O renminbi, após um ciclo de depreciação contínua de três anos de 2022 a 2024, enfrenta um momento de virada importante. Recentemente, o yuan conseguiu superar a barreira psicológica de 7.0 e atualmente mantém uma base sólida em torno de 6.9, iniciando uma nova fase de valorização de médio a longo prazo. Isso não só indica uma mudança no ciclo cambial, mas também sinaliza uma possível reestruturação nas estratégias de investimento futuras. Este artigo analisará profundamente as previsões para a cotação do dólar em relação ao yuan, ajudando investidores a aproveitarem as oportunidades até 2026.
O yuan encerra três anos de depreciação e a lógica por trás da quebra da barreira de 7.0
2025 será um ponto de inflexão para o yuan. Durante o ano, a cotação do dólar em yuans oscilou entre 6.95 e 7.35, com uma valorização acumulada de cerca de 4%. Mais importante, com o avanço das negociações sino-americanas, a reversão do dólar em relação ao índice de força do dólar (DXY), e o retorno do interesse estrangeiro pelos ativos chineses, o yuan conseguiu fechar o ano acima de 7.0, atingindo cerca de 6.9623, a maior cotação desde 2022.
Essa mudança não foi fácil. No primeiro semestre, o yuan enfrentou testes severos. Com a incerteza crescente nas políticas tarifárias globais, o dólar forte, o yuan offshore chegou a romper 7.40 e até atingir níveis inéditos desde a reforma cambial de 2015 (8.11). O mercado chegou a ficar pessimista quanto ao futuro do yuan.
Porém, na segunda metade do ano, a situação mudou drasticamente. As negociações comerciais sino-americanas avançaram, sinais de distensão nas relações bilaterais surgiram, e o dólar começou a recuar — esses fatores, combinados, abriram espaço para o yuan subir. Especialmente num cenário de valorização de outras moedas não-americanas, o yuan começou a se apreciar moderadamente frente ao dólar, mudando o sentimento de pessimismo extremo para uma postura mais cautelosamente otimista.
Quem impulsiona a cotação do dólar em relação ao yuan? Quatro fatores-chave em análise profunda
Para prever com precisão a tendência do dólar frente ao yuan, é fundamental entender os fatores que a impulsionam. Esses fatores vêm tanto do ambiente externo quanto de políticas internas, interagindo e se limitando mutuamente.
O duplo impacto do índice do dólar (DXY)
Em 2025, o dólar apresentou forte volatilidade. No primeiro semestre, caiu de 109 para cerca de 98, uma queda de quase 10%, marcando o desempenho mais fraco desde os anos 1970. Contudo, em novembro, com a expectativa de redução de juros pelo Fed, a economia americana superando as expectativas, o DXY começou a se recuperar, ultrapassando várias vezes a marca de 100.
Embora isso pareça pressionar o yuan, o impacto positivo das negociações sino-americanas temporariamente neutralizou a alta do dólar. Em início de 2026, com o Fed iniciando oficialmente um novo ciclo de afrouxamento monetário, o DXY recuou para entre 98.8 e 98.2. A tendência de desdolarização global e a postura dovish do Fed criam uma janela favorável para o yuan manter a “era dos 6”. A extensão do potencial de queda do dólar determinará diretamente o limite de alta do dólar em relação ao yuan.
A delicada balança nas relações comerciais sino-americanas
Na última rodada de negociações em Kuala Lumpur, as partes chegaram a um consenso importante. Os EUA reduziram as tarifas sobre produtos chineses relacionados à fentanil de 20% para 10%, e suspenderam temporariamente a sobretaxa de 24% até novembro de 2026. Além disso, concordaram em adiar restrições à exportação de terras raras, tarifas portuárias e ampliar compras de soja e outros produtos agrícolas americanos.
Porém, essa estabilidade é extremamente frágil. Divergências profundas em comércio e tecnologia ainda persistem, apenas sob controle temporário. Portanto, a continuidade de uma melhora substantiva nas relações sino-americanas até o segundo semestre de 2026 será o principal fator externo na previsão do câmbio dólar-yuan. Se o status quo se mantiver, o yuan permanecerá relativamente estável; se as tensões aumentarem, o mercado poderá pressionar o yuan para baixo.
O impacto de longo prazo da mudança na política do Fed
A política monetária do Federal Reserve é crucial para o dólar. Em 2026, espera-se ainda 2 a 3 cortes de juros. Apesar de dados inflacionários às vezes mostrarem volatilidade, a atenção do Fed se voltará a evitar uma desaceleração brusca da economia, com uma postura de prevenção que enfraquece o rendimento dos títulos do Tesouro americano.
O que significa uma redução na diferença de juros? Significa que o apetite por títulos de alta rentabilidade dos EUA diminui, e o capital começa a retornar a mercados emergentes, impulsionando o yuan. Este é um fator favorável de médio prazo.
O ciclo de afrouxamento do Banco Central da China
O Banco Popular da China tende a manter uma política monetária acomodatícia para apoiar a recuperação econômica, especialmente diante do enfraquecimento do mercado imobiliário e da demanda interna. Cortes de juros ou de reservas podem gerar pressão de depreciação sobre o yuan — efeito de curto prazo.
Por outro lado, se essa política expansionista for acompanhada de estímulos fiscais mais robustos, estabilizando a economia chinesa, o yuan poderá se valorizar a longo prazo. Investidores devem distinguir entre sinais de política de curto prazo e fundamentos econômicos de longo prazo.
Previsões de bancos de investimento para 2026: o yuan tende a se fortalecer ainda mais
O mercado acredita que o ciclo de depreciação do yuan pode estar chegando ao fim, e o país pode iniciar uma nova fase de valorização de médio a longo prazo.
Bancos internacionais oferecem previsões relativamente otimistas. Deutsche Bank aponta que a recente força do yuan frente ao dólar pode indicar o início de um ciclo de valorização prolongada, prevendo que em 2026 o dólar possa chegar a 6.7 yuans. Goldman Sachs é ainda mais otimista, projetando uma cotação de 6.85 em 2026.
Qual a lógica por trás dessas previsões? Três fatores principais: primeiro, a resiliência contínua das exportações chinesas; segundo, a consolidação da tendência de reentrada de capitais estrangeiros em ativos denominados em yuan; terceiro, a manutenção de uma estrutura de dólar estruturalmente fraca. Esses fatores se reforçam mutuamente, criando uma base sólida para a valorização do yuan.
Ainda é lucrativo investir em yuan agora? Análise de momento e estratégias
Para investidores, a dúvida central é: é tarde demais para entrar? Ainda há espaço para valorização?
Do ponto de vista técnico, o yuan deve permanecer em forte oscilação de curto prazo. Após superar a barreira de 7.0 no final de 2025, o mercado mostra uma forte correlação com o dólar, com suporte firme em torno de 6.9. Como já estabilizou abaixo de 7.0 no início de 2026, é improvável uma nova queda abaixo de 7.1 no curto prazo. O mercado busca um novo equilíbrio entre 6.90 e 7.00.
O que isso significa? Que o potencial de valorização pode ser limitado, mas o risco também é controlado. Investidores mais agressivos podem considerar posições vendidas entre 6.95 e 7.00; investidores mais conservadores devem monitorar variáveis adicionais.
Três variáveis principais a acompanhar:
Quão baixo pode chegar o dólar? O Fed reduzirá juros em 2026 de forma a enfraquecer ainda mais o moeda americana? Isso determinará o teto de valorização do yuan.
O Banco Central chinês usará a taxa de referência (fixação do meio do dia) para sinalizar uma contenção na rápida valorização do moeda? O PBOC geralmente evita uma valorização excessiva, podendo intervir para equilibrar o câmbio.
Quão forte será o estímulo à economia chinesa em 2026, via políticas de crescimento e estímulo ao mercado de ações? Isso influenciará o piso de longo prazo do yuan, sendo o fator mais fundamental.
Quatro dimensões para avaliar com precisão a tendência cambial futura
Mais importante do que dar uma resposta pronta é construir uma estrutura de análise. Após entender os fatores que influenciam, investidores devem estabelecer seu próprio quadro de julgamento. Independentemente das mudanças de mercado ou de políticas, a trajetória do yuan pode ser avaliada considerando quatro dimensões:
Primeira dimensão: orientação da política monetária do Banco Central
O Banco Popular da China define a direção da política monetária, influenciando a liquidez. Quando a política é expansionista (como cortes de juros ou de reservas), espera-se aumento da oferta monetária e, consequentemente, o yuan tende a se depreciar; quando a política é contracionista (aumentando juros ou reservas), a liquidez diminui e o yuan tende a se valorizar.
Exemplo clássico: em 2014, o PBOC adotou uma política de afrouxamento, cortando juros seis vezes consecutivas e reduzindo reservas de 18% para menos de 8%. Como resultado, o dólar/yuans subiu de 6 para até 7.4, demonstrando o impacto profundo da política cambial.
Segunda dimensão: fundamentos econômicos chineses
A atratividade de um país depende de seus dados econômicos. Quando a economia chinesa cresce de forma estável e melhor que outros emergentes, há fluxo de capitais estrangeiros, aumentando a demanda pelo yuan e valorizando-o. O contrário ocorre se os fundamentos piorarem.
Indicadores importantes incluem: PIB, PMI, CPI, investimentos em infraestrutura. Uma economia sólida sustenta a valorização do yuan.
Terceira dimensão: tendência do dólar e política internacional
O movimento do dólar impacta diretamente o câmbio USD/CNY. Decisões do Fed, do BCE e de outros bancos centrais influenciam o dólar. Por exemplo, em 2017, a recuperação da economia europeia e sinais de aperto monetário fortaleceram o euro, enquanto o dólar enfraqueceu, levando a uma queda do USD/CNY.
Observar o dólar, as políticas do Fed e de outros bancos centrais é essencial para prever o yuan.
Quarta dimensão: sinais de orientação do governo
Desde a abertura econômica, o yuan passou por várias reformas cambiais. Em 2017, o modelo de cotação do meio do dia foi ajustado, incluindo um fator contracíclico, permitindo ao governo maior controle de curto prazo. Assim, o governo pode intervir para evitar movimentos excessivos, embora a tendência de longo prazo seja determinada pelos fundamentos.
Como o yuan evoluiu nos últimos cinco anos
Analisando o histórico recente, podemos entender o posicionamento atual:
2020: início da pandemia, o dólar oscilou entre 6.9 e 7.0. Em maio, o yuan chegou a 7.18 devido à crise, mas com recuperação rápida, fechando o ano em torno de 6.50, valorizando cerca de 6%.
2021: estabilidade, com o dólar entre 6.35 e 6.58, média de 6.45, forte valorização.
2022: início da tendência de depreciação, dólar subiu acima de 7.25, queda de cerca de 8%, por causa de aumento de juros nos EUA e crise imobiliária na China.
2023: dólar entre 6.83 e 7.35, média de 7.0, com pressão contínua.
2024: volatilidade maior, com o dólar recuando de 7.1 para cerca de 7.3, e o yuan offshore atingindo níveis inéditos.
Projeções para 2025-2026 indicam uma mudança de ciclo, com o yuan entrando em fase de valorização, com alvo entre 6.70 e 6.85, cerca de 5-10% de potencial de alta.
Yuan offshore (CNH) versus onshore (CNY): diferenças de volatilidade e oportunidades
O CNH, negociado em Hong Kong, Singapura e outros mercados internacionais, é mais livre, refletindo o sentimento global e fluxo de capitais. O CNY, sob controle do Banco Central, é mais estável, mas também mais influenciado por intervenções.
Em 2025, o CNH mostrou tendência de alta, superando 6.95, atingindo níveis inéditos em 14 meses, sinalizando confiança internacional na valorização do yuan. Para investidores com maior tolerância ao risco, o CNH oferece maior potencial de retorno, embora com maior volatilidade.
Previsão para 2026: do planejamento à prática
Resumindo:
O yuan encerrou o ciclo de depreciação e deve iniciar uma fase de valorização de médio a longo prazo.
Previsões de bancos como Deutsche Bank (6.7) e Goldman Sachs (6.85) oferecem referências concretas.
Os fatores-chave são: trajetória do dólar, evolução das relações sino-americanas e dados econômicos chineses.
Investidores devem lembrar: o mercado cambial é influenciado por fatores macroeconômicos, dados econômicos são transparentes, e há grande volume de negociações, tornando-o relativamente justo. Compreender a lógica por trás do movimento do USD/CNY é a chave para lucrar nesse mercado.
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Previsão da tendência do dólar americano face ao yuan em 2026: de um ciclo de desvalorização para um ciclo de valorização
O renminbi, após um ciclo de depreciação contínua de três anos de 2022 a 2024, enfrenta um momento de virada importante. Recentemente, o yuan conseguiu superar a barreira psicológica de 7.0 e atualmente mantém uma base sólida em torno de 6.9, iniciando uma nova fase de valorização de médio a longo prazo. Isso não só indica uma mudança no ciclo cambial, mas também sinaliza uma possível reestruturação nas estratégias de investimento futuras. Este artigo analisará profundamente as previsões para a cotação do dólar em relação ao yuan, ajudando investidores a aproveitarem as oportunidades até 2026.
O yuan encerra três anos de depreciação e a lógica por trás da quebra da barreira de 7.0
2025 será um ponto de inflexão para o yuan. Durante o ano, a cotação do dólar em yuans oscilou entre 6.95 e 7.35, com uma valorização acumulada de cerca de 4%. Mais importante, com o avanço das negociações sino-americanas, a reversão do dólar em relação ao índice de força do dólar (DXY), e o retorno do interesse estrangeiro pelos ativos chineses, o yuan conseguiu fechar o ano acima de 7.0, atingindo cerca de 6.9623, a maior cotação desde 2022.
Essa mudança não foi fácil. No primeiro semestre, o yuan enfrentou testes severos. Com a incerteza crescente nas políticas tarifárias globais, o dólar forte, o yuan offshore chegou a romper 7.40 e até atingir níveis inéditos desde a reforma cambial de 2015 (8.11). O mercado chegou a ficar pessimista quanto ao futuro do yuan.
Porém, na segunda metade do ano, a situação mudou drasticamente. As negociações comerciais sino-americanas avançaram, sinais de distensão nas relações bilaterais surgiram, e o dólar começou a recuar — esses fatores, combinados, abriram espaço para o yuan subir. Especialmente num cenário de valorização de outras moedas não-americanas, o yuan começou a se apreciar moderadamente frente ao dólar, mudando o sentimento de pessimismo extremo para uma postura mais cautelosamente otimista.
Quem impulsiona a cotação do dólar em relação ao yuan? Quatro fatores-chave em análise profunda
Para prever com precisão a tendência do dólar frente ao yuan, é fundamental entender os fatores que a impulsionam. Esses fatores vêm tanto do ambiente externo quanto de políticas internas, interagindo e se limitando mutuamente.
O duplo impacto do índice do dólar (DXY)
Em 2025, o dólar apresentou forte volatilidade. No primeiro semestre, caiu de 109 para cerca de 98, uma queda de quase 10%, marcando o desempenho mais fraco desde os anos 1970. Contudo, em novembro, com a expectativa de redução de juros pelo Fed, a economia americana superando as expectativas, o DXY começou a se recuperar, ultrapassando várias vezes a marca de 100.
Embora isso pareça pressionar o yuan, o impacto positivo das negociações sino-americanas temporariamente neutralizou a alta do dólar. Em início de 2026, com o Fed iniciando oficialmente um novo ciclo de afrouxamento monetário, o DXY recuou para entre 98.8 e 98.2. A tendência de desdolarização global e a postura dovish do Fed criam uma janela favorável para o yuan manter a “era dos 6”. A extensão do potencial de queda do dólar determinará diretamente o limite de alta do dólar em relação ao yuan.
A delicada balança nas relações comerciais sino-americanas
Na última rodada de negociações em Kuala Lumpur, as partes chegaram a um consenso importante. Os EUA reduziram as tarifas sobre produtos chineses relacionados à fentanil de 20% para 10%, e suspenderam temporariamente a sobretaxa de 24% até novembro de 2026. Além disso, concordaram em adiar restrições à exportação de terras raras, tarifas portuárias e ampliar compras de soja e outros produtos agrícolas americanos.
Porém, essa estabilidade é extremamente frágil. Divergências profundas em comércio e tecnologia ainda persistem, apenas sob controle temporário. Portanto, a continuidade de uma melhora substantiva nas relações sino-americanas até o segundo semestre de 2026 será o principal fator externo na previsão do câmbio dólar-yuan. Se o status quo se mantiver, o yuan permanecerá relativamente estável; se as tensões aumentarem, o mercado poderá pressionar o yuan para baixo.
O impacto de longo prazo da mudança na política do Fed
A política monetária do Federal Reserve é crucial para o dólar. Em 2026, espera-se ainda 2 a 3 cortes de juros. Apesar de dados inflacionários às vezes mostrarem volatilidade, a atenção do Fed se voltará a evitar uma desaceleração brusca da economia, com uma postura de prevenção que enfraquece o rendimento dos títulos do Tesouro americano.
O que significa uma redução na diferença de juros? Significa que o apetite por títulos de alta rentabilidade dos EUA diminui, e o capital começa a retornar a mercados emergentes, impulsionando o yuan. Este é um fator favorável de médio prazo.
O ciclo de afrouxamento do Banco Central da China
O Banco Popular da China tende a manter uma política monetária acomodatícia para apoiar a recuperação econômica, especialmente diante do enfraquecimento do mercado imobiliário e da demanda interna. Cortes de juros ou de reservas podem gerar pressão de depreciação sobre o yuan — efeito de curto prazo.
Por outro lado, se essa política expansionista for acompanhada de estímulos fiscais mais robustos, estabilizando a economia chinesa, o yuan poderá se valorizar a longo prazo. Investidores devem distinguir entre sinais de política de curto prazo e fundamentos econômicos de longo prazo.
Previsões de bancos de investimento para 2026: o yuan tende a se fortalecer ainda mais
O mercado acredita que o ciclo de depreciação do yuan pode estar chegando ao fim, e o país pode iniciar uma nova fase de valorização de médio a longo prazo.
Bancos internacionais oferecem previsões relativamente otimistas. Deutsche Bank aponta que a recente força do yuan frente ao dólar pode indicar o início de um ciclo de valorização prolongada, prevendo que em 2026 o dólar possa chegar a 6.7 yuans. Goldman Sachs é ainda mais otimista, projetando uma cotação de 6.85 em 2026.
Qual a lógica por trás dessas previsões? Três fatores principais: primeiro, a resiliência contínua das exportações chinesas; segundo, a consolidação da tendência de reentrada de capitais estrangeiros em ativos denominados em yuan; terceiro, a manutenção de uma estrutura de dólar estruturalmente fraca. Esses fatores se reforçam mutuamente, criando uma base sólida para a valorização do yuan.
Ainda é lucrativo investir em yuan agora? Análise de momento e estratégias
Para investidores, a dúvida central é: é tarde demais para entrar? Ainda há espaço para valorização?
Do ponto de vista técnico, o yuan deve permanecer em forte oscilação de curto prazo. Após superar a barreira de 7.0 no final de 2025, o mercado mostra uma forte correlação com o dólar, com suporte firme em torno de 6.9. Como já estabilizou abaixo de 7.0 no início de 2026, é improvável uma nova queda abaixo de 7.1 no curto prazo. O mercado busca um novo equilíbrio entre 6.90 e 7.00.
O que isso significa? Que o potencial de valorização pode ser limitado, mas o risco também é controlado. Investidores mais agressivos podem considerar posições vendidas entre 6.95 e 7.00; investidores mais conservadores devem monitorar variáveis adicionais.
Três variáveis principais a acompanhar:
Quão baixo pode chegar o dólar? O Fed reduzirá juros em 2026 de forma a enfraquecer ainda mais o moeda americana? Isso determinará o teto de valorização do yuan.
O Banco Central chinês usará a taxa de referência (fixação do meio do dia) para sinalizar uma contenção na rápida valorização do moeda? O PBOC geralmente evita uma valorização excessiva, podendo intervir para equilibrar o câmbio.
Quão forte será o estímulo à economia chinesa em 2026, via políticas de crescimento e estímulo ao mercado de ações? Isso influenciará o piso de longo prazo do yuan, sendo o fator mais fundamental.
Quatro dimensões para avaliar com precisão a tendência cambial futura
Mais importante do que dar uma resposta pronta é construir uma estrutura de análise. Após entender os fatores que influenciam, investidores devem estabelecer seu próprio quadro de julgamento. Independentemente das mudanças de mercado ou de políticas, a trajetória do yuan pode ser avaliada considerando quatro dimensões:
Primeira dimensão: orientação da política monetária do Banco Central
O Banco Popular da China define a direção da política monetária, influenciando a liquidez. Quando a política é expansionista (como cortes de juros ou de reservas), espera-se aumento da oferta monetária e, consequentemente, o yuan tende a se depreciar; quando a política é contracionista (aumentando juros ou reservas), a liquidez diminui e o yuan tende a se valorizar.
Exemplo clássico: em 2014, o PBOC adotou uma política de afrouxamento, cortando juros seis vezes consecutivas e reduzindo reservas de 18% para menos de 8%. Como resultado, o dólar/yuans subiu de 6 para até 7.4, demonstrando o impacto profundo da política cambial.
Segunda dimensão: fundamentos econômicos chineses
A atratividade de um país depende de seus dados econômicos. Quando a economia chinesa cresce de forma estável e melhor que outros emergentes, há fluxo de capitais estrangeiros, aumentando a demanda pelo yuan e valorizando-o. O contrário ocorre se os fundamentos piorarem.
Indicadores importantes incluem: PIB, PMI, CPI, investimentos em infraestrutura. Uma economia sólida sustenta a valorização do yuan.
Terceira dimensão: tendência do dólar e política internacional
O movimento do dólar impacta diretamente o câmbio USD/CNY. Decisões do Fed, do BCE e de outros bancos centrais influenciam o dólar. Por exemplo, em 2017, a recuperação da economia europeia e sinais de aperto monetário fortaleceram o euro, enquanto o dólar enfraqueceu, levando a uma queda do USD/CNY.
Observar o dólar, as políticas do Fed e de outros bancos centrais é essencial para prever o yuan.
Quarta dimensão: sinais de orientação do governo
Desde a abertura econômica, o yuan passou por várias reformas cambiais. Em 2017, o modelo de cotação do meio do dia foi ajustado, incluindo um fator contracíclico, permitindo ao governo maior controle de curto prazo. Assim, o governo pode intervir para evitar movimentos excessivos, embora a tendência de longo prazo seja determinada pelos fundamentos.
Como o yuan evoluiu nos últimos cinco anos
Analisando o histórico recente, podemos entender o posicionamento atual:
2020: início da pandemia, o dólar oscilou entre 6.9 e 7.0. Em maio, o yuan chegou a 7.18 devido à crise, mas com recuperação rápida, fechando o ano em torno de 6.50, valorizando cerca de 6%.
2021: estabilidade, com o dólar entre 6.35 e 6.58, média de 6.45, forte valorização.
2022: início da tendência de depreciação, dólar subiu acima de 7.25, queda de cerca de 8%, por causa de aumento de juros nos EUA e crise imobiliária na China.
2023: dólar entre 6.83 e 7.35, média de 7.0, com pressão contínua.
2024: volatilidade maior, com o dólar recuando de 7.1 para cerca de 7.3, e o yuan offshore atingindo níveis inéditos.
Projeções para 2025-2026 indicam uma mudança de ciclo, com o yuan entrando em fase de valorização, com alvo entre 6.70 e 6.85, cerca de 5-10% de potencial de alta.
Yuan offshore (CNH) versus onshore (CNY): diferenças de volatilidade e oportunidades
O CNH, negociado em Hong Kong, Singapura e outros mercados internacionais, é mais livre, refletindo o sentimento global e fluxo de capitais. O CNY, sob controle do Banco Central, é mais estável, mas também mais influenciado por intervenções.
Em 2025, o CNH mostrou tendência de alta, superando 6.95, atingindo níveis inéditos em 14 meses, sinalizando confiança internacional na valorização do yuan. Para investidores com maior tolerância ao risco, o CNH oferece maior potencial de retorno, embora com maior volatilidade.
Previsão para 2026: do planejamento à prática
Resumindo:
O yuan encerrou o ciclo de depreciação e deve iniciar uma fase de valorização de médio a longo prazo.
Previsões de bancos como Deutsche Bank (6.7) e Goldman Sachs (6.85) oferecem referências concretas.
Os fatores-chave são: trajetória do dólar, evolução das relações sino-americanas e dados econômicos chineses.
Estratégias: curto prazo (6.95-7.00), médio prazo (6.70-6.85), longo prazo (monitorar recuperação econômica).
Investidores devem lembrar: o mercado cambial é influenciado por fatores macroeconômicos, dados econômicos são transparentes, e há grande volume de negociações, tornando-o relativamente justo. Compreender a lógica por trás do movimento do USD/CNY é a chave para lucrar nesse mercado.