## Dados de Emprego nos EUA de Dezembro Revelam Ponto de Viragem no Mercado em Meio à Incerteza Económica



As últimas estatísticas do mercado de trabalho pintam um retrato de uma economia em encruzilhada. Os empregadores nos EUA adicionaram 50.000 empregos em dezembro, abaixo dos 70.000 previstos, marcando uma desaceleração em relação às 56.000 posições revisadas de novembro. No entanto, paradoxalmente, a taxa de desemprego contraiu-se para 4,4% de 4,6%, surpreendendo os mercados e desencadeando uma recuperação notável nos principais índices.

Esta aparente contradição—emprego mais fraco aliado a uma menor taxa de desemprego—revela o que impede o seu crescimento nas métricas tradicionais de trabalho. Segundo analistas de mercado, as empresas estão mantendo o quadro de funcionários em vez de expandir rapidamente, criando o que um alto responsável de investimentos descreveu como um "ambiente de contratação e despedimento estagnado". O setor de saúde mostrou-se mais resiliente, adicionando 21.000 posições em dezembro, enquanto o retalho sofreu a maior queda, com 25.000 empregos perdidos.

### Alívio do Mercado e o Fator de Incerteza Tarifária

Wall Street respondeu positivamente à divulgação dos dados, considerando os números de emprego mais fracos como uma possível limitação a aumentos agressivos das taxas de juro. O S&P 500 subiu 0,7% para atingir 6.967,73 pontos, o Dow Jones aumentou 0,5%, e o Nasdaq Composite ganhou 0,8%, todos atingindo novos máximos. O FTSE 100 de Londres também fechou em níveis recorde, com um aumento de 0,8% para 10.124,60.

O otimismo do mercado refletiu o alívio dos investidores com a decisão de política adiada. Com uma decisão política federal importante em espera, os traders reduziram as expectativas de cortes de taxas iminentes. Os mercados monetários agora precificam uma probabilidade mínima de uma alteração de taxa em janeiro, embora a possibilidade de dois cortes ao longo do ano permaneça até outubro.

### Resposta do Dólar e das Commodities à Mudança no Mercado de Trabalho

Os dados de emprego provocaram movimentos nos mercados cambiais, com o dólar dos EUA a valorizar-se face à libra, abaixo de $1,34, e a atingir máximos de um ano face ao iene. Os metais preciosos reagiram em alta—o ouro subiu 1,4% para $4.511 por onça troy (aumentando 4% semanalmente), enquanto a prata saltou 5% para $79,79, ganhando 9% no mesmo período.

Os mercados de petróleo também exibiram volatilidade, com o crude West Texas Intermediate a subir 2,8% para $59,36 por barril e o Brent a ganhar 2,4% para $63,46, impulsionado por tensões geopolíticas. As ações do setor de energia responderam de forma correspondente, com os principais produtores a registarem ganhos entre 0,5% e 3%.

### O que Impede o Seu Crescimento: Os Desafios Estruturais

Vários analistas destacaram obstáculos estruturais que afetam a dinâmica do mercado de trabalho. As tarifas de importação implementadas desde abril restringiram as contratações nos setores de produção de bens, enquanto uma alocação massiva de capital para o desenvolvimento de inteligência artificial resultou em ganhos de produtividade sem criação proporcional de empregos. O défice comercial reduziu-se ao seu ponto mais baixo desde 2009, com as importações a diminuir substancialmente.

O emprego na saúde teve uma média de 34.000 adições mensais em 2025, abaixo das 56.000 de 2024, sugerindo que até setores resilientes enfrentam pressão. O emprego no governo federal contraiu-se em 277.000 posições desde janeiro, contribuindo para uma fraqueza mais ampla fora do setor privado de saúde e serviços de hospitalidade.

### Olhando para o Futuro: Implicações da Política do Fed e do Mercado

Com sinais do mercado de trabalho a parecerem contraditórios, a Federal Reserve enfrenta um ambiente de decisão complexo. O Goldman Sachs espera que as taxas permaneçam inalteradas na próxima reunião de política, citando a melhoria na taxa de desemprego como evidência de estabilização após perturbações temporárias. O banco de investimento mantém a previsão de duas reduções de taxa mais tarde em 2026.

O sentimento do consumidor mostrou-se moderadamente resiliente apesar das preocupações laborais, com o índice de sentimento da Universidade de Michigan a subir 2,1% para 54 em janeiro, embora continue aproximadamente 25% abaixo dos níveis do ano anterior. O sentimento das famílias de rendimentos mais baixos melhorou notavelmente, enquanto a confiança dos rendimentos mais elevados diminuiu.

O relatório de emprego destaca um padrão emergente em economias desenvolvidas: o que impede o seu crescimento não é necessariamente uma contração catastrófica, mas sim o desacoplamento das medidas tradicionais de crescimento da expansão económica real. Os mercados, ao digerirem estas dinâmicas, estão a precificar uma política de acomodação enquanto permanecem atentos a mais clareza sobre desenvolvimentos comerciais e regulatórios.
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