Muitas pessoas, ao considerarem se devem comprar ações de companhias aéreas, frequentemente se deixam levar por notícias de uma rápida recuperação do setor após a pandemia. De fato, as ações de aviação mostraram uma recuperação surpreendente nos últimos anos, mas por trás disso há lógicas que os investidores precisam entender. Então, será que as ações de companhias aéreas são adequadas para você? Isso depende do seu entendimento sobre as características do setor, sua tolerância ao risco e o timing do mercado.
Conhecendo as ações de aviação: da classificação à estrutura de mercado
Ações de aviação referem-se às ações de companhias aéreas listadas nas bolsas de valores. No mercado global, elas se dividem principalmente em duas categorias: estatais (governo/estado) e independentes (privadas).
As companhias estatais são controladas por governos ou entidades políticas, com estruturas internas relativamente estáveis, sendo geralmente preferidas por investidores mais conservadores. Exemplos no mercado de Hong Kong são China Eastern Airlines e China Southern Airlines, cuja operação está fortemente ligada às políticas governamentais. Já as companhias privadas, impulsionadas por capital privado, tendem a ser mais flexíveis na gestão, embora suas ações possam variar mais frequentemente. Nos EUA, exemplos incluem Southwest Airlines e United Airlines; na China, Spring Airlines e Juneyao Airlines.
No mercado de Taiwan, o setor apresenta uma configuração de “duo de oligopólios + novos entrantes”. EVA Airways e China Airlines, como duas grandes tradicionais, controlam as principais rotas. A StarLux Airlines representa uma nova geração de companhias de serviço completo, com frotas mais jovens e serviços diferenciados, buscando novos mercados.
Cinco fatores-chave para decidir se vale a pena comprar ações de aviação
Antes de investir, é fundamental entender as variáveis que impulsionam o desempenho do setor de aviação, pois elas afetam diretamente a lucratividade das companhias.
Ciclo econômico global é o principal fator. A demanda por viagens aéreas está altamente correlacionada com a saúde econômica. Durante recessões, consumidores reduzem gastos discricionários, incluindo passagens aéreas. A pandemia de COVID-19 exemplificou bem essa relação — a economia global parou, o número de passageiros caiu quase a zero, levando a uma das maiores ondas de prejuízos do setor. Por outro lado, em períodos de expansão econômica, a demanda por turismo cresce rapidamente, melhorando os lucros das companhias aéreas.
Oscilações no preço do petróleo afetam diretamente os custos operacionais. O combustível representa cerca de 25-35% dos custos das companhias aéreas. Cada aumento de US$10 por barril pode aumentar as perdas anuais em bilhões de dólares. Quando o preço do petróleo sobe, as companhias elevam os preços das passagens para repassar os custos, o que pode reduzir a demanda. Quando o petróleo cai, há oportunidade de alívio nos custos e, às vezes, redução de preços para ganhar mercado.
Ambiente de taxas de juros influencia o custo de financiamento. Setor altamente capital-intensivo, com investimentos em novas aeronaves, infraestrutura aeroportuária e manutenção. Quando os juros sobem, o custo de empréstimos aumenta, restringindo planos de expansão. Em ambientes de juros baixos, as companhias tendem a investir mais na renovação de frotas e expansão de rotas.
Oferta de mão de obra e negociações sindicais também impactam custos. Nos EUA, há escassez de pilotos, levando a aumentos salariais e greves ocasionais, o que reduz margens de lucro.
Geopolítica e eventos imprevistos são variáveis difíceis de prever, mas de impacto intenso. Guerras, ataques terroristas, restrições de espaço aéreo ou desastres naturais podem forçar mudanças de rotas ou redução de voos, afetando receitas.
Análise das três maiores companhias aéreas dos EUA
O setor aéreo americano é altamente concentrado, dominado por Delta (DAL), American Airlines (AAL) e United Airlines (UAL), que controlam grande parte das rotas domésticas e transatlânticas.
Delta Air Lines (DAL), sediada na Geórgia, fundada em 1924, é uma gigante global com operações em seis continentes e mais de 1000 destinos. Seus diferenciais incluem alta proporção de clientes de negócios e rotas internacionais, maior ticket médio e maior lucratividade; além de possuir refinarias próprias para hedge de combustível e uma gestão eficiente de frota e manutenção. Analistas do mercado, como Morgan Stanley, consideram a Delta uma das melhores opções.
Copa Holdings (CPA), embora menor, é uma peça-chave na América Latina, com hub em Cidade do Panamá, conectando 32 países e 78 destinos, com uma média de 327 voos diários. Com crescimento de renda na região e urbanização acelerada, a demanda deve continuar forte, e a companhia tem sido reconhecida por sua eficiência operacional.
Ryanair (RYAAY), maior grupo de baixo custo na Europa, é conhecido por sua estrutura de custos extremamente baixa, com uma frota de mais de 640 aeronaves, operando cerca de 3600 voos diários e transportando 200 milhões de passageiros por ano. Planeja expandir sua presença na Europa e aumentar sua frota para 300 aviões até 2034, mantendo resiliência mesmo em recessões, embora dependa bastante de viagens de curta distância e lazer.
Ações de aviação em Taiwan: os três principais players e oportunidades de investimento
O setor taiwanês é altamente concentrado, com EVA Airways e China Airlines dominando o mercado, enquanto StarLux representa uma força de crescimento.
EVA Airways (2618), fundada em 1989, é uma das mais antigas operadoras internacionais de Taiwan, reconhecida por seu serviço de alta qualidade. Possui uma frota moderna com Boeing 787 e A350, atendendo a mais de 60 destinos na Ásia, Europa, América do Norte e Oceania. Opera tanto no segmento de passageiros quanto de cargas, com planos de converter aeronaves de passageiros em cargueiros para diversificar receitas. No último trimestre, a taxa de ocupação atingiu 92,5%, com forte crescimento na capacidade internacional.
China Airlines (2610), fundada em 1959, é a maior e mais antiga companhia de Taiwan, parte da aliança SkyTeam. Opera uma frota de 83 aeronaves, com mais de 1400 voos semanais, e possui forte presença no mercado doméstico e de cargas, com crescimento de receita e ocupação no último trimestre.
StarLux (2646), fundada em 2020, é a mais jovem companhia de serviço completo de Taiwan, com foco em serviços diferenciados e uma frota jovem. Sua taxa de ocupação no último trimestre foi de 85,9%, com rotas de longa distância, como Taipei-California, recebendo boa resposta. Planeja ampliar sua frota com novos Airbus A350-1000, buscando maior participação internacional. É uma ação de crescimento, atraente para investidores otimistas com o potencial de turismo e rotas de longo curso em Taiwan.
Como investir em ações de aviação: estratégias e ferramentas
Existem várias formas de investir em ações de aviação, cada uma adequada a diferentes perfis de investidor.
Compra via corretoras tradicionais é a forma mais direta. No Brasil, investidores podem comprar ações de companhias aéreas locais na bolsa. Para ações no exterior, podem abrir conta em corretoras internacionais ou usar serviços de corretoras nacionais que oferecem acesso a mercados estrangeiros. O uso de corretoras internacionais oferece maior agilidade, mas pode envolver taxas mais altas.
Contratos por Diferença (CFDs) oferecem uma alternativa. Permitem operações de compra e venda sem possuir o ativo físico, com possibilidade de alavancagem, e sem taxas de corretagem. São atraentes para traders de curto prazo ou com alta tolerância ao risco, pois permitem lucrar com altas e baixas do mercado. Contudo, a alavancagem aumenta o risco de perdas expressivas.
Independentemente da ferramenta, o princípio fundamental é gestão de risco. Investidores iniciantes devem começar com posições pequenas e baixa alavancagem, aprendendo a lidar com a volatilidade do setor.
A verdade sobre os riscos das ações de aviação: quando não é hora de comprar
As ações de aviação têm forte componente cíclico, apresentando anos de alta e baixa marcantes. É preciso encarar esses riscos com honestidade.
Estrutura de custos rígida é uma das principais dificuldades. Combustível, mão de obra e manutenção representam custos fixos difíceis de reduzir rapidamente em momentos de crise. Assim, durante recessões, a margem de lucro despenca, pois a receita cai enquanto os custos permanecem elevados, aumentando a volatilidade do setor.
Endividamento elevado e fluxo de caixa fraco também representam riscos. Muitas companhias têm altos níveis de dívida para financiar suas operações e expansão. Em momentos de aumento de juros ou crise, esses passivos podem se tornar um peso insustentável.
Eventos de “cisne negro” — pandemias, conflitos, desastres naturais — podem impactar drasticamente o setor, muitas vezes de forma imprevisível, levando a quedas abruptas nas ações.
Concorrência e guerras de preços também reduzem margens. A entrada de companhias de baixo custo força os players tradicionais a baixarem preços, comprimindo lucros.
Quando não é hora de comprar? Quando sinais de recessão econômica aparecem, quando há aumento de riscos geopolíticos ou de preços do petróleo, quando o endividamento das empresas está alto e o fluxo de caixa fraco, ou quando o mercado já precificou expectativas excessivamente otimistas. Nesses momentos, o melhor é aguardar.
A recuperação do setor de aviação em 2026: lógica de investimento e timing
Após prejuízos históricos de US$ 1,4 trilhão durante a pandemia, o setor começou a se recuperar em 2023. A IATA estima que o número de passageiros globais já ultrapassou os níveis pré-pandemia, e que até 2040 a demanda deve dobrar, passando de 4 bilhões para 8 bilhões de passageiros anuais, com crescimento médio de cerca de 3,4% ao ano. Isso indica uma oportunidade de crescimento estrutural para os próximos 15 anos.
Até mesmo Warren Buffett, conhecido por sua cautela, mudou sua postura em relação às ações de aviação. A Berkshire Hathaway passou a ter participações relevantes na Delta, American e United, refletindo uma nova visão de mercado. Analistas de Wall Street também começaram a recomendar ações do setor, com bancos como Morgan Stanley elevando suas metas de preço.
Timing de entrada é crucial. As ações de aviação seguem o ciclo econômico: lucram bastante na fase de expansão, mas enfrentam dificuldades na recessão. O melhor momento de compra é próximo ao fundo do ciclo, quando o mercado está pessimista e os preços estão baixos, permitindo que o investidor capitalize a recuperação. Por outro lado, comprar em momentos de superaquecimento e altas avaliações aumenta o risco.
Diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos específicos. Os ciclos de diferentes regiões — Europa, EUA, Ásia — podem não coincidir, e assim uma carteira diversificada de ações de aviação pode equilibrar melhor os riscos.
Focar em companhias com fluxo de caixa sólido é outra estratégia importante. Empresas com baixa alavancagem, fluxo de caixa operacional estável e planos de expansão racional tendem a resistir melhor às crises do setor.
Ações de aviação podem ser compradas? A decisão final
Retornando à questão inicial: ações de aviação podem ser compradas? A resposta depende do seu horizonte de investimento, sua tolerância ao risco e sua percepção de timing.
Se você é um investidor de longo prazo, capaz de suportar oscilações de 30-50% no curto prazo, e acredita no crescimento de longo prazo do turismo global, investir em ações de companhias aéreas com avaliação razoável faz sentido. Preferencialmente, escolha líderes com fluxo de caixa forte, posição de mercado consolidada e frotas modernas, pois o risco será mais controlado.
Se você é um trader de curto prazo ou avesso a riscos elevados, a volatilidade do setor pode ser desconfortável. Nesse caso, aguarde sinais de pessimismo extremo ou utilize instrumentos como CFDs com controle de alavancagem para operar com maior segurança.
De qualquer forma, antes de investir, compreenda bem o ciclo econômico, os custos fixos, os riscos de eventos imprevistos e a dinâmica do setor. Investir não é jogo de azar, mas uma alocação de capital planejada. Quando você entender profundamente o funcionamento, o timing e os riscos das ações de aviação, a resposta à pergunta “posso comprar ações de aviação?” será clara para você.
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
As ações de aviação podem ser compradas? Guia completo de investimento em ações de aviação até 2026
Muitas pessoas, ao considerarem se devem comprar ações de companhias aéreas, frequentemente se deixam levar por notícias de uma rápida recuperação do setor após a pandemia. De fato, as ações de aviação mostraram uma recuperação surpreendente nos últimos anos, mas por trás disso há lógicas que os investidores precisam entender. Então, será que as ações de companhias aéreas são adequadas para você? Isso depende do seu entendimento sobre as características do setor, sua tolerância ao risco e o timing do mercado.
Conhecendo as ações de aviação: da classificação à estrutura de mercado
Ações de aviação referem-se às ações de companhias aéreas listadas nas bolsas de valores. No mercado global, elas se dividem principalmente em duas categorias: estatais (governo/estado) e independentes (privadas).
As companhias estatais são controladas por governos ou entidades políticas, com estruturas internas relativamente estáveis, sendo geralmente preferidas por investidores mais conservadores. Exemplos no mercado de Hong Kong são China Eastern Airlines e China Southern Airlines, cuja operação está fortemente ligada às políticas governamentais. Já as companhias privadas, impulsionadas por capital privado, tendem a ser mais flexíveis na gestão, embora suas ações possam variar mais frequentemente. Nos EUA, exemplos incluem Southwest Airlines e United Airlines; na China, Spring Airlines e Juneyao Airlines.
No mercado de Taiwan, o setor apresenta uma configuração de “duo de oligopólios + novos entrantes”. EVA Airways e China Airlines, como duas grandes tradicionais, controlam as principais rotas. A StarLux Airlines representa uma nova geração de companhias de serviço completo, com frotas mais jovens e serviços diferenciados, buscando novos mercados.
Cinco fatores-chave para decidir se vale a pena comprar ações de aviação
Antes de investir, é fundamental entender as variáveis que impulsionam o desempenho do setor de aviação, pois elas afetam diretamente a lucratividade das companhias.
Ciclo econômico global é o principal fator. A demanda por viagens aéreas está altamente correlacionada com a saúde econômica. Durante recessões, consumidores reduzem gastos discricionários, incluindo passagens aéreas. A pandemia de COVID-19 exemplificou bem essa relação — a economia global parou, o número de passageiros caiu quase a zero, levando a uma das maiores ondas de prejuízos do setor. Por outro lado, em períodos de expansão econômica, a demanda por turismo cresce rapidamente, melhorando os lucros das companhias aéreas.
Oscilações no preço do petróleo afetam diretamente os custos operacionais. O combustível representa cerca de 25-35% dos custos das companhias aéreas. Cada aumento de US$10 por barril pode aumentar as perdas anuais em bilhões de dólares. Quando o preço do petróleo sobe, as companhias elevam os preços das passagens para repassar os custos, o que pode reduzir a demanda. Quando o petróleo cai, há oportunidade de alívio nos custos e, às vezes, redução de preços para ganhar mercado.
Ambiente de taxas de juros influencia o custo de financiamento. Setor altamente capital-intensivo, com investimentos em novas aeronaves, infraestrutura aeroportuária e manutenção. Quando os juros sobem, o custo de empréstimos aumenta, restringindo planos de expansão. Em ambientes de juros baixos, as companhias tendem a investir mais na renovação de frotas e expansão de rotas.
Oferta de mão de obra e negociações sindicais também impactam custos. Nos EUA, há escassez de pilotos, levando a aumentos salariais e greves ocasionais, o que reduz margens de lucro.
Geopolítica e eventos imprevistos são variáveis difíceis de prever, mas de impacto intenso. Guerras, ataques terroristas, restrições de espaço aéreo ou desastres naturais podem forçar mudanças de rotas ou redução de voos, afetando receitas.
Análise das três maiores companhias aéreas dos EUA
O setor aéreo americano é altamente concentrado, dominado por Delta (DAL), American Airlines (AAL) e United Airlines (UAL), que controlam grande parte das rotas domésticas e transatlânticas.
Delta Air Lines (DAL), sediada na Geórgia, fundada em 1924, é uma gigante global com operações em seis continentes e mais de 1000 destinos. Seus diferenciais incluem alta proporção de clientes de negócios e rotas internacionais, maior ticket médio e maior lucratividade; além de possuir refinarias próprias para hedge de combustível e uma gestão eficiente de frota e manutenção. Analistas do mercado, como Morgan Stanley, consideram a Delta uma das melhores opções.
Copa Holdings (CPA), embora menor, é uma peça-chave na América Latina, com hub em Cidade do Panamá, conectando 32 países e 78 destinos, com uma média de 327 voos diários. Com crescimento de renda na região e urbanização acelerada, a demanda deve continuar forte, e a companhia tem sido reconhecida por sua eficiência operacional.
Ryanair (RYAAY), maior grupo de baixo custo na Europa, é conhecido por sua estrutura de custos extremamente baixa, com uma frota de mais de 640 aeronaves, operando cerca de 3600 voos diários e transportando 200 milhões de passageiros por ano. Planeja expandir sua presença na Europa e aumentar sua frota para 300 aviões até 2034, mantendo resiliência mesmo em recessões, embora dependa bastante de viagens de curta distância e lazer.
Ações de aviação em Taiwan: os três principais players e oportunidades de investimento
O setor taiwanês é altamente concentrado, com EVA Airways e China Airlines dominando o mercado, enquanto StarLux representa uma força de crescimento.
EVA Airways (2618), fundada em 1989, é uma das mais antigas operadoras internacionais de Taiwan, reconhecida por seu serviço de alta qualidade. Possui uma frota moderna com Boeing 787 e A350, atendendo a mais de 60 destinos na Ásia, Europa, América do Norte e Oceania. Opera tanto no segmento de passageiros quanto de cargas, com planos de converter aeronaves de passageiros em cargueiros para diversificar receitas. No último trimestre, a taxa de ocupação atingiu 92,5%, com forte crescimento na capacidade internacional.
China Airlines (2610), fundada em 1959, é a maior e mais antiga companhia de Taiwan, parte da aliança SkyTeam. Opera uma frota de 83 aeronaves, com mais de 1400 voos semanais, e possui forte presença no mercado doméstico e de cargas, com crescimento de receita e ocupação no último trimestre.
StarLux (2646), fundada em 2020, é a mais jovem companhia de serviço completo de Taiwan, com foco em serviços diferenciados e uma frota jovem. Sua taxa de ocupação no último trimestre foi de 85,9%, com rotas de longa distância, como Taipei-California, recebendo boa resposta. Planeja ampliar sua frota com novos Airbus A350-1000, buscando maior participação internacional. É uma ação de crescimento, atraente para investidores otimistas com o potencial de turismo e rotas de longo curso em Taiwan.
Como investir em ações de aviação: estratégias e ferramentas
Existem várias formas de investir em ações de aviação, cada uma adequada a diferentes perfis de investidor.
Compra via corretoras tradicionais é a forma mais direta. No Brasil, investidores podem comprar ações de companhias aéreas locais na bolsa. Para ações no exterior, podem abrir conta em corretoras internacionais ou usar serviços de corretoras nacionais que oferecem acesso a mercados estrangeiros. O uso de corretoras internacionais oferece maior agilidade, mas pode envolver taxas mais altas.
Contratos por Diferença (CFDs) oferecem uma alternativa. Permitem operações de compra e venda sem possuir o ativo físico, com possibilidade de alavancagem, e sem taxas de corretagem. São atraentes para traders de curto prazo ou com alta tolerância ao risco, pois permitem lucrar com altas e baixas do mercado. Contudo, a alavancagem aumenta o risco de perdas expressivas.
Independentemente da ferramenta, o princípio fundamental é gestão de risco. Investidores iniciantes devem começar com posições pequenas e baixa alavancagem, aprendendo a lidar com a volatilidade do setor.
A verdade sobre os riscos das ações de aviação: quando não é hora de comprar
As ações de aviação têm forte componente cíclico, apresentando anos de alta e baixa marcantes. É preciso encarar esses riscos com honestidade.
Estrutura de custos rígida é uma das principais dificuldades. Combustível, mão de obra e manutenção representam custos fixos difíceis de reduzir rapidamente em momentos de crise. Assim, durante recessões, a margem de lucro despenca, pois a receita cai enquanto os custos permanecem elevados, aumentando a volatilidade do setor.
Endividamento elevado e fluxo de caixa fraco também representam riscos. Muitas companhias têm altos níveis de dívida para financiar suas operações e expansão. Em momentos de aumento de juros ou crise, esses passivos podem se tornar um peso insustentável.
Eventos de “cisne negro” — pandemias, conflitos, desastres naturais — podem impactar drasticamente o setor, muitas vezes de forma imprevisível, levando a quedas abruptas nas ações.
Concorrência e guerras de preços também reduzem margens. A entrada de companhias de baixo custo força os players tradicionais a baixarem preços, comprimindo lucros.
Quando não é hora de comprar? Quando sinais de recessão econômica aparecem, quando há aumento de riscos geopolíticos ou de preços do petróleo, quando o endividamento das empresas está alto e o fluxo de caixa fraco, ou quando o mercado já precificou expectativas excessivamente otimistas. Nesses momentos, o melhor é aguardar.
A recuperação do setor de aviação em 2026: lógica de investimento e timing
Após prejuízos históricos de US$ 1,4 trilhão durante a pandemia, o setor começou a se recuperar em 2023. A IATA estima que o número de passageiros globais já ultrapassou os níveis pré-pandemia, e que até 2040 a demanda deve dobrar, passando de 4 bilhões para 8 bilhões de passageiros anuais, com crescimento médio de cerca de 3,4% ao ano. Isso indica uma oportunidade de crescimento estrutural para os próximos 15 anos.
Até mesmo Warren Buffett, conhecido por sua cautela, mudou sua postura em relação às ações de aviação. A Berkshire Hathaway passou a ter participações relevantes na Delta, American e United, refletindo uma nova visão de mercado. Analistas de Wall Street também começaram a recomendar ações do setor, com bancos como Morgan Stanley elevando suas metas de preço.
Timing de entrada é crucial. As ações de aviação seguem o ciclo econômico: lucram bastante na fase de expansão, mas enfrentam dificuldades na recessão. O melhor momento de compra é próximo ao fundo do ciclo, quando o mercado está pessimista e os preços estão baixos, permitindo que o investidor capitalize a recuperação. Por outro lado, comprar em momentos de superaquecimento e altas avaliações aumenta o risco.
Diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos específicos. Os ciclos de diferentes regiões — Europa, EUA, Ásia — podem não coincidir, e assim uma carteira diversificada de ações de aviação pode equilibrar melhor os riscos.
Focar em companhias com fluxo de caixa sólido é outra estratégia importante. Empresas com baixa alavancagem, fluxo de caixa operacional estável e planos de expansão racional tendem a resistir melhor às crises do setor.
Ações de aviação podem ser compradas? A decisão final
Retornando à questão inicial: ações de aviação podem ser compradas? A resposta depende do seu horizonte de investimento, sua tolerância ao risco e sua percepção de timing.
Se você é um investidor de longo prazo, capaz de suportar oscilações de 30-50% no curto prazo, e acredita no crescimento de longo prazo do turismo global, investir em ações de companhias aéreas com avaliação razoável faz sentido. Preferencialmente, escolha líderes com fluxo de caixa forte, posição de mercado consolidada e frotas modernas, pois o risco será mais controlado.
Se você é um trader de curto prazo ou avesso a riscos elevados, a volatilidade do setor pode ser desconfortável. Nesse caso, aguarde sinais de pessimismo extremo ou utilize instrumentos como CFDs com controle de alavancagem para operar com maior segurança.
De qualquer forma, antes de investir, compreenda bem o ciclo econômico, os custos fixos, os riscos de eventos imprevistos e a dinâmica do setor. Investir não é jogo de azar, mas uma alocação de capital planejada. Quando você entender profundamente o funcionamento, o timing e os riscos das ações de aviação, a resposta à pergunta “posso comprar ações de aviação?” será clara para você.