A China prepara-se para aprovar uma nova lei sobre minorias étnicas, priorizando o uso da língua mandarim

  • Resumo

  • A lei promove o mandarim como idioma principal de educação e governo

  • A China possui 56 grupos étnicos oficialmente reconhecidos, incluindo os Han

  • Os Han, que falam mandarim, representam 91% da população

  • Críticos argumentam que a lei erode as identidades das minorias étnicas, arriscando rotular a dissidência como separatismo

PEQUIM, 12 de março (Reuters) - Espera-se que a China aprove uma lei sobre uma identidade nacional “compartilhada” entre os 55 grupos étnicos minoritários do país nesta quinta-feira, uma medida que críticos dizem que irá aprofundar a erosão da identidade das pessoas que não são majoritariamente Han e arrisca fazer de qualquer desafiante dessa “unidade” um separatista punível por lei.

Intitulada “Promoção da Unidade Étnica e Progresso”, a lei dos minoritários étnicos visa fortalecer a unidade nacional e promover o rejuvenescimento da nação chinesa, com o Partido Comunista Chinês (PCC) no seu centro, mostrou um rascunho da lei.

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Ela deve ser aprovada na sessão de encerramento da reunião anual do Congresso Nacional do Povo, o legislativo da China.

Oficialmente, a China possui 56 grupos étnicos reconhecidos oficialmente, dominados pelos Han, que representam mais de 91% dos 1,4 bilhões de habitantes do país.

As populações minoritárias da China — incluindo tibetanos, mongóis, Hui, manchus e uigures — estão concentradas em regiões que juntas cobrem aproximadamente metade da área do país, muitas ricas em recursos naturais.

A lei visa promover a integração entre os grupos étnicos por meio de educação, habitação, migração, vida comunitária, cultura, turismo e políticas de desenvolvimento, segundo o texto.

Ela determina que o mandarim seja a língua básica de instrução nas escolas, bem como para o governo e negócios oficiais.

Em ambientes públicos, onde mandarim e línguas minoritárias são usadas juntas, o mandarim deve receber “destaque na colocação, ordem e aspectos similares”, afirmou o rascunho.

“O Estado respeita e protege o aprendizado e uso das línguas e scripts das minorias”, acrescentou.

Grupos religiosos, escolas religiosas e locais de culto devem seguir “a direção da Sinicização da religião na China”, de acordo com o rascunho.

A lei também busca proibir qualquer interferência nas escolhas matrimoniais baseadas em etnia, costume ou religião, para facilitar mais casamentos interétnicos.

‘INTEGRAR COM A MAIORIA’

Allen Carlson, professor associado de governo na Universidade de Cornell e especialista em política externa chinesa, afirmou que a lei reforça um movimento de assimilação.

“A lei deixa claro mais do que nunca que, na China de Xi Jinping, os povos não Han devem fazer mais para se integrar com a maioria Han e, acima de tudo, ser leais a Pequim”, disse, referindo-se à China pelo nome oficial.

Assuntos étnicos estão incorporados ao sistema de governança social da China, com cláusulas que incluem anti-separatismo, segurança fronteiriça, prevenção de riscos e estabilidade social.

Organizações e indivíduos fora da China que realizarem atos contra o país “que prejudiquem a unidade e o progresso étnico ou criem separatismo étnico serão responsabilizados legalmente de acordo com a lei”, afirmou o rascunho.

Um editorial do jornal estatal China Daily afirmou que a lei seguiu um processo legislativo rigoroso, passando por múltiplas leituras e consultas com legisladores e representantes das comunidades minoritárias.

“A lei enfatiza a proteção das tradições culturais e estilos de vida de todos os grupos étnicos… afirmar que as minorias étnicas na China devem escolher entre desenvolvimento econômico e preservação cultural é enganoso”, disse.

Reportagem do escritório de Pequim; Redação de Farah Master; Edição de Kate Mayberry

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