A Pressão dos US$ 250 Milhões: Por que o Bitcoin Segue Travado na Zona de Resistência

O Bitcoin iniciou esta semana em posição defensiva, oscilando em torno dos US$ 92,54K com queda de 1,18% nas últimas 24 horas, mantendo-se distante da barreira psicológica dos US$ 90 mil que há semanas funciona como um muro invisível. Investidores institucionais acumulam posições vendidas que, quando combinadas com Ether e Solana, chegam a impressionantes US$ 250 milhões, sinalizando cautela diante do cenário macroeconômico. A julgar pela sequência de rejeições e pelo aperto de liquidez, estamos diante de um mercado em compressão tática.

O Quadro Técnico: Rejeição e Volatilidade sem Direção

A incapacidade de romper a zona dos US$ 90 mil não é mera coincidência. Grandes volumes de venda estão posicionados exatamente nesse nível, criando uma barreira que repele tentativas de avanço. Ao mesmo tempo, o Bitcoin não conseguiu acompanhar o rali do ouro, que se aproxima dos US$ 4.500 por onça em máximas históricas. Essa divergência entre os dois ativos aponta para uma possível perda relativa do criptoativo em relação aos metais preciosos.

No gráfico de quatro horas, as médias móveis simples e exponenciais de 200 períodos continuam rejeitando o preço repetidamente. Enquanto o Bitcoin permanecer abaixo desses níveis, a estrutura de alta consistente segue comprometida. A análise de especialistas sugere que cada tentativa de rompimento vem acompanhada de cascata de vendas, evidenciando o comportamento protecionista de participantes que buscam assegurar lucros antes do encerramento do ano.

A profundidade reduzida dos livros de ordem amplifica até mesmo operações de tamanho moderado, criando picos de volatilidade abruptos. Com a aproximação das festas de fim de ano, muitos operadores retiraram capital do mercado para preservar ganhos, intensificando a escassez de liquidez e tornando movimentos mais imprevisíveis.

Sinais Divergentes no Momentum: Uma Pista para Reversão?

Apesar da fraqueza visível no preço, certos indicadores técnicos começam a piscar sinais construtivos. O Índice de Força Relativa (RSI) no gráfico de três dias registra mínimas progressivamente mais altas, enquanto o preço forma mínimas mais baixas — uma divergência altista clássica que em ciclos anteriores antecedeu movimentos significativos de recuperação.

O MACD também apresenta enfraquecimento da pressão bearish, sugerindo que a intensidade das vendas está perdendo força, mesmo que o preço ainda não tenha respondido com força. Essa desconexão entre o sinal técnico e a ação do preço frequentemente indica mudança de regime iminente. Porém, analistas alertam que divergências só se concretizam em movimento real quando recebem confirmação adicional — seja por volume, por catalisador externo ou por mudança no apetite ao risco.

O Efeito Cascata: Posições Institucionais e Estratégia de Hedge

Os US$ 250 milhões em posições vendidas abertas por grandes investidores não devem ser interpretados como aposta direcional agressiva contra o mercado. Trata-se, na verdade, de operação defensiva de proteção patrimonial. Num ambiente de liquidez deprimida, porém, o impacto dessas posições fica amplificado: qualquer movimento abrupto pode gerar liquidações em cascata que alimentam volatilidade ainda maior.

Essa dinâmica reforça o travamento atual. Compradores relutam em aumentar exposição diante do risco de correção adicional, enquanto vendedores mantêm ordens firmes nos níveis superiores. O resultado é um mercado preso numa faixa lateral estreita, testando suportes inferiores em busca de absorção de oferta que não chega.

A Crise Silenciosa dos Mineradores: Capitulação em Xinjiang

No plano fundamental, a rede Bitcoin passa por momento de compressão para os mineradores. A taxa de hash sofreu queda de 4% — a mais acentuada desde o primeiro semestre de 2024 — enquanto o preço recuou 9% no mês. O cenário ficou ainda mais desafiador com o desligamento de aproximadamente 400 mil máquinas mineradoras na província chinesa de Xinjiang, removendo cerca de 1,3 GW de capacidade em apenas 24 horas.

A razão? Realocação de energia para centros de dados de inteligência artificial, setor que oferece margens operacionais superiores à mineração de criptomoedas. Essa migração forçada de recursos pode resultar em perda permanente de até 10% da taxa de hash global, consolidando a mineração nas mãos de operadores com acesso a energia mais barata e infraestrutura mais robusta.

Paralelamente, a volatilidade realizada de 30 dias ultrapassou 45%, nível não visto desde abril de 2025. Essa combinação de oscilação extrema e compressão de receita força mineradores com menor eficiência operacional a desligarem equipamentos para evitar prejuízos estruturais. O processo, embora doloroso no curto prazo, reduz a pressão de venda estrutural ao eliminar agentes marginais que precisam liquidar ativos para cobrir custos.

Compressão de Custos e a Barreira Técnica da Rentabilidade

Para o modelo Bitmain S19 XP, referência da indústria, o ponto de equilíbrio de eletricidade caiu de US$ 0,12 para US$ 0,077 por kWh em um ano — compressão de 36%. Operações que não acompanham essa redução de custos enfrentam viabilidade crescentemente questionável.

Apesar dos desafios imediatos, pelo menos 13 países já participam da mineração com algum nível de apoio estatal, buscando soberania energética ou monetária. Essa diversificação geográfica oferece certa resiliência ao ecossistema.

O Precedente Histórico: Capitulação Precede Recuperação

A história do Bitcoin oferece perspectiva importante: em 65% dos casos históricos, quedas na taxa de hash foram seguidas por retornos positivos dentro de 90 dias. Em períodos de contração de hash com janela de 90 dias, o retorno médio em seis meses atingiu 72%.

Esses números sugerem que o atual processo de capitulação entre mineradores, por mais doloroso que pareça, costuma coincidir com a exaustão da pressão vendedora e com o estabelecimento de novas bases técnicas para movimentos superiores. O travamento de alta nos US$ 90 mil pode estar marcando justamente esse ponto de transição, onde a fraqueza estrutural prepara o terreno para recuperação.

Enquanto aguardamos entrada mais consistente de capital comprador, a chave segue sendo o rompimento com volume expressivo da resistência dinâmica das médias móveis de 200 períodos. Até lá, o Bitcoin permanece confinado em sua faixa lateral, testando limiares inferiores em busca de demanda que absorva a oferta acumulada.

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