Se você está pensando em começar a investir em ações, provavelmente já se deparou com siglas como ON, PN e UNIT. Mas o que realmente diferencia esses papéis? E qual deles se adequa melhor ao seu estilo de investidor? Este guia descomplicado irá responder essas perguntas e ajudá-lo a navegar com mais segurança pelo mercado acionário brasileiro.
Fundamentos: O que são ações e por que investir?
Quando você compra uma ação, você não está simplesmente adquirindo um papel digital. Está se tornando proprietário de uma fração real de uma empresa. Imagine dividir uma pizza em mil fatias – cada ação representa uma dessas fatias, e você passa a ter direitos e responsabilidades proporcionais àquilo que possui.
As empresas oferecem ações ao público por uma razão prática: precisam de dinheiro. Seja para expandir fábricas, financiar pesquisas ou simplesmente cobrir custos operacionais, as ações são um instrumento poderoso para levantar capital. Para você, investidor, as ações representam a oportunidade de participar dos lucros gerados por essas operações.
Os direitos que você ganha como acionista:
Diferentemente de quem empresta dinheiro para uma empresa (como em títulos de renda fixa), o acionista possui direitos especiais. O mais importante é o direito de voto em decisões estratégicas. Além disso, você tem direito a dividendos – basicamente, uma parte dos lucros que a empresa distribui aos seus proprietários. Há também a possibilidade de subscrição de novas ações e bonificações, mecanismos que permitem aumentar sua participação sem investimento adicional.
O lado do risco:
Aqui está o ponto crítico: ações são investimentos de renda variável. Seus retornos não são garantidos. Uma empresa pode prosperar e suas ações dispararem em valor, ou pode enfrentar dificuldades e você perder parte do investimento. É exatamente por isso que diversificar é fundamental e que entender os tipos de ações disponíveis importa tanto.
A Escolha do Investidor: Começar com Ações Ordinárias ou Preferenciais?
Esta é a pergunta que todo iniciante faz. A resposta depende do seu perfil e objetivos.
Ações Ordinárias: Para Quem Quer Ter Voz
As ações ordinárias (ON) são identificadas nos códigos de negociação pelo número “3” ao final do ticker. PETR3 (Petrobras), VALE3 (Vale) e ITUB3 (Itaú Unibanco) são exemplos clássicos.
O grande diferencial das ordinárias é o poder de decisão. Possuir ações ordinárias significa que você pode votar em assembleias gerais da empresa. Quanto mais ações você tiver, maior seu poder de influência. Isso é crucial em momentos em que decisões importantes são tomadas – mudanças na diretoria, aprovação de investimentos maiores, alterações estatutárias.
Além disso, como qualquer acionista, você tem direito a dividendos, subscrição em novas emissões e pode receber bonificações quando a empresa decide distribuir ações adicionais.
O trade-off das ordinárias:
Nem tudo são vantagens. Ações ordinárias geralmente têm menos liquidez que suas contrapartes preferenciais. Isso significa que pode ser mais difícil vender rapidamente suas ações se precisar de dinheiro rápido. Além disso, em caso de falência da empresa, acionistas ordinários têm menor prioridade no recebimento do que sobrou de patrimônio.
Ações Preferenciais: Para Quem Prefere Dividendos
Identificadas pelo número “4” ou “5” no final do ticker (PETR4 para Petrobras, SANB4 para Santander, GGBR4 para Gerdau), as ações preferenciais (PN) foram criadas pensando em investidores que desejam retornos mais previsíveis.
O nome “preferencial” revela o segredo: você tem prioridade no recebimento de dividendos. Em muitos casos, o estatuto da empresa fixa um percentual mínimo ou até um valor pré-determinado que será distribuído aos detentores de PN. O Banco Santander Brasil, por exemplo, historicamente distribui 10% a mais de dividendos para suas PN comparado às suas ON.
Você também tem preferência em caso de liquidação da empresa – se a companhia quebra, seu dinheiro retorna primeiro.
A ressalva: menos poder de decisão
O preço dessa segurança é a falta de direito de voto. Como detentor de ações preferenciais, você não participa de assembleias nem influencia decisões estratégicas. Para a maioria dos pequenos investidores, isso é irrelevante. Mas se você deseja ter alguma voz na gestão da empresa, PN pode parecer limitada.
Liquidez superior:
Uma vantagem prática: ações preferenciais costumam ser mais negociadas, tornando mais fácil comprar ou vender rapidamente. Empresas como Bradesco (BBDC4) e Klabin (KLBN4) têm PN altamente líquidas.
Units: A Solução para Quem Quer o Melhor dos Dois Mundos
Imagine ter em uma única operação os direitos de voto de uma ordinária e a preferência de dividendos de uma preferencial. Isso é essencialmente o que uma Unit oferece.
Units são pacotes estruturados que combinam diferentes classes de ações emitidas pela mesma empresa. Uma Unit típica pode consistir em 1 ação ordinária + 4 ações preferenciais, empacotadas como um único ativo negociável. Exemplos práticos incluem Santander (SANB11), Klabin (KLBN11) e Sanepar (SAPR11).
Vantagens práticas:
A primeira vantagem é a conveniência. Em vez de fazer duas operações diferentes (comprar uma ON e depois uma PN), você faz uma só e adquire ambas. Para investidores que desejam diversificar sua exposição, isso economiza tempo e às vezes reduz custos.
A liquidez geralmente é superior, especialmente em empresas onde as ações individuais não são muito negociadas. E você consegue exposição balanceada: participa de votações mas também tem proteção no recebimento de dividendos.
Desvantagens e limitações:
A grande limitação é a inflexibilidade. A empresa decide a proporção de ON e PN dentro da Unit. Você não pode dizer “quero 2 ON e 2 PN” – aceita o pacote como está estruturado. Além disso, se em algum momento você desejar desmontar a Unit em seus componentes individuais (conversão), podem haver custos envolvidos.
Tag Along: O Mecanismo que Protege Seus Investimentos
Aqui está algo que muitos investidores iniciantes não conhecem, mas deveria estar no radar de qualquer um: o Tag Along.
Imagine este cenário: você é acionista minoritário de uma empresa. De repente, um grande fundo de investimento se aproxima dos acionistas controladores (aqueles que têm a maioria) oferecendo um preço para comprar toda a participação deles. A pergunta é: você quer ficar preso à empresa agora sob nova gestão, ou quer sair também?
O Tag Along é seu escudo. Ele garante que, se há uma venda de controle, você tem o direito de “acompanhar” a transação sob os mesmos termos – ou seja, pelo mesmo preço que foi oferecido aos controladores.
Nem todas as ações oferecem Tag Along com a mesma proteção. Por exemplo, Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (TRPL3) fornece apenas 80% de Tag Along para ações ON e 0% para PN. Isso significa que detentores de PN não têm nenhuma proteção em caso de venda de controle – uma desvantagem significativa.
Sempre verifique as cláusulas de Tag Along antes de investir somas significativas.
Comparação Prática: Qual Escolher Segundo Seu Perfil?
Você quer influência na empresa? Escolha Ações Ordinárias (ON). Ideal para investidores que buscam poder de decisão e têm horizonte de longo prazo.
Você prioriza renda periódica e segurança? Vá com Ações Preferenciais (PN). Perfeito para quem deseja dividendos mais previsíveis e maior liquidez para sair rápido se necessário.
Você quer simplicidade com balanceamento? Units são sua resposta. Combine-as com uma estratégia bem pensada e você tem exposição diversificada em uma só transação.
Reflexão Final: Educação é Seu Melhor Investimento
Ações, em suas diferentes formas, representam uma das ferramentas mais poderosas para construção de patrimônio. Mas essa força vem acompanhada de responsabilidade. Antes de colocar dinheiro em qualquer ativo, pesquise a empresa, entenda seus fundamentos, revise os termos (como Tag Along), e avalie se aquele tipo de ação se alinha com seu objetivo e tolerância ao risco.
O mercado acionário brasileiro oferece oportunidades genuínas. Não se trata apenas de números em uma tela – você está realmente adquirindo participação em empresas reais que geram valor. Respeite esse poder, estude continuamente e invista com convicção.
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Explorando as Três Principais Classes de Ações: Ordinária, Preferencial e Unit
Se você está pensando em começar a investir em ações, provavelmente já se deparou com siglas como ON, PN e UNIT. Mas o que realmente diferencia esses papéis? E qual deles se adequa melhor ao seu estilo de investidor? Este guia descomplicado irá responder essas perguntas e ajudá-lo a navegar com mais segurança pelo mercado acionário brasileiro.
Fundamentos: O que são ações e por que investir?
Quando você compra uma ação, você não está simplesmente adquirindo um papel digital. Está se tornando proprietário de uma fração real de uma empresa. Imagine dividir uma pizza em mil fatias – cada ação representa uma dessas fatias, e você passa a ter direitos e responsabilidades proporcionais àquilo que possui.
As empresas oferecem ações ao público por uma razão prática: precisam de dinheiro. Seja para expandir fábricas, financiar pesquisas ou simplesmente cobrir custos operacionais, as ações são um instrumento poderoso para levantar capital. Para você, investidor, as ações representam a oportunidade de participar dos lucros gerados por essas operações.
Os direitos que você ganha como acionista:
Diferentemente de quem empresta dinheiro para uma empresa (como em títulos de renda fixa), o acionista possui direitos especiais. O mais importante é o direito de voto em decisões estratégicas. Além disso, você tem direito a dividendos – basicamente, uma parte dos lucros que a empresa distribui aos seus proprietários. Há também a possibilidade de subscrição de novas ações e bonificações, mecanismos que permitem aumentar sua participação sem investimento adicional.
O lado do risco:
Aqui está o ponto crítico: ações são investimentos de renda variável. Seus retornos não são garantidos. Uma empresa pode prosperar e suas ações dispararem em valor, ou pode enfrentar dificuldades e você perder parte do investimento. É exatamente por isso que diversificar é fundamental e que entender os tipos de ações disponíveis importa tanto.
A Escolha do Investidor: Começar com Ações Ordinárias ou Preferenciais?
Esta é a pergunta que todo iniciante faz. A resposta depende do seu perfil e objetivos.
Ações Ordinárias: Para Quem Quer Ter Voz
As ações ordinárias (ON) são identificadas nos códigos de negociação pelo número “3” ao final do ticker. PETR3 (Petrobras), VALE3 (Vale) e ITUB3 (Itaú Unibanco) são exemplos clássicos.
O grande diferencial das ordinárias é o poder de decisão. Possuir ações ordinárias significa que você pode votar em assembleias gerais da empresa. Quanto mais ações você tiver, maior seu poder de influência. Isso é crucial em momentos em que decisões importantes são tomadas – mudanças na diretoria, aprovação de investimentos maiores, alterações estatutárias.
Além disso, como qualquer acionista, você tem direito a dividendos, subscrição em novas emissões e pode receber bonificações quando a empresa decide distribuir ações adicionais.
O trade-off das ordinárias:
Nem tudo são vantagens. Ações ordinárias geralmente têm menos liquidez que suas contrapartes preferenciais. Isso significa que pode ser mais difícil vender rapidamente suas ações se precisar de dinheiro rápido. Além disso, em caso de falência da empresa, acionistas ordinários têm menor prioridade no recebimento do que sobrou de patrimônio.
Ações Preferenciais: Para Quem Prefere Dividendos
Identificadas pelo número “4” ou “5” no final do ticker (PETR4 para Petrobras, SANB4 para Santander, GGBR4 para Gerdau), as ações preferenciais (PN) foram criadas pensando em investidores que desejam retornos mais previsíveis.
O nome “preferencial” revela o segredo: você tem prioridade no recebimento de dividendos. Em muitos casos, o estatuto da empresa fixa um percentual mínimo ou até um valor pré-determinado que será distribuído aos detentores de PN. O Banco Santander Brasil, por exemplo, historicamente distribui 10% a mais de dividendos para suas PN comparado às suas ON.
Você também tem preferência em caso de liquidação da empresa – se a companhia quebra, seu dinheiro retorna primeiro.
A ressalva: menos poder de decisão
O preço dessa segurança é a falta de direito de voto. Como detentor de ações preferenciais, você não participa de assembleias nem influencia decisões estratégicas. Para a maioria dos pequenos investidores, isso é irrelevante. Mas se você deseja ter alguma voz na gestão da empresa, PN pode parecer limitada.
Liquidez superior:
Uma vantagem prática: ações preferenciais costumam ser mais negociadas, tornando mais fácil comprar ou vender rapidamente. Empresas como Bradesco (BBDC4) e Klabin (KLBN4) têm PN altamente líquidas.
Units: A Solução para Quem Quer o Melhor dos Dois Mundos
Imagine ter em uma única operação os direitos de voto de uma ordinária e a preferência de dividendos de uma preferencial. Isso é essencialmente o que uma Unit oferece.
Units são pacotes estruturados que combinam diferentes classes de ações emitidas pela mesma empresa. Uma Unit típica pode consistir em 1 ação ordinária + 4 ações preferenciais, empacotadas como um único ativo negociável. Exemplos práticos incluem Santander (SANB11), Klabin (KLBN11) e Sanepar (SAPR11).
Vantagens práticas:
A primeira vantagem é a conveniência. Em vez de fazer duas operações diferentes (comprar uma ON e depois uma PN), você faz uma só e adquire ambas. Para investidores que desejam diversificar sua exposição, isso economiza tempo e às vezes reduz custos.
A liquidez geralmente é superior, especialmente em empresas onde as ações individuais não são muito negociadas. E você consegue exposição balanceada: participa de votações mas também tem proteção no recebimento de dividendos.
Desvantagens e limitações:
A grande limitação é a inflexibilidade. A empresa decide a proporção de ON e PN dentro da Unit. Você não pode dizer “quero 2 ON e 2 PN” – aceita o pacote como está estruturado. Além disso, se em algum momento você desejar desmontar a Unit em seus componentes individuais (conversão), podem haver custos envolvidos.
Tag Along: O Mecanismo que Protege Seus Investimentos
Aqui está algo que muitos investidores iniciantes não conhecem, mas deveria estar no radar de qualquer um: o Tag Along.
Imagine este cenário: você é acionista minoritário de uma empresa. De repente, um grande fundo de investimento se aproxima dos acionistas controladores (aqueles que têm a maioria) oferecendo um preço para comprar toda a participação deles. A pergunta é: você quer ficar preso à empresa agora sob nova gestão, ou quer sair também?
O Tag Along é seu escudo. Ele garante que, se há uma venda de controle, você tem o direito de “acompanhar” a transação sob os mesmos termos – ou seja, pelo mesmo preço que foi oferecido aos controladores.
Nem todas as ações oferecem Tag Along com a mesma proteção. Por exemplo, Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (TRPL3) fornece apenas 80% de Tag Along para ações ON e 0% para PN. Isso significa que detentores de PN não têm nenhuma proteção em caso de venda de controle – uma desvantagem significativa.
Sempre verifique as cláusulas de Tag Along antes de investir somas significativas.
Comparação Prática: Qual Escolher Segundo Seu Perfil?
Você quer influência na empresa? Escolha Ações Ordinárias (ON). Ideal para investidores que buscam poder de decisão e têm horizonte de longo prazo.
Você prioriza renda periódica e segurança? Vá com Ações Preferenciais (PN). Perfeito para quem deseja dividendos mais previsíveis e maior liquidez para sair rápido se necessário.
Você quer simplicidade com balanceamento? Units são sua resposta. Combine-as com uma estratégia bem pensada e você tem exposição diversificada em uma só transação.
Reflexão Final: Educação é Seu Melhor Investimento
Ações, em suas diferentes formas, representam uma das ferramentas mais poderosas para construção de patrimônio. Mas essa força vem acompanhada de responsabilidade. Antes de colocar dinheiro em qualquer ativo, pesquise a empresa, entenda seus fundamentos, revise os termos (como Tag Along), e avalie se aquele tipo de ação se alinha com seu objetivo e tolerância ao risco.
O mercado acionário brasileiro oferece oportunidades genuínas. Não se trata apenas de números em uma tela – você está realmente adquirindo participação em empresas reais que geram valor. Respeite esse poder, estude continuamente e invista com convicção.