Histórico de 20 anos do mínimo do euro: análise completa do percurso desde o pico até ao fundo

Como a segunda maior moeda de reserva global, o euro tem passado por várias oscilações drásticas desde a sua entrada em circulação em 2002. Desde o pico histórico de 1.6038 em 2008, durante a crise financeira, até ao mínimo histórico de 0.9536 em 2022, estes 20 anos de variações do euro refletem uma espécie de história económica global condensada. Este artigo irá analisar os eventos-chave antes e depois do mínimo histórico do euro, aprofundar os fatores económicos e políticos que impulsionaram estas oscilações e fazer uma perspetiva de longo prazo sobre o investimento.

Crise financeira global e o duplo impacto na Europa: o ponto de viragem de 2008

Em julho de 2008, o euro atingiu temporariamente o pico histórico de 1.6038 face ao dólar, antes de recuar. Este período coincidiu com a eclosão da crise de hipotecas subprime nos EUA (2007-2008), também conhecida como a crise financeira. Esta crise provocou uma reação em cadeia no sistema financeiro europeu, marcando o início de uma longa fase de oscilações do euro.

O impacto veio de várias frentes. Os bancos europeus enfrentaram enorme pressão, com muitos ativos financeiros sendo vendidos a preços muito baixos, especialmente produtos financeiros complexos relacionados com hipotecas subprime. Embora o epicentro da crise estivesse nos EUA, as ligações profundas entre os grandes bancos europeus e o sistema bancário americano fizeram com que o risco se propagasse rapidamente por toda a Europa, afetando a estabilidade do setor bancário e, consequentemente, o valor do euro.

A seguir, a contração do crédito agravou a recessão económica. Após a falência do Lehman Brothers em setembro de 2008, os mercados financeiros globais mergulharam no pânico, com o risco de contraparte a dominar as preocupações do mercado. Os bancos tornaram-se extremamente cautelosos, restringindo fortemente os empréstimos às empresas e consumidores. Assim, os investimentos e o consumo na zona euro caíram drasticamente, levando a uma recessão.

Para combater a crise, os governos europeus lançaram grandes pacotes de estímulo fiscal, o que levou a aumentos acentuados nos défices orçamentais e na dívida pública. O Banco Central Europeu (BCE) também reagiu rapidamente, após a última subida de juros em julho de 2008, revertendo para cortes de juros e iniciando programas de flexibilização quantitativa (QE), tentando estabilizar os mercados financeiros. Estas medidas aliviaram a crise de liquidez, mas também exerceram pressão de depreciação do euro a longo prazo.

À medida que a crise se aprofundava, emergiram problemas de dívida soberana na Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália — os chamados “Cinco Países PIGS”. A crise da dívida destes países gerou receios quanto à sua capacidade de pagamento, agravando as expectativas pessimistas em relação ao euro e levantando dúvidas sobre a sustentabilidade do mecanismo de funcionamento da zona euro.

Longo período de recuperação após a crise da dívida: 2009-2016

Após a crise de 2008, o euro iniciou um período de quase nove anos de declínio. Durante este tempo, a crise da dívida europeia continuou a evoluir, enquanto a política de QE do BCE enfraquecia ainda mais a moeda comum, com investidores globais a moverem-se para ativos considerados mais seguros, como o dólar.

Este período refletiu problemas estruturais na zona euro: elevados níveis de dívida, crescimento económico fraco e altas taxas de desemprego. Apesar de a fase aguda da crise da dívida ter sido controlada por volta de 2012 — com o famoso discurso de Mario Draghi de “fazer tudo o que for necessário para defender o euro” — a recuperação económica foi lenta. O BCE manteve uma política de juros negativos durante oito anos, com QE em expansão, fatores que exerceram uma pressão contínua de depreciação sobre o euro.

Sinal de fundo de reversão: o mínimo de 2017 e o início de uma recuperação

Em janeiro de 2017, o euro caiu até 1.034 face ao dólar, atingindo o seu mínimo histórico, antes de começar a recuperar. Este ponto de viragem resultou de múltiplos fatores.

Primeiro, as políticas de estímulo do BCE começaram a mostrar efeitos positivos. Após anos de QE e juros negativos, os indicadores económicos da zona euro melhoraram gradualmente. No final de 2016, a taxa de desemprego na zona euro caiu abaixo de 10%, e o índice de gestores de compras (PMI) do setor manufatureiro ultrapassou os 55 pontos, indicando uma aceleração do crescimento económico. Estes dados positivos criaram uma base para uma reavaliação do euro pelo mercado.

Em segundo lugar, os riscos políticos na Europa foram atenuados. 2017 foi ano de eleições em vários países da zona euro, com receios de que forças populistas anti-euro pudessem ganhar terreno. No entanto, os resultados eleitorais mostraram que os principais eleitores europeus continuaram a apoiar posições pró-euro. Além disso, as negociações do Brexit, iniciadas em fevereiro, ajudaram a reduzir a incerteza sobre o futuro do Reino Unido, o que também beneficiou o euro.

Mais importante, o euro encontrava-se tecnicamente bastante sobrevendido. Em comparação com o pico de 1.6038 em 2008, o euro tinha caído mais de 35%. Após quase nove anos de queda, esta forte desvalorização criou uma base sólida para uma recuperação. O mercado já tinha digerido amplamente os fatores negativos (crise da dívida, políticas de QE), pelo que o euro estava “exaurido de más notícias”.

Reversão temporária e nova pressão: os máximos de 2018 e o subsequente recuo

Em fevereiro de 2018, o euro subiu até 1.2556, atingindo um máximo desde maio de 2015. Contudo, esta recuperação não se sustentou.

O ponto de viragem veio com a mudança de política nos EUA. O Federal Reserve começou a subir juros em 2018 e indicou que continuaria a fazê-lo ao longo do ano, fortalecendo o dólar e pressionando o euro para baixo.

Simultaneamente, o crescimento económico na zona euro começou a desacelerar. Após atingir um pico de 3,1% no PIB no quarto trimestre de 2017, o crescimento começou a diminuir, e o PMI do setor manufatureiro também caiu de perto de 60 no início de 2018. Com o enfraquecimento do ímpeto económico, o euro perdeu o suporte fundamental para subir.

Além disso, a instabilidade política na Itália voltou a preocupar os mercados. Em maio de 2018, o Movimento Cinco Estrelas e a Liga do Norte formaram um governo de coligação, com divergências em políticas económicas, o que aumentou as preocupações com a estabilidade política na zona euro. Estes fatores, combinados, fizeram com que a recuperação do euro em 2018 se desvanecesse progressivamente na segunda metade do ano.

Pandemia, crise energética e guerra Rússia-Ucrânia: 2020-2022, uma tempestade perfeita

A pandemia de COVID-19 em 2020, a guerra na Ucrânia e a crise energética de 2022 criaram uma tempestade perfeita para o euro. Em setembro de 2022, o euro atingiu 0.9536 face ao dólar, o valor mais baixo em 20 anos, representando uma queda superior a 40% desde o pico de 2008.

Após a eclosão do conflito, o sentimento de aversão ao risco aumentou rapidamente. Como principal importador de energia russa, a Europa enfrentou ameaças de interrupções no fornecimento. Os preços do gás natural e do petróleo dispararam em 2022, elevando os custos energéticos e afetando a confiança empresarial e o consumo. Nesse contexto, o dólar, como ativo de refúgio, ganhou atratividade, pressionando o euro.

No entanto, na segunda metade de 2022, a situação começou a mudar. Com a estabilização do conflito (embora ainda em curso), as preocupações com uma recessão global severa diminuíram, e o sentimento de refúgio recuou. Mais importante, o BCE elevou as taxas de juros em julho e setembro de 2022, encerrando oito anos de juros negativos. Estas ações indicam uma postura ativa contra a inflação e deram suporte ao euro.

À medida que as cadeias de abastecimento globais se ajustaram, os preços de energia na Europa começaram a recuar na segunda metade de 2022, aliviando os custos das empresas e apoiando a recuperação do euro. Após atingir o mínimo de 0.9536, o euro reagiu rapidamente, iniciando um novo ciclo de valorização.

Perspetiva de investimento a médio e longo prazo do euro: três fatores decisivos

Para investidores que avaliem se o euro é uma boa oportunidade nos próximos 2-3 anos, é fundamental acompanhar três fatores principais.

Primeiro, os fundamentos económicos da zona euro. Apesar de a taxa de desemprego estar a diminuir e de a recuperação estar consolidada, persistem problemas estruturais como crescimento lento e envelhecimento da indústria. Entre 2023 e 2025, a normalização de riscos geopolíticos (conflito na Ucrânia, tensões no Médio Oriente) continuará a influenciar os fluxos de capital. O PMI do setor manufatureiro caiu abaixo de 45 em 2024, refletindo incerteza. Contudo, a partir de meados de 2025, com a resolução progressiva da crise energética e a reestruturação industrial, a economia deverá melhorar.

Segundo, a postura da política monetária do BCE. Comparativamente, a política do BCE é um fator favorável ao euro. O Federal Reserve iniciou um ciclo de redução de juros no final de 2023, enquanto o BCE mantém uma postura mais cautelosa, com juros relativamente mais altos. Apesar de o euro ainda ter taxas inferiores às do dólar, manter juros elevados pode aumentar a sua atratividade relativa.

Terceiro, a evolução da economia global. Se a economia mundial continuar a crescer, a procura por produtos europeus aumentará, apoiando a valorização do euro. Em contrapartida, uma recessão global pode levar a uma fuga de capitais para os EUA, pressionando o euro para baixo.

Opções de investimento em euro para investidores em Taiwan

Existem várias formas de investir em euro, e os investidores podem escolher de acordo com o seu perfil de risco e hábitos de negociação.

Contas de câmbio em bancos são adequadas para investidores conservadores e de longo prazo. Através de bancos comerciais ou internacionais em Taiwan, é possível abrir contas de câmbio para comprar e vender euros ou fazer investimentos periódicos. A desvantagem é a liquidez relativamente baixa e a limitação a compras (apostas na valorização do euro), sem possibilidade de venda a descoberto.

Corretoras de câmbio e plataformas de CFD são ideais para negociações de curto prazo e investidores com menor capital. Estas plataformas oferecem alavancagem, permitindo operações de compra e venda (long e short), com menor investimento inicial e alta liquidez. São recomendadas para investidores com alguma experiência em trading.

Corretoras de valores mobiliários também oferecem serviços de câmbio. Algumas corretoras locais já disponibilizam negociação de divisas, permitindo comprar e vender euros na plataforma.

Bolsas de futuros são indicadas para investidores familiarizados com derivados. Através do mercado de futuros, é possível negociar contratos de câmbio com maior alavancagem e flexibilidade.

Resumo e recomendações de investimento

Ao revisitar as oscilações do euro nos últimos 20 anos, desde o pico de 1.6038 em 2008 até ao mínimo de 0.9536 em 2022, cada ponto de viragem refletiu diferentes ciclos económicos e ambientes políticos.

Após atingir o mínimo de 2022, o euro iniciou uma fase de recuperação. O seu desempenho futuro dependerá da continuação da melhoria económica na zona euro, da manutenção de uma política monetária relativamente favorável e do crescimento global. Se ocorrerem conflitos geopolíticos ou uma recessão mundial severa, o capital poderá voltar a fluir para os EUA, exercendo pressão sobre o euro.

Para os investidores, o acompanhamento atento dos dados económicos dos EUA e da zona euro, das políticas do BCE e de notícias geopolíticas é fundamental. Em mercados voláteis, manter uma monitorização regular e uma gestão de risco adequada são essenciais para o sucesso do investimento.

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