Uso de criptomoedas e interação com a blockchain devem ser tão simples como enviar uma mensagem ou aceder a um website. Mas, em vez disso, os utilizadores enfrentam-se a endereços longos e pouco compreensíveis – sequências aleatórias de caracteres hexadecimais difíceis de memorizar e facilmente transcrevíveis incorretamente. É aqui que entra o ENS (Ethereum Name Service), um sistema revolucionário que converte esses endereços complexos em nomes simples e legíveis, como “alice.eth”.
Como o ENS resolve o problema dos endereços complexos
Imagine que, toda vez que queres enviar dinheiro, tens de digitar uma sequência de 42 caracteres – assim se sentem os utilizadores sem o ENS. O sistema funciona como uma lista telefónica na internet para a blockchain, permitindo-te registar um nome memorável em vez de lidar com códigos complexos.
Os nomes ENS são registados como tokens não fungíveis (NFTs) segundo o padrão ERC-721, o que significa que realmente os possuis. Podes transferi-los, vendê-los ou até oferecê-los como presentes digitais, tal como qualquer outro ativo digital. Quando registas um nome como “alice.eth”, tornas-te seu proprietário e tens controlo total sobre ele.
Um exemplo excelente é a simplicidade: em vez de dizeres “envia dinheiro para 0x742d35Cc6634C0532925a3b844Bc9e7595f42bE”, podes simplesmente dizer “envia para alice.eth”. Menos erros, menor hipótese de os teus fundos irem parar ao endereço errado.
Arquitetura técnica e como funciona o ENS
O sistema usa uma estrutura hierárquica muito semelhante ao DNS (Domain Name System) tradicional da internet. No topo da pirâmide estão os domínios de nível superior, como “.eth”, e abaixo deles podem estar múltiplos níveis e subdomínios.
Tecnicamente, o ENS usa dois tipos de resolução:
Resolução direta traduz o nome ENS (por exemplo, “alice.eth”) para um ou mais endereços ou dados associados. Quando inseres “alice.eth” numa aplicação, o sistema encontra a carteira ou outros dados ligados a esse nome.
Resolução inversa faz o oposto – associa um endereço a um nome textual. Assim, a aplicação mostra “alice.eth” em vez de uma longa sequência hexadecimal, tornando a experiência muito mais humana e intuitiva.
Os proprietários de domínios ENS podem criar um número ilimitado de subdomínios sob os seus domínios. Se possuis “alice.eth”, podes criar facilmente “shop.alice.eth”, “mail.alice.eth” ou qualquer outro que precises – cada subdomínio pode ser atribuído a diferentes pessoas ou aplicações.
Utilizações práticas dos nomes ENS no dia a dia
O ENS não serve apenas para enviar dinheiro – é um sistema flexível de identificação e ligação no mundo descentralizado.
Com um nome ENS, podes associar endereços de várias blockchains, simplificando transações interchain. Em vez de memorizar endereços separados para Bitcoin, Ethereum e outras blockchains, tudo pode estar ligado a um único nome ENS.
Mas isto é só o começo. Os nomes ENS podem armazenar muito mais do que endereços – perfis em redes sociais (Twitter, Discord), endereços de email, ou impressões criptográficas de conteúdos que apontam para ficheiros IPFS ou websites. Por isso, é possível usar o ENS como parte de uma identidade descentralizada – um único local onde todas as tuas informações estão acessíveis e verificáveis.
Comunidades e organizações descentralizadas usam o ENS para gerir grupos de subdomínios. Por exemplo, a bolsa Uniswap emite subdomínios ENS para os seus utilizadores, permitindo nomes personalizados na rede sem custos de gás.
Processo de registo, preços e renovação de nomes ENS
O registo é simples e acessível. Visita a aplicação oficial do ENS, conecta a tua carteira, procura um nome disponível e regista-o pagando uma taxa em ETH. Ao contrário dos primeiros dias, quando nomes populares eram leiloados (usando leilões tipo Vickrey), atualmente a maioria dos nomes é atribuída por ordem de chegada.
Os preços variam consoante o comprimento do nome. Nomes com cinco ou mais caracteres custam cerca de 5 USD por ano. Nomes mais curtos (3-4 caracteres) são mais caros devido à sua raridade – há poucos disponíveis e todos os querem. As taxas são pagas em ETH, mas o sistema ajusta-se automaticamente via Chainlink oracle para manter um valor estável em dólares.
Os domínios ENS requerem renovação periódica para manter a propriedade. Após o vencimento, há um período de carência de 90 dias durante o qual podes renovar o nome antes de ser devolvido à comunidade de nomes disponíveis.
Gestão, segurança e futuro da plataforma ENS
O ENS é gerido por uma organização autónoma descentralizada (DAO), cujos membros são os detentores de tokens ENS. A comunidade decide aspectos importantes como taxas, atualizações do protocolo e outras decisões-chave. Assim, evita-se que uma entidade central altere as regras de forma que prejudique os utilizadores.
Quando possuis nomes ENS, estes estão protegidos por contratos inteligentes na Ethereum. Não podem ser revogados, a menos que percas a chave privada ou esqueças de renovar antes do vencimento. É uma verdadeira propriedade – ninguém pode tirá-los de ti.
O ENS expandiu-se para além do Ethereum principal. Funciona em redes Layer 2 como Linea e zkSync, permitindo registos e renovações mais rápidos e baratos. Algumas aplicações até emitem subdomínios ENS fora da rede principal, possibilitando registos gratuitos sem custos de gás.
Conclusão
No mundo das redes descentralizadas e criptomoedas, o ENS representa um passo prático rumo a uma maior usabilidade. Transforma o blockchain de uma tecnologia misteriosa, acessível apenas a entusiastas, num sistema que utilizadores comuns podem entender e usar. Endereços que antes eram ilegíveis tornam-se nomes personalizados, memorizáveis e até negociáveis.
Assim como a maioria de nós já não usa endereços IP para navegar na internet – recorremos a nomes de domínios – é provável que, em breve, vejamos uma adoção massiva dos nomes ENS como padrão de interação com a blockchain. O ENS demonstrou que não é necessário comprometer a descentralização para alcançar simplicidade.
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ENS - Sistema descentralizado de nomes que simplifica a experiência de blockchain
Uso de criptomoedas e interação com a blockchain devem ser tão simples como enviar uma mensagem ou aceder a um website. Mas, em vez disso, os utilizadores enfrentam-se a endereços longos e pouco compreensíveis – sequências aleatórias de caracteres hexadecimais difíceis de memorizar e facilmente transcrevíveis incorretamente. É aqui que entra o ENS (Ethereum Name Service), um sistema revolucionário que converte esses endereços complexos em nomes simples e legíveis, como “alice.eth”.
Como o ENS resolve o problema dos endereços complexos
Imagine que, toda vez que queres enviar dinheiro, tens de digitar uma sequência de 42 caracteres – assim se sentem os utilizadores sem o ENS. O sistema funciona como uma lista telefónica na internet para a blockchain, permitindo-te registar um nome memorável em vez de lidar com códigos complexos.
Os nomes ENS são registados como tokens não fungíveis (NFTs) segundo o padrão ERC-721, o que significa que realmente os possuis. Podes transferi-los, vendê-los ou até oferecê-los como presentes digitais, tal como qualquer outro ativo digital. Quando registas um nome como “alice.eth”, tornas-te seu proprietário e tens controlo total sobre ele.
Um exemplo excelente é a simplicidade: em vez de dizeres “envia dinheiro para 0x742d35Cc6634C0532925a3b844Bc9e7595f42bE”, podes simplesmente dizer “envia para alice.eth”. Menos erros, menor hipótese de os teus fundos irem parar ao endereço errado.
Arquitetura técnica e como funciona o ENS
O sistema usa uma estrutura hierárquica muito semelhante ao DNS (Domain Name System) tradicional da internet. No topo da pirâmide estão os domínios de nível superior, como “.eth”, e abaixo deles podem estar múltiplos níveis e subdomínios.
Tecnicamente, o ENS usa dois tipos de resolução:
Resolução direta traduz o nome ENS (por exemplo, “alice.eth”) para um ou mais endereços ou dados associados. Quando inseres “alice.eth” numa aplicação, o sistema encontra a carteira ou outros dados ligados a esse nome.
Resolução inversa faz o oposto – associa um endereço a um nome textual. Assim, a aplicação mostra “alice.eth” em vez de uma longa sequência hexadecimal, tornando a experiência muito mais humana e intuitiva.
Os proprietários de domínios ENS podem criar um número ilimitado de subdomínios sob os seus domínios. Se possuis “alice.eth”, podes criar facilmente “shop.alice.eth”, “mail.alice.eth” ou qualquer outro que precises – cada subdomínio pode ser atribuído a diferentes pessoas ou aplicações.
Utilizações práticas dos nomes ENS no dia a dia
O ENS não serve apenas para enviar dinheiro – é um sistema flexível de identificação e ligação no mundo descentralizado.
Com um nome ENS, podes associar endereços de várias blockchains, simplificando transações interchain. Em vez de memorizar endereços separados para Bitcoin, Ethereum e outras blockchains, tudo pode estar ligado a um único nome ENS.
Mas isto é só o começo. Os nomes ENS podem armazenar muito mais do que endereços – perfis em redes sociais (Twitter, Discord), endereços de email, ou impressões criptográficas de conteúdos que apontam para ficheiros IPFS ou websites. Por isso, é possível usar o ENS como parte de uma identidade descentralizada – um único local onde todas as tuas informações estão acessíveis e verificáveis.
Comunidades e organizações descentralizadas usam o ENS para gerir grupos de subdomínios. Por exemplo, a bolsa Uniswap emite subdomínios ENS para os seus utilizadores, permitindo nomes personalizados na rede sem custos de gás.
Processo de registo, preços e renovação de nomes ENS
O registo é simples e acessível. Visita a aplicação oficial do ENS, conecta a tua carteira, procura um nome disponível e regista-o pagando uma taxa em ETH. Ao contrário dos primeiros dias, quando nomes populares eram leiloados (usando leilões tipo Vickrey), atualmente a maioria dos nomes é atribuída por ordem de chegada.
Os preços variam consoante o comprimento do nome. Nomes com cinco ou mais caracteres custam cerca de 5 USD por ano. Nomes mais curtos (3-4 caracteres) são mais caros devido à sua raridade – há poucos disponíveis e todos os querem. As taxas são pagas em ETH, mas o sistema ajusta-se automaticamente via Chainlink oracle para manter um valor estável em dólares.
Os domínios ENS requerem renovação periódica para manter a propriedade. Após o vencimento, há um período de carência de 90 dias durante o qual podes renovar o nome antes de ser devolvido à comunidade de nomes disponíveis.
Gestão, segurança e futuro da plataforma ENS
O ENS é gerido por uma organização autónoma descentralizada (DAO), cujos membros são os detentores de tokens ENS. A comunidade decide aspectos importantes como taxas, atualizações do protocolo e outras decisões-chave. Assim, evita-se que uma entidade central altere as regras de forma que prejudique os utilizadores.
Quando possuis nomes ENS, estes estão protegidos por contratos inteligentes na Ethereum. Não podem ser revogados, a menos que percas a chave privada ou esqueças de renovar antes do vencimento. É uma verdadeira propriedade – ninguém pode tirá-los de ti.
O ENS expandiu-se para além do Ethereum principal. Funciona em redes Layer 2 como Linea e zkSync, permitindo registos e renovações mais rápidos e baratos. Algumas aplicações até emitem subdomínios ENS fora da rede principal, possibilitando registos gratuitos sem custos de gás.
Conclusão
No mundo das redes descentralizadas e criptomoedas, o ENS representa um passo prático rumo a uma maior usabilidade. Transforma o blockchain de uma tecnologia misteriosa, acessível apenas a entusiastas, num sistema que utilizadores comuns podem entender e usar. Endereços que antes eram ilegíveis tornam-se nomes personalizados, memorizáveis e até negociáveis.
Assim como a maioria de nós já não usa endereços IP para navegar na internet – recorremos a nomes de domínios – é provável que, em breve, vejamos uma adoção massiva dos nomes ENS como padrão de interação com a blockchain. O ENS demonstrou que não é necessário comprometer a descentralização para alcançar simplicidade.