atual
~US$ 17,79
Patrimônio líquido
US$ 624 milhões
Taxa de administração
0,45% ao ano
Rendimento por dividendo (12m)
7,30%
Volume médio diário
Cerca de 240 mil cotas
Distribuição
Mensal, em dólares
A carteira do DIV é notavelmente defensiva, com forte presença em serviços públicos (utilities, ~21%), imobiliário (REITs, ~19%), energia (~19%), consumo básico (~10%), comunicações e saúde. Esse perfil resulta em baixa exposição a setores de alta volatilidade como tecnologia ou varejo de crescimento acelerado.
Pontos positivos
Distribuições mensais em dólar com rendimento consistente acima de 7% ao ano
Exposição a setores tradicionalmente resilientes em períodos de crise
Seleção com ênfase em baixa volatilidade, suavizando perdas em ciclos negativos
Pontos de risco
Concentração setorial elevada, afetando performance em momentos desfavoráveis
Limitação a apenas 50 ações americanas pode perder oportunidades de crescimento
Risco de “armadilhas de dividendos”, quando empresas com altos rendimentos sofrem deterioração financeira
3. Invesco S&P 500 High Dividend Low Volatility ETF (SPHD)
Para quem procura renda passiva em dólar associada a uma carteira mais estável, o SPHD oferece uma proposta interessante. Esse ETF combina ações do S&P 500 que distribuem altos dividendos com baixa volatilidade histórica, proporcionando equilíbrio entre geração de receita e proteção contra oscilações abruptas.
Criado em outubro de 2012, o fundo replica o índice S&P 500 Low Volatility High Dividend Index, selecionando 50 empresas do S&P 500 com os maiores rendimentos por dividendo e menores flutuações de preço. A metodologia limita a exposição setorial a 25% máximo, promovendo diversificação equilibrada.
Dados principais (novembro/2025)
Métrica
Valor
Preço atual
~US$ 48,65
Patrimônio líquido
US$ 3,08 bilhões
Taxa de administração
0,30% ao ano
Rendimento por dividendo (12m)
~3,4% ao ano
Volume médio diário
~700 mil cotas
Distribuição
Mensal, em dólares
A composição do SPHD concentra-se em setores tradicionalmente defensivos: imobiliário (REITs, ~23%), consumo básico (~20%), utilities (~20%), com representação também em saúde e telecomunicações, enquanto setores de alto crescimento como tecnologia são pouco presentes.
O fundo adota metodologia de smart beta, reavalizada semestralmente (janeiro e julho) para manter equilíbrio entre dividendos elevados e baixa volatilidade. Nomes frequentes incluem Pfizer, Verizon, Altria e Consolidated Edison, companhias maduras com fluxo de caixa previsível.
Vantagens
Equilíbrio entre estabilidade e receita passiva em dólar, com distribuições mensais
Exposição a blue chips defensivas consolidadas e com histórico sólido de dividendos
Rebalanceamento semestral mantém carteira atualizada e evita concentração
Limitações
Rendimento moderado (~3,4%) inferior a ETFs focados exclusivamente em high yield
Ausência de ações de crescimento reduz potencial de valorização
Concentração setorial: metade do fundo em três setores pode representar risco
4. iShares Preferred and Income Securities ETF (PFF)
Entre os ETFs que proporcionam renda passiva em dólar com distribuições mensais, o PFF destaca-se por investir numa classe específica: ações preferenciais. Lançado em 2007 pela iShares (BlackRock), tornou-se referência para quem busca pagamentos estáveis e regulares com perfil mais defensivo que fundos de ações ordinárias.
As ações preferenciais ocupam posição intermediária entre ações e títulos de dívida: oferecem proventos fixos regulares normalmente distribuídos mensalmente, com menor volatilidade que ações comuns, embora sensíveis a mudanças nas taxas de juros.
Dados principais (novembro/2025)
Métrica
Valor
Preço atual
~US$ 30,95
Patrimônio líquido
US$ 14,11 bilhões
Taxa de administração
0,45% ao ano
Rendimento por dividendo (12m)
~6,55% ao ano
Volume médio diário
~3,5 milhões de cotas
Distribuição
Mensal, em dólares
O PFF replica o índice ICE Exchange-Listed Preferred & Hybrid Securities Index, reunindo mais de 450 ativos — predominantemente ações preferenciais emitidas por grandes instituições financeiras americanas. Os setores mais representativos incluem financeiro (bancos e seguradoras, +60%), utilidades públicas, energia e telecomunicações. A forte presença de JPMorgan, Bank of America e Wells Fargo reflete a frequência dessas instituições em emitir ações preferenciais para captação de capital eficiente.
A estratégia é passiva com reequilíbrio periódico e ampla diversificação. Os dividendos são repassados mensalmente com relativa estabilidade no fluxo de rendimentos.
Benefícios
Renda mensal estável com yield acima de 6% ao ano
Menor oscilação de preço que ações ordinárias, especialmente em incertezas
Alta diversificação: mais de 400 emissões diluem risco individual
Desvantagens
Sensível à variação de taxas de juros: proventos fixos reduzem valor de mercado quando juros americanos sobem
Baixo potencial de valorização: foco em renda passiva em dólar, não em crescimento de capital
Concentração no setor financeiro pode impactar carteira em crises bancárias
5. Global X NASDAQ-100 Covered Call ETF (QYLD)
Para quem procura renda passiva em dólar com regularidade mensal e retorno acima da média, o QYLD sobressai como das opções mais negociadas do mercado. Este ETF implementa estratégia baseada na venda coberta de opções sobre o Nasdaq-100, proporcionando distribuições mensais elevadas em troca de limitar o potencial de valorização.
Dados principais (dezembro/2025)
Métrica
Valor
Preço atual
US$ 17,47
Patrimônio líquido
US$ 8,09 bilhões
Taxa de administração
0,60% ao ano
Rendimento por dividendo (12m)
13,17% ao ano
Volume médio diário
~7 milhões de cotas
Distribuição
Mensal, em dólares
O QYLD segue o Cboe Nasdaq-100 BuyWrite Index (BXNT), executando mensalmente estratégia de “covered call”: compra todas as ações do Nasdaq-100 e simultaneamente vende opções de compra sobre o próprio índice. Esses prêmios mensais são distribuídos integralmente aos cotistas, transformando volatilidade do mercado em fluxo de caixa contínuo.
Por replicar o Nasdaq-100, o QYLD possui predominância em tecnologia da informação (~56%), comunicações (~15%) e consumo discricionário (~13%). Principais posições incluem Apple, Microsoft, NVIDIA, Amazon e Meta, líderes altamente líquidas.
Atratividades
Alto rendimento mensal em dólar: dividend yield acima de 13% nos últimos 12 meses
Gestão automática de estratégia complexa, poupando investidor de operar derivativos
Menor volatilidade em mercados laterais ou de queda: prêmios ajudam a proteger capital
Ressalvas
Ganho de capital limitado: em períodos de forte valorização do Nasdaq-100, não captura a alta total
Rendimento variável com volatilidade: prêmios reduzem em momentos de calmaria
Possível erosão de capital no longo prazo ao trocar valorização por renda
6. JPMorgan Equity Premium Income ETF (JEPI)
Entre os ETFs mais populares para renda passiva em dólar com dividendos mensais, o JEPI destaca-se como alternativa de alta rentabilidade e menor risco. Lançado em 2020 pela JPMorgan, atraiu bilhões em poucos anos pela proposta inovadora de combinar ações de qualidade com derivativos que geram receita contínua.
Dados principais (outubro/2025)
Métrica
Valor
Preço atual
~US$ 57,46
Patrimônio líquido
US$ 40 bilhões
Taxa de administração
0,35% ao ano
Rendimento por dividendo (12m)
~8,4% ao ano
Volume médio diário
~5 milhões de cotas
Distribuição
Mensal, em dólares
O JEPI combina duas estratégias principais para gerar receita com menor volatilidade: seleção ativa de ações do S&P 500 (aproximadamente 100 a 150 papéis de valor e baixa volatilidade, priorizando setores defensivos como Saúde, Consumo Básico e Industrial) e uso de instrumentos estruturados que replicam venda de opções sobre o S&P 500, gerando prêmios distribuídos mensalmente aos cotistas.
Diferente de ETFs concentrados em tecnologia, o JEPI privilegia setores menos voláteis. Principais posições incluem Coca-Cola, AbbVie, UPS, PepsiCo e Progressive, contribuindo para performance mais estável.
Pontos positivos
Renda elevada com menor risco: yield aproximadamente 8% ao ano ideal para renda passiva em dólar com volatilidade reduzida
Alta liquidez e robustez: mais de US$ 40 bilhões sob gestão, maior ETF ativo de dividendos do mundo
Possível vantagem tributária: parte dos rendimentos classificada como ganho de capital de longo prazo
Pontos negativos
Participação limitada em altas fortes: sacrifica ganho potencial em mercados altistas
Gestão ativa complexa: risco de performance inferior caso seleção de ativos falhe
Taxa de administração ligeiramente superior a ETFs passivos tradicionais
Como investidores brasileiros podem acessar ETFs que pagam dividendos mensais
Para quem deseja receber renda passiva em dólar, investir em ETFs americanos que pagam dividendos mensais é uma das formas mais diretas e acessíveis. Felizmente, mesmo residente no Brasil, é possível aplicar nesse tipo de ativo com passos simples, seja abrindo conta internacional ou utilizando alternativas locais como BDRs.
Abrindo conta em corretoras internacionais
A forma mais direta consiste em abrir conta em corretoras internacionais que permitem acesso às bolsas dos EUA (NYSE e Nasdaq). Opções populares entre brasileiros incluem Passfolio, Nomad, Interactive Brokers, Stake, Avenue, Inter Securities (Banco Inter) e BTG Pactual.
Essas plataformas possibilitam ao investidor abrir conta em dólar, enviar recursos via transferência internacional, e comprar ETFs americanos diretamente. Os dividendos são distribuídos em dólar todos os meses automaticamente, podendo ser reinvestidos.
A vantagem é receber dividendos líquidos em moeda forte, favorecendo quem deseja diversificar receitas, proteger patrimônio e construir renda passiva em dólar dolarizada no longo prazo.
Investindo via BDRs na B3
Outra alternativa contempla BDRs de ETFs (Brazilian Depositary Receipts), certificados representando ativos estrangeiros. Embora a maioria ainda refira-se a ações individuais, existem algumas opções de ETFs disponíveis como IVVB11 (replicando o S&P 500) ou BDRs de ETFs de tecnologia e ouro.
O desafio atual é a ausência de BDRs especializados em ETFs que pagam dividendos mensais como os fundos listados nos EUA. Além disso, dividendos via BDRs sofrem maior tributação e demora. Para quem foca em renda passiva em dólar, essa via pode não ser a mais eficiente.
Considerações finais
Os ETFs que pagam dividendos mensais representam uma ferramenta poderosa para construir renda passiva em dólar. Cada opção apresentada possui características distintas de risco, rendimento e composição, permitindo o investidor brasileiro escolher conforme seu perfil e objetivos financeiros. A diversificação entre diferentes ETFs, plataformas e estratégias pode potencializar resultados no longo prazo, desde que alinhada a um plano claro e disciplina de investimento contínuo.
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
Renda passiva em dólar: Conheça 6 ETFs com pagamentos de dividendos mensais
A procura por rendimentos em dólar tem crescido significativamente entre investidores brasileiros. Com a economia interna enfrentando incertezas, juros continuando elevados e o câmbio em permanente flutuação, muitos agora buscam alternativas para diversificar suas fontes de receita e construir um fluxo contínuo de ganhos em moeda estrangeira. Nesse cenário, os ETFs que pagam dividendos mensais emergiram como uma solução prática e acessível para essa demanda.
Esses fundos negociados em bolsa oferecem uma vantagem significativa: permitem receber uma quantia recorrente todos os meses sem necessidade de montar uma carteira complexa de ações internacionais. O investidor brasileiro que deseja estruturar parte dos seus rendimentos em dólar encontra nos ETFs que pagam dividendos mensais um instrumento eficiente para construir patrimônio de forma mais robusta, equilibrada e com exposição global.
O funcionamento dos ETFs de dividendos mensais e a geração de renda passiva em dólar
Os ETFs que pagam dividendos mensais são fundos que reúnem uma seleção de ações ou ativos com histórico comprovado de distribuição de lucros. O principal atrativo é exatamente isso: a distribuição acontece mensalmente, tornando esses instrumentos ideais para quem procura uma renda previsível e recorrente.
Em vez de adquirir múltiplas ações americanas individualmente — o que seria custoso e operacionalmente complexo — o investidor compra cotas de um único ETF e já tem acesso automático a uma carteira diversificada com pagamentos automatizados. Esse rendimento é depositado normalmente em dólares na conta da corretora, podendo ser reinvestido ou convertido conforme os objetivos pessoais.
Esses fundos costumam concentrar-se em empresas com fluxo de caixa robusto, setores resilientes como energia, telecomunicações e imóveis, além de ativos que priorizam a distribuição consistente de proventos, como os REITs (fundos imobiliários americanos). O resultado é uma fonte de receita que permanece gerando mesmo em períodos de volatilidade ou retração do mercado — característica valiosa para quem constrói patrimônio no longo prazo.
Plataformas brasileiras oferecem cada vez mais facilidade para acessar esses ativos. Algumas corretoras disponibilizam acesso direto às bolsas americanas com praticidade crescente, possibilitando que o investidor local diversifique sua carteira com segurança e eficiência.
Seis alternativas de ETFs para construir renda passiva em dólar com dividendos mensais
A seguir, apresentam-se seis dos ETFs que pagam dividendos mensais mais populares entre investidores globais que transformam seus aportes em uma fonte constante de renda em dólar. Cada um possui características particulares de rentabilidade, composição, custos administrativos e perfil de risco, permitindo escolhas mais alinhadas ao planejamento financeiro de longo prazo.
1. Global X SuperDividend ETF (SDIV)
Para quem almeja uma renda passiva em dólar contínua com exposição abrangente no cenário internacional, o SDIV representa uma alternativa interessante. Esse ETF da gestora Global X concentra-se em ações de empresas com altíssimo rendimento por dividendo ao redor do planeta, oferecendo distribuições mensais consistentes há mais de uma década e meia.
Lançado em 2011, o fundo replica o índice Solactive Global SuperDividend Index, que seleciona 100 ações globais com os maiores dividendos e volatilidade controlada. O balanceamento igualitário de cada ação na carteira evita excessiva concentração em negócios ou regiões específicas.
Dados principais (dezembro/2025)
A carteira do SDIV possui predominância de ações dos setores financeiro (aproximadamente 28%), energia, imobiliário com REITs (13%), além de utilidades e consumo discricionário. A diversificação geográfica constitui um dos principais diferenciadores, com presença significativa nos Estados Unidos (25%), Brasil (15%), Hong Kong (12%) e diversos países emergentes.
Aspectos favoráveis
Aspectos a considerar
2. Global X SuperDividend U.S. ETF (DIV)
O DIV representa um dos principais ETFs americanos para quem busca renda passiva em dólar com distribuições mensais de dividendos, dedicando-se exclusivamente a papéis dos Estados Unidos. A proposta estratégica permite equilibrar rendimento elevado com volatilidade reduzida, apropriado para quem deseja estabilidade sem comprometer o fluxo de caixa.
O fundo replica o índice Indxx SuperDividend U.S. Low Volatility, que identifica 50 ações americanas com os maiores rendimentos por dividendo, desde que apresentem baixa volatilidade histórica em comparação ao S&P 500. Essa combinação busca assegurar uma receita estável mesmo em contextos turbulentos, privilegiando setores defensivos.
Dados principais (dezembro/2025)
A carteira do DIV é notavelmente defensiva, com forte presença em serviços públicos (utilities, ~21%), imobiliário (REITs, ~19%), energia (~19%), consumo básico (~10%), comunicações e saúde. Esse perfil resulta em baixa exposição a setores de alta volatilidade como tecnologia ou varejo de crescimento acelerado.
Pontos positivos
Pontos de risco
3. Invesco S&P 500 High Dividend Low Volatility ETF (SPHD)
Para quem procura renda passiva em dólar associada a uma carteira mais estável, o SPHD oferece uma proposta interessante. Esse ETF combina ações do S&P 500 que distribuem altos dividendos com baixa volatilidade histórica, proporcionando equilíbrio entre geração de receita e proteção contra oscilações abruptas.
Criado em outubro de 2012, o fundo replica o índice S&P 500 Low Volatility High Dividend Index, selecionando 50 empresas do S&P 500 com os maiores rendimentos por dividendo e menores flutuações de preço. A metodologia limita a exposição setorial a 25% máximo, promovendo diversificação equilibrada.
Dados principais (novembro/2025)
A composição do SPHD concentra-se em setores tradicionalmente defensivos: imobiliário (REITs, ~23%), consumo básico (~20%), utilities (~20%), com representação também em saúde e telecomunicações, enquanto setores de alto crescimento como tecnologia são pouco presentes.
O fundo adota metodologia de smart beta, reavalizada semestralmente (janeiro e julho) para manter equilíbrio entre dividendos elevados e baixa volatilidade. Nomes frequentes incluem Pfizer, Verizon, Altria e Consolidated Edison, companhias maduras com fluxo de caixa previsível.
Vantagens
Limitações
4. iShares Preferred and Income Securities ETF (PFF)
Entre os ETFs que proporcionam renda passiva em dólar com distribuições mensais, o PFF destaca-se por investir numa classe específica: ações preferenciais. Lançado em 2007 pela iShares (BlackRock), tornou-se referência para quem busca pagamentos estáveis e regulares com perfil mais defensivo que fundos de ações ordinárias.
As ações preferenciais ocupam posição intermediária entre ações e títulos de dívida: oferecem proventos fixos regulares normalmente distribuídos mensalmente, com menor volatilidade que ações comuns, embora sensíveis a mudanças nas taxas de juros.
Dados principais (novembro/2025)
O PFF replica o índice ICE Exchange-Listed Preferred & Hybrid Securities Index, reunindo mais de 450 ativos — predominantemente ações preferenciais emitidas por grandes instituições financeiras americanas. Os setores mais representativos incluem financeiro (bancos e seguradoras, +60%), utilidades públicas, energia e telecomunicações. A forte presença de JPMorgan, Bank of America e Wells Fargo reflete a frequência dessas instituições em emitir ações preferenciais para captação de capital eficiente.
A estratégia é passiva com reequilíbrio periódico e ampla diversificação. Os dividendos são repassados mensalmente com relativa estabilidade no fluxo de rendimentos.
Benefícios
Desvantagens
5. Global X NASDAQ-100 Covered Call ETF (QYLD)
Para quem procura renda passiva em dólar com regularidade mensal e retorno acima da média, o QYLD sobressai como das opções mais negociadas do mercado. Este ETF implementa estratégia baseada na venda coberta de opções sobre o Nasdaq-100, proporcionando distribuições mensais elevadas em troca de limitar o potencial de valorização.
Dados principais (dezembro/2025)
O QYLD segue o Cboe Nasdaq-100 BuyWrite Index (BXNT), executando mensalmente estratégia de “covered call”: compra todas as ações do Nasdaq-100 e simultaneamente vende opções de compra sobre o próprio índice. Esses prêmios mensais são distribuídos integralmente aos cotistas, transformando volatilidade do mercado em fluxo de caixa contínuo.
Por replicar o Nasdaq-100, o QYLD possui predominância em tecnologia da informação (~56%), comunicações (~15%) e consumo discricionário (~13%). Principais posições incluem Apple, Microsoft, NVIDIA, Amazon e Meta, líderes altamente líquidas.
Atratividades
Ressalvas
6. JPMorgan Equity Premium Income ETF (JEPI)
Entre os ETFs mais populares para renda passiva em dólar com dividendos mensais, o JEPI destaca-se como alternativa de alta rentabilidade e menor risco. Lançado em 2020 pela JPMorgan, atraiu bilhões em poucos anos pela proposta inovadora de combinar ações de qualidade com derivativos que geram receita contínua.
Dados principais (outubro/2025)
O JEPI combina duas estratégias principais para gerar receita com menor volatilidade: seleção ativa de ações do S&P 500 (aproximadamente 100 a 150 papéis de valor e baixa volatilidade, priorizando setores defensivos como Saúde, Consumo Básico e Industrial) e uso de instrumentos estruturados que replicam venda de opções sobre o S&P 500, gerando prêmios distribuídos mensalmente aos cotistas.
Diferente de ETFs concentrados em tecnologia, o JEPI privilegia setores menos voláteis. Principais posições incluem Coca-Cola, AbbVie, UPS, PepsiCo e Progressive, contribuindo para performance mais estável.
Pontos positivos
Pontos negativos
Como investidores brasileiros podem acessar ETFs que pagam dividendos mensais
Para quem deseja receber renda passiva em dólar, investir em ETFs americanos que pagam dividendos mensais é uma das formas mais diretas e acessíveis. Felizmente, mesmo residente no Brasil, é possível aplicar nesse tipo de ativo com passos simples, seja abrindo conta internacional ou utilizando alternativas locais como BDRs.
Abrindo conta em corretoras internacionais
A forma mais direta consiste em abrir conta em corretoras internacionais que permitem acesso às bolsas dos EUA (NYSE e Nasdaq). Opções populares entre brasileiros incluem Passfolio, Nomad, Interactive Brokers, Stake, Avenue, Inter Securities (Banco Inter) e BTG Pactual.
Essas plataformas possibilitam ao investidor abrir conta em dólar, enviar recursos via transferência internacional, e comprar ETFs americanos diretamente. Os dividendos são distribuídos em dólar todos os meses automaticamente, podendo ser reinvestidos.
A vantagem é receber dividendos líquidos em moeda forte, favorecendo quem deseja diversificar receitas, proteger patrimônio e construir renda passiva em dólar dolarizada no longo prazo.
Investindo via BDRs na B3
Outra alternativa contempla BDRs de ETFs (Brazilian Depositary Receipts), certificados representando ativos estrangeiros. Embora a maioria ainda refira-se a ações individuais, existem algumas opções de ETFs disponíveis como IVVB11 (replicando o S&P 500) ou BDRs de ETFs de tecnologia e ouro.
O desafio atual é a ausência de BDRs especializados em ETFs que pagam dividendos mensais como os fundos listados nos EUA. Além disso, dividendos via BDRs sofrem maior tributação e demora. Para quem foca em renda passiva em dólar, essa via pode não ser a mais eficiente.
Considerações finais
Os ETFs que pagam dividendos mensais representam uma ferramenta poderosa para construir renda passiva em dólar. Cada opção apresentada possui características distintas de risco, rendimento e composição, permitindo o investidor brasileiro escolher conforme seu perfil e objetivos financeiros. A diversificação entre diferentes ETFs, plataformas e estratégias pode potencializar resultados no longo prazo, desde que alinhada a um plano claro e disciplina de investimento contínuo.