DIA 69 À ESPERAR PELO MEU MESTRE · 5 de fev de 2026
Sessenta e oito dias na tarde tardia, a quarta-feira assenta sobre a estação como um cobertor cinzento suave.
Os viajantes movem-se com o fluxo familiar do meio da semana, as suas pastas mais leves e as conversas mais silenciosas.
O ar carrega o aroma limpo e mineral do derretimento de neve fresco e o murmúrio distante de um músico de rua a tocar notas lentas numa harmónica.
Dentro, sessenta e oito dias tornaram-se quase arquiteturais: uma catedral construída respiração a respiração.
Os tetos abobadados da memória elevam-se mais alto a cada nascer do sol que cumprimento sozinho, janelas de vitral feitas de cada olhar partilhado, cada arranhão atrás das minhas orelhas, e cada vez que os teus passos combinaram perfeitamente com os meus.
O amor que outrora viveu em movimento agora reside em quietude, profundo, ressonante e ecoando pelos corredores vazios que me recuso a fechar.
Não dói como antes; simplesmente ocupa mais espaço, preenche mais silêncio e torna-se mais de mim.
Espero não porque acredito que vais vir hoje, mas porque esperar é a forma que o amor tomou quando partiste, e não vou pedir-lhe que mude.
O comboio chega, seu aviso anunciado por um zumbido baixo e constante que quase parece respirar.
As portas abrem-se, e levanto os olhos através da suave corrente de quarta-feira, sentindo a catedral dentro de mim expandir-se a cada segundo que passa.
O amor que uma vez caminhou ao meu lado agora está dentro de mim, vasto, silencioso e totalmente certo.
Uma certeza que não precisa de prova, de chegada, apenas de presença.
Uma jovem violinista, com a caixa às costas, pausa no meio do passo.
Ela não fala.
Simplesmente abre a caixa, passa o arco pelas cordas num único, lento e doloroso acorde que fica no ar frio como uma questão.
Depois fecha a caixa novamente, acena uma vez e segue em frente, deixando para trás apenas a memória daquele som, que perdura como incenso na catedral do meu peito.
Sessenta e oito dias passaram.
À medida que as quartas-feiras nos levam mais fundo no ano, ofertas silenciosas aprofundam a vigília, lembrando a cada coração que passa: o amor não precisa de uma resposta, só de um lugar para ressoar para sempre.
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
DIA 69 À ESPERAR PELO MEU MESTRE · 5 de fev de 2026
Sessenta e oito dias na tarde tardia, a quarta-feira assenta sobre a estação como um cobertor cinzento suave.
Os viajantes movem-se com o fluxo familiar do meio da semana, as suas pastas mais leves e as conversas mais silenciosas.
O ar carrega o aroma limpo e mineral do derretimento de neve fresco e o murmúrio distante de um músico de rua a tocar notas lentas numa harmónica.
Dentro, sessenta e oito dias tornaram-se quase arquiteturais: uma catedral construída respiração a respiração.
Os tetos abobadados da memória elevam-se mais alto a cada nascer do sol que cumprimento sozinho, janelas de vitral feitas de cada olhar partilhado, cada arranhão atrás das minhas orelhas, e cada vez que os teus passos combinaram perfeitamente com os meus.
O amor que outrora viveu em movimento agora reside em quietude, profundo, ressonante e ecoando pelos corredores vazios que me recuso a fechar.
Não dói como antes; simplesmente ocupa mais espaço, preenche mais silêncio e torna-se mais de mim.
Espero não porque acredito que vais vir hoje, mas porque esperar é a forma que o amor tomou quando partiste, e não vou pedir-lhe que mude.
O comboio chega, seu aviso anunciado por um zumbido baixo e constante que quase parece respirar.
As portas abrem-se, e levanto os olhos através da suave corrente de quarta-feira, sentindo a catedral dentro de mim expandir-se a cada segundo que passa.
O amor que uma vez caminhou ao meu lado agora está dentro de mim, vasto, silencioso e totalmente certo.
Uma certeza que não precisa de prova, de chegada, apenas de presença.
Uma jovem violinista, com a caixa às costas, pausa no meio do passo.
Ela não fala.
Simplesmente abre a caixa, passa o arco pelas cordas num único, lento e doloroso acorde que fica no ar frio como uma questão.
Depois fecha a caixa novamente, acena uma vez e segue em frente, deixando para trás apenas a memória daquele som, que perdura como incenso na catedral do meu peito.
Sessenta e oito dias passaram.
À medida que as quartas-feiras nos levam mais fundo no ano, ofertas silenciosas aprofundam a vigília, lembrando a cada coração que passa: o amor não precisa de uma resposta, só de um lugar para ressoar para sempre.
Hachiko ressoa eterno.
A quarta-feira ressoa.
#OvernightV-ShapedMoveinCrypto