A média de lucro por pessoa é de aproximadamente 85,62 milhões de dólares, quase 300 vezes a Goldman Sachs e 85 vezes a Nvidia.
Artigo de: Clow
Em 2024, uma empresa chamada Tether apresentou um relatório que deixou Wall Street boquiaberto.
Lucro líquido de 13 bilhões de dólares, cerca de 150 funcionários.
A média de lucro por pessoa é de aproximadamente 85,62 milhões de dólares, quase 300 vezes a Goldman Sachs e 85 vezes a Nvidia.
Não é uma startup de IA, nem um fundo de hedge de topo. É apenas uma emissora de stablecoins — a empresa que emite o USDT.
Quando esses números se espalharam pelo mundo financeiro, a primeira reação de muitos foi: como isso é possível?
Mas se você entender o modelo de negócio da Tether, perceberá que isso não é apenas possível, mas até inevitável.
01 O negócio mais lucrativo do mundo
A lógica de lucro da Tether é conhecida na indústria como “jogo do float de stablecoins”.
A regra é simples: você entrega 1 dólar à Tether e recebe 1 USDT. A Tether pega seu dinheiro e compra títulos do Tesouro dos EUA.
A taxa de retorno anual dos títulos do Tesouro permanece acima de 5% por longos períodos, enquanto o USDT nunca paga juros.
A diferença entre esses valores é toda da Tether.
Até o final de 2025, a Tether detém uma exposição total de 141 bilhões de dólares em títulos do Tesouro, tornando-se a 17ª maior detentora mundial de títulos, superando países soberanos como Alemanha e Coreia do Sul.
Só com títulos do Tesouro, ela gera mais de 4 bilhões de dólares em fluxo de caixa por ano.
E isso é só a primeira camada.
A segunda camada envolve ouro e Bitcoin. A Tether possui cerca de 17 bilhões de dólares em ouro e mais de 96 mil Bitcoins. A forte valorização do ouro em 2025 trouxe um ganho flutuante adicional de mais de 5 bilhões de dólares.
A terceira camada é o prêmio de liquidez. O que os que abrem mão de juros de 5% em títulos do Tesouro ganham? É uma moeda digital que pode ser usada a qualquer momento na Turquia, Argentina, Nigéria. Para mercados com alta inflação e controle cambial, essa liquidez vale mais do que uma taxa de 5% ao ano.
A essência da Tether é uma “banco sombra” global, sem filiais, sem caixas, funcionando 24/7, especializada em capturar as grandes margens que o sistema financeiro tradicional deixa passar por ineficiência.
02 Quebrando as barreiras do pagamento tradicional
O sistema SWIFT foi criado na década de 1970. Depois de meio século, seu funcionamento básico não mudou: bancos intermediários fazem a ponte, passando a operação por vários nós, levando de 3 a 5 dias úteis, com taxas que podem chegar a 7%.
Uma transferência dos EUA para a Nigéria passa por bancos intermediários, cada um cobrando sua taxa, e ainda há horários de funcionamento. Uma remessa iniciada na sexta à noite só começa a ser processada na segunda-feira.
Já uma transferência em USDT na rede Tron pode chegar ao destinatário em 30 segundos, com menos de 1 dólar de taxa, funcionando 24/7, o ano todo.
A diferença de custo é enorme. As taxas tradicionais de pagamento transfronteiriço B2B variam de 1,5% a 7%, às vezes mais de 11% para remessas pessoais; enquanto as redes de stablecoins geralmente cobram entre 0,5% e 2%.
O impacto mais profundo é na acessibilidade. Ainda há centenas de milhões de adultos sem conta bancária. Mas com um celular conectado à internet, podem criar uma carteira de criptomoedas e participar do comércio global. Na África e América Latina, o USDT já é uma ferramenta comum para pequenas e médias empresas pagarem fornecedores internacionais.
Em 2025, novos sistemas Web3 POS usam tecnologia NFC para pagamentos por toque, levando pagamentos criptográficos às lojas físicas.
Essa barreira está sendo derrubada de todos os lados.
03 Pay-Fi: a nova lógica do dinheiro
Pagamento + finanças, agora com um novo nome: Pay-Fi (Payment Finance).
O pagamento tradicional resolve o problema de “dinheiro de A para B”. O Pay-Fi quer resolver o problema de “dinheiro de A para B, enquanto ainda gera juros na estrada”.
Protocolos como o Huma Finance estão tokenizando contas a receber de empresas, oferecendo financiamento instantâneo via pools de liquidez na blockchain, resolvendo a pressão de capital pré-paga no comércio internacional. Até o início de 2026, o volume de transações do protocolo Huma ultrapassou 10 bilhões de dólares, com capacidade de liquidação em tempo real (T+0), atraindo cada vez mais instituições financeiras tradicionais.
A infraestrutura básica também está evoluindo. Ethereum L2, com tecnologia Rollup, reduz drasticamente os custos de transações na cadeia; Celestia e EigenDA reduzem custos de armazenamento de dados, possibilitando microtransações em grande escala. A rede Tron, com seu grande estoque de USDT e baixas taxas de transferência, continua sendo a rede de stablecoins mais movimentada globalmente.
O mercado de stablecoins também está se especializando. USDT domina cerca de 59% do mercado de pagamentos offshore e em mercados emergentes; USDC, por sua conformidade e transparência, domina transferências e liquidações nos EUA, especialmente em ambientes regulados. PayPal com PYUSD foca no comércio varejista via rede de comerciantes; Ripple com RLUSD mira grandes transferências interbancárias.
O mercado não é mais dominado por uma única empresa, mas está se tornando cada vez mais especializado.
04 Os limites da ambição da Tether
Com tanto dinheiro, como a Tether pretende usá-lo?
Comprar fazendas de mineração. Na Uruguai, Paraguai e El Salvador, investiu mais de 2 bilhões de dólares em 15 usinas de energia e mineração de Bitcoin, com o objetivo de se tornar a maior mineradora do mundo.
Investir em IA. Por meio de empresas como Northern Data Group, já investiu mais de 1 bilhão de dólares em infraestrutura de computação de IA.
Comprar robôs. Até o final de 2025, investiu 70 milhões de euros na startup italiana de robótica Generative Bionics; também avalia investir até 1,15 bilhão de dólares na alemã Neura, com o objetivo de produzir 5 milhões de robôs humanoides até 2030.
A lógica por trás é simples: em uma economia operada por IA e robôs autônomos, a troca de valor entre eles precisa de uma moeda digital instantânea e programável. O USDT é o candidato mais óbvio para esse papel.
A regulamentação também está apoiando essa visão. Em julho de 2025, a lei americana GENIUS foi aprovada, criando uma via legal para emissão de stablecoins sob supervisão, excluindo-as de classificação como valores mobiliários ou commodities. A estrutura MiCA da UE também entrou em vigor no mesmo ano, trazendo as stablecoins para o mainstream regulatório.
Wall Street também está entrando na jogada. A corretora de títulos do Tesouro dos EUA, Cantor Fitzgerald, detém cerca de 5% do Tether, e seu CEO, Howard Lutnick, já declarou publicamente que confia na reserva da Tether. Essa ligação profunda significa que a Tether deixou de ser apenas um projeto de criptomoeda e se integrou silenciosamente às redes de interesses do sistema financeiro tradicional.
05 Resumo
De uma emissora de stablecoins a uma das 20 maiores detentoras de títulos do Tesouro dos EUA, até investidora em fábricas de robôs — cada passo da expansão da Tether aponta para um mesmo objetivo:
O controle sobre a definição de moeda está migrando silenciosamente do poder de impressão dos países soberanos para redes digitais que oferecem maior eficiência e menor fricção.
Esse processo não é uma revolução, mas uma infiltração.
O sistema SWIFT ainda funciona, os bancos continuam abertos, o Federal Reserve ajusta as taxas. Mas um outro sistema está crescendo rapidamente nas brechas existentes.
Para cada um que participa desse movimento, talvez valha a pena refletir: nos próximos dez anos, em qual sistema seu dinheiro vai operar?
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Lucro médio por pessoa: 85 milhões, o negócio mais lucrativo do mundo não é a IA
A média de lucro por pessoa é de aproximadamente 85,62 milhões de dólares, quase 300 vezes a Goldman Sachs e 85 vezes a Nvidia.
Artigo de: Clow
Em 2024, uma empresa chamada Tether apresentou um relatório que deixou Wall Street boquiaberto.
Lucro líquido de 13 bilhões de dólares, cerca de 150 funcionários.
A média de lucro por pessoa é de aproximadamente 85,62 milhões de dólares, quase 300 vezes a Goldman Sachs e 85 vezes a Nvidia.
Não é uma startup de IA, nem um fundo de hedge de topo. É apenas uma emissora de stablecoins — a empresa que emite o USDT.
Quando esses números se espalharam pelo mundo financeiro, a primeira reação de muitos foi: como isso é possível?
Mas se você entender o modelo de negócio da Tether, perceberá que isso não é apenas possível, mas até inevitável.
01 O negócio mais lucrativo do mundo
A lógica de lucro da Tether é conhecida na indústria como “jogo do float de stablecoins”.
A regra é simples: você entrega 1 dólar à Tether e recebe 1 USDT. A Tether pega seu dinheiro e compra títulos do Tesouro dos EUA.
A taxa de retorno anual dos títulos do Tesouro permanece acima de 5% por longos períodos, enquanto o USDT nunca paga juros.
A diferença entre esses valores é toda da Tether.
Até o final de 2025, a Tether detém uma exposição total de 141 bilhões de dólares em títulos do Tesouro, tornando-se a 17ª maior detentora mundial de títulos, superando países soberanos como Alemanha e Coreia do Sul.
Só com títulos do Tesouro, ela gera mais de 4 bilhões de dólares em fluxo de caixa por ano.
E isso é só a primeira camada.
A segunda camada envolve ouro e Bitcoin. A Tether possui cerca de 17 bilhões de dólares em ouro e mais de 96 mil Bitcoins. A forte valorização do ouro em 2025 trouxe um ganho flutuante adicional de mais de 5 bilhões de dólares.
A terceira camada é o prêmio de liquidez. O que os que abrem mão de juros de 5% em títulos do Tesouro ganham? É uma moeda digital que pode ser usada a qualquer momento na Turquia, Argentina, Nigéria. Para mercados com alta inflação e controle cambial, essa liquidez vale mais do que uma taxa de 5% ao ano.
A essência da Tether é uma “banco sombra” global, sem filiais, sem caixas, funcionando 24/7, especializada em capturar as grandes margens que o sistema financeiro tradicional deixa passar por ineficiência.
02 Quebrando as barreiras do pagamento tradicional
O sistema SWIFT foi criado na década de 1970. Depois de meio século, seu funcionamento básico não mudou: bancos intermediários fazem a ponte, passando a operação por vários nós, levando de 3 a 5 dias úteis, com taxas que podem chegar a 7%.
Uma transferência dos EUA para a Nigéria passa por bancos intermediários, cada um cobrando sua taxa, e ainda há horários de funcionamento. Uma remessa iniciada na sexta à noite só começa a ser processada na segunda-feira.
Já uma transferência em USDT na rede Tron pode chegar ao destinatário em 30 segundos, com menos de 1 dólar de taxa, funcionando 24/7, o ano todo.
A diferença de custo é enorme. As taxas tradicionais de pagamento transfronteiriço B2B variam de 1,5% a 7%, às vezes mais de 11% para remessas pessoais; enquanto as redes de stablecoins geralmente cobram entre 0,5% e 2%.
O impacto mais profundo é na acessibilidade. Ainda há centenas de milhões de adultos sem conta bancária. Mas com um celular conectado à internet, podem criar uma carteira de criptomoedas e participar do comércio global. Na África e América Latina, o USDT já é uma ferramenta comum para pequenas e médias empresas pagarem fornecedores internacionais.
Em 2025, novos sistemas Web3 POS usam tecnologia NFC para pagamentos por toque, levando pagamentos criptográficos às lojas físicas.
Essa barreira está sendo derrubada de todos os lados.
03 Pay-Fi: a nova lógica do dinheiro
Pagamento + finanças, agora com um novo nome: Pay-Fi (Payment Finance).
O pagamento tradicional resolve o problema de “dinheiro de A para B”. O Pay-Fi quer resolver o problema de “dinheiro de A para B, enquanto ainda gera juros na estrada”.
Protocolos como o Huma Finance estão tokenizando contas a receber de empresas, oferecendo financiamento instantâneo via pools de liquidez na blockchain, resolvendo a pressão de capital pré-paga no comércio internacional. Até o início de 2026, o volume de transações do protocolo Huma ultrapassou 10 bilhões de dólares, com capacidade de liquidação em tempo real (T+0), atraindo cada vez mais instituições financeiras tradicionais.
A infraestrutura básica também está evoluindo. Ethereum L2, com tecnologia Rollup, reduz drasticamente os custos de transações na cadeia; Celestia e EigenDA reduzem custos de armazenamento de dados, possibilitando microtransações em grande escala. A rede Tron, com seu grande estoque de USDT e baixas taxas de transferência, continua sendo a rede de stablecoins mais movimentada globalmente.
O mercado de stablecoins também está se especializando. USDT domina cerca de 59% do mercado de pagamentos offshore e em mercados emergentes; USDC, por sua conformidade e transparência, domina transferências e liquidações nos EUA, especialmente em ambientes regulados. PayPal com PYUSD foca no comércio varejista via rede de comerciantes; Ripple com RLUSD mira grandes transferências interbancárias.
O mercado não é mais dominado por uma única empresa, mas está se tornando cada vez mais especializado.
04 Os limites da ambição da Tether
Com tanto dinheiro, como a Tether pretende usá-lo?
Comprar fazendas de mineração. Na Uruguai, Paraguai e El Salvador, investiu mais de 2 bilhões de dólares em 15 usinas de energia e mineração de Bitcoin, com o objetivo de se tornar a maior mineradora do mundo.
Investir em IA. Por meio de empresas como Northern Data Group, já investiu mais de 1 bilhão de dólares em infraestrutura de computação de IA.
Comprar robôs. Até o final de 2025, investiu 70 milhões de euros na startup italiana de robótica Generative Bionics; também avalia investir até 1,15 bilhão de dólares na alemã Neura, com o objetivo de produzir 5 milhões de robôs humanoides até 2030.
A lógica por trás é simples: em uma economia operada por IA e robôs autônomos, a troca de valor entre eles precisa de uma moeda digital instantânea e programável. O USDT é o candidato mais óbvio para esse papel.
A regulamentação também está apoiando essa visão. Em julho de 2025, a lei americana GENIUS foi aprovada, criando uma via legal para emissão de stablecoins sob supervisão, excluindo-as de classificação como valores mobiliários ou commodities. A estrutura MiCA da UE também entrou em vigor no mesmo ano, trazendo as stablecoins para o mainstream regulatório.
Wall Street também está entrando na jogada. A corretora de títulos do Tesouro dos EUA, Cantor Fitzgerald, detém cerca de 5% do Tether, e seu CEO, Howard Lutnick, já declarou publicamente que confia na reserva da Tether. Essa ligação profunda significa que a Tether deixou de ser apenas um projeto de criptomoeda e se integrou silenciosamente às redes de interesses do sistema financeiro tradicional.
05 Resumo
De uma emissora de stablecoins a uma das 20 maiores detentoras de títulos do Tesouro dos EUA, até investidora em fábricas de robôs — cada passo da expansão da Tether aponta para um mesmo objetivo:
O controle sobre a definição de moeda está migrando silenciosamente do poder de impressão dos países soberanos para redes digitais que oferecem maior eficiência e menor fricção.
Esse processo não é uma revolução, mas uma infiltração.
O sistema SWIFT ainda funciona, os bancos continuam abertos, o Federal Reserve ajusta as taxas. Mas um outro sistema está crescendo rapidamente nas brechas existentes.
Para cada um que participa desse movimento, talvez valha a pena refletir: nos próximos dez anos, em qual sistema seu dinheiro vai operar?