Charlie Shrem e a perseguição dos pioneiros: quando os governos criminalizaram o Bitcoin

Desde os primeiros dias do Bitcoin, uma pergunta persistente tem rondado os mercados regulatórios: o que fazer com aqueles que abraçaram esta tecnologia antes de existirem regras claras? A resposta dos governos tem sido contundente: castigá-los como exemplos. A história de Charlie Shrem e outros pioneiros revela como a repressão política contra as criptomoedas se construiu sobre as costas de pessoas que simplesmente estavam demasiado avançadas para o seu tempo.

Charlie Shrem: o primeiro mártir do Bitcoin

Quando Charlie Shrem cofundou a BitInstant em 2011, o Bitcoin tinha apenas três anos de existência. Não havia regulações claras, não havia padrões internacionais, não havia nada. No entanto, quando o governo dos EUA decidiu que era hora de “pôr ordem”, usou Shrem como aviso. Em 2014, foi condenado a dois anos de prisão por violar procedimentos AML (Anti-Money Laundering) – ou seja, não verificou os clientes conforme exigia uma lei que estava a ser criada em tempo real.

O problema não era que Charlie Shrem fosse um criminoso. O problema era que os pioneiros nunca tiveram a oportunidade de conformar-se a regras que ainda não existiam. Os governos escreveram a lei depois dos factos e depois usaram essas mesmas leis retroativamente para perseguir quem as ignorou por pura ignorância legal.

De Silk Road à repressão global: exemplos de um sistema fora de controlo

Apenas um ano após a prisão de Shrem, Ross Ulbricht, criador do Silk Road, recebeu prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. A desproporção foi evidente: embora o Silk Road fosse utilizado para atividades ilícitas, Ulbricht recebeu uma sentença que muitos especialistas internacionais qualificaram como vingança política mais do que justiça. O Bitcoin era simplesmente uma ferramenta – mas Ross tornou-se símbolo, numa mensagem direta a quem desafiasse a autoridade estatal sobre o dinheiro.

A repressão não se limitou a figuras notórias. Na Índia, entre 2018 e 2021, o governo proibiu diretamente os bancos de colaborarem com casas de câmbio de criptomoedas. Cidadãos comuns que negociavam Bitcoin foram detidos e acusados de “atividade financeira ilegal”. A ironia amarga: quando a Suprema Corte da Índia finalmente declarou que a proibição era inconstitucional, a maioria dos afetados já tinha as suas vidas destruídas.

Quando os impostos se tornaram armas

Os governos descobriram uma arma ainda mais eficaz que a prisão: os impostos confiscatórios. Na Polónia, durante 2017 e 2018, foi introduzido um imposto chamado PCC (Podatek od Czynności Cywilnych, ou imposto sobre atos civis) que incidia sobre cada transação individual. As pessoas recebiam notificações de centenas de milhares ou milhões de zlotys em impostos supostamente devidos – embora na realidade nunca tivessem ganho essa quantia de dinheiro.

Um padrão semelhante repetiu-se na Alemanha e noutros países da União Europeia, onde investidores foram levados aos tribunais acusados de “fraude fiscal” simplesmente por usarem criptomoedas num momento em que as regulações eram contraditórias e confusas. Só após protestos massivos alguns governos recuaram, mas os danos estavam feitos – muitos investidores honestos já enfrentavam consequências severas.

A verdade incómoda: o problema não são as criptomoedas

Observando estes casos de uma perspetiva histórica, emerge uma conclusão clara: o problema nunca foi o Bitcoin nem as criptomoedas. O problema são os governos e os seus políticos, que prometeram liberdade financeira mas entenderam o Bitcoin como uma ameaça existencial. Enquanto a tecnologia buscava descentralizar o dinheiro, os Estados procuravam concentrar o seu controlo.

Os pioneiros como Charlie Shrem não eram criminosos – eram visionários que chegaram demasiado cedo a um mundo não preparado para questionar a sua autoridade monetária. Foram utilizados como exemplos de advertência, como aviso para quem se atrevesse a imaginar um sistema financeiro fora do controlo estatal.

A verdade que permanece silenciada é esta: o Bitcoin foi desenhado para ser livre de políticos. Mas os políticos nunca permitirão voluntariamente um sistema que não possam controlar. Entretanto, gerações de investidores honestos pagaram o preço por fazerem parte de uma revolução que os governos simplesmente não estavam dispostos a permitir.

BTC-2,39%
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
  • Recompensa
  • Comentar
  • Republicar
  • Partilhar
Comentar
0/400
Nenhum comentário
  • Fixar

Negocie cripto em qualquer lugar e a qualquer hora
qrCode
Digitalizar para transferir a aplicação Gate
Novidades
Português (Portugal)
  • 简体中文
  • English
  • Tiếng Việt
  • 繁體中文
  • Español
  • Русский
  • Français (Afrique)
  • Português (Portugal)
  • Bahasa Indonesia
  • 日本語
  • بالعربية
  • Українська
  • Português (Brasil)