Winslow Carter Strong e a Disputa Cred Bitcoin: Uma Batalha Legal de Seis Anos Concluída

Quando a Cred, uma plataforma de empréstimos em criptomoedas, entrou em falência em novembro de 2020, uma das questões mais controversas que surgiu envolveu o consultor e investidor em criptomoedas Winslow Carter Strong. A questão central: Strong recebeu uma transferência questionável de 516 bitcoins — avaliada em cerca de 4,8 milhões de dólares na transação de 2020 e potencialmente avaliada em aproximadamente 35 milhões de dólares atualmente, com os preços atuais do BTC — ou ele foi de fato reembolsado por fundos que tinha emprestado à plataforma problemática?

O caso, que percorreu os tribunais por mais de três anos, foi finalmente resolvido em fevereiro de 2023 com o arquivamento das acusações remanescentes. No entanto, a disputa destacou a interseção obscura entre empréstimos de alto risco em criptomoedas, relações internas e leis de falência.

A Fundação: Como a Cred Construiu Seu Modelo de Empréstimo

A trajetória da Cred começou em 2018, quando Dan Schatt e Lu Hua fundaram o que inicialmente se chamou Libra Credit, em Singapura. A empresa passou por uma rebranding através da Cyber Quantum, que realizou uma oferta inicial de moedas (ICO) em maio de 2018, antes de finalmente adotar o nome Cred após se mudar para os Estados Unidos.

A oferta principal da plataforma foi o CredEarn, um produto onde os clientes depositavam criptomoedas com a promessa de receber pagamento mais juros na mesma moeda digital. A Cred então emprestava essas criptomoedas à MoKredit, uma plataforma chinesa de microcrédito parcialmente de propriedade do cofundador Lu Hua. A MoKredit posteriormente estendia esses fundos a tomadores — supostamente milhares de jogadores — com taxas de juros chegando a 35%.

Essa estrutura criou uma vulnerabilidade crítica: enquanto os negócios da Cred com a MoKredit eram realizados em stablecoins, as obrigações da empresa para com os clientes do CredEarn permaneciam denominadas em criptomoedas voláteis. Essa incompatibilidade deixou a Cred perigosamente exposta às flutuações de preço.

A Entrada de Strong: De Consultor a Participante Significativo

No início de 2020, Winslow Carter Strong começou a desenvolver vínculos com a Cred como consultor, aproveitando sua reputação como um “golfinho” de criptomoedas, com conexões substanciais na comunidade de alto patrimônio em Porto Rico. Seu papel inicial envolvia apresentar investidores ricos em criptomoedas à plataforma.

Executivos da Cred logo abordaram Strong com uma oportunidade dupla. Ele concordou em emprestar 500 bitcoins à CredEarn com uma taxa de juros de 9%. Mas, ao mesmo tempo, a Cred propôs um investimento alternativo: a compra de um título emitido pela Income Opportunities, uma entidade com sede em Luxemburgo, que a Cred comercializava como um veículo de investimento “remoto de falência”.

Strong posteriormente enfatizou que compreendia as pressões financeiras envolvendo a Cred. Executivos da empresa lhe forneceram briefings confidenciais sobre as operações da MoKredit em janeiro de 2020, mas ele manteve que a compra do título da Income Opportunities era uma decisão estratégica — não uma tentativa de fugir da exposição a criptomoedas, mas sim de concentrar sua posição em uma entidade que acreditava estar mais protegida das responsabilidades diretas da Cred.

Segundo o relato de Strong, a entidade de Luxemburgo estava emprestando 100% de seus ativos diretamente à MoKredit, e sua intenção sempre foi rolar seu empréstimo CredEarn para essa estrutura assim que ela estivesse operacionalmente pronta.

A Transação Disputada: A Transferência de 516 Bitcoins Sob Análise Legal

Em 2 de julho de 2020 — num momento em que a Cred já se encaminhava para a insolvência — a empresa transferiu 516 bitcoins para Winslow Carter Strong. Os executivos da Cred caracterizaram isso como o cumprimento da compra do título da Income Opportunities. No entanto, a queixa legal apresentada posteriormente pelos autores alegava algo fundamentalmente diferente: que a Cred pagou a Strong por um título praticamente sem valor, configurando uma transferência fraudulenta em violação às leis de falência.

De acordo com documentos judiciais de fevereiro de 2022, Darren Azman, advogado que representava o Cred Liquidation Trust na McDermott Will & Emery LLP, afirmou: “É princípio fundamental da lei de falências que uma empresa insolvente não pode transferir ativos em troca de valor zero. Foi exatamente isso que aconteceu aqui.”

Strong contestou totalmente essa caracterização. Ele afirmou que a transferência foi uma simples amortização do principal e juros acumulados do seu empréstimo original de 500 bitcoins. O contrato do título, revisado pelo CoinDesk, tinha uma data de vencimento em 30 de junho de 2020 — ou seja, Strong alegou ter recebido seus fundos dois dias após o vencimento contratual.

Batalha Legal e Resolução: Como o Caso Foi Encerrado

O Cred Liquidation Trust entrou com uma ação, alegando cinco acusações de transferência fraudulenta e buscando recuperar a criptomoeda. O trust já havia recuperado uma quantidade significativa de ativos digitais para os credores e sinalizou sua intenção de adotar estratégias agressivas de recuperação.

No entanto, o percurso do litígio mudou. Em meados de 2022, o tribunal rejeitou duas das cinco acusações contra Strong. Então, em fevereiro de 2023, Strong e os representantes do trust chegaram a um acordo. As acusações remanescentes foram arquivadas com prejuízo, ou seja, o caso nunca poderia ser reaberto.

O resultado foi amargo para Strong. Ele revelou ao CoinDesk que suas perdas totais — incluindo honorários de defesa jurídica e obrigações de acordo — superaram qualquer lucro que tivesse obtido com a transação ou com os juros subsequentes. Em sua visão, ele saiu como mais uma vítima da má gestão financeira da Cred e de contradições internas.

Enquanto isso, o Cred Liquidation Trust continuou seus esforços de recuperação mais amplos, rastreando participações em criptomoedas e perseguindo outras partes envolvidas no colapso da empresa. Os processos de falência evidenciaram o terreno jurídico complexo que envolve transferências de ativos digitais e negociações internas durante eventos de insolvência corporativa.

O caso Cred serve como um alerta sobre os riscos embutidos em plataformas de empréstimos em criptomoedas em estágio inicial, a opacidade das transações internas e as longas batalhas legais que podem surgir quando uma fintech promissora se desmorona.

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