John Bigatton condenado na Austrália por promover BitConnect sem autorização

John Bigatton, um residente australiano, foi condenado a três anos de prisão no Tribunal Distrital de Sydney após sua participação na promoção do BitConnect, a plataforma de criptomoedas que operava como um esquema Ponzi. O tribunal também lhe proibiu de administrar empresas durante cinco anos, de acordo com os registros judiciais e declarações do regulador corporativo australiano divulgadas na semana passada.

As infrações de John Bigatton ocorreram entre agosto de 2017 e janeiro de 2018, período durante o qual utilizou seminários e plataformas de redes sociais para atrair investidores para o BitConnect, oferecendo aconselhamento financeiro sem possuir as licenças necessárias. O caso destaca como promotores não autorizados operaram durante o auge inicial das criptomoedas, explorando a falta de conhecimento dos investidores minoristas sobre esses ativos digitais emergentes.

O mecanismo de fraude do BitConnect

O BitConnect funcionava como um esquema de investimento que exigia que os participantes adquirissem BitConnect Coin (BCC) para acessar oportunidades de rendimento. Os investidores podiam depositar ou emprestar suas moedas BCC durante períodos específicos com a promessa de receber taxas de juros extraordinariamente altas. No entanto, uma vez que os fundos entravam no sistema, os investidores perdiam o controle sobre seus ativos e ficavam impossibilitados de retirar dinheiro até que vencesse o prazo de empréstimo estabelecido pela plataforma, conforme indicado em um comunicado da Comissão Australiana de Valores e Investimentos (ASIC).

Durante uma conferência, John Bigatton prometeu publicamente que o BCC experimentaria uma revalorização de pelo menos US$1.000, partindo de um preço de US$253 em um período de um ano. Apresentou esse investimento como uma alternativa superior aos produtos financeiros tradicionais, como depósitos a prazo bancários. O tribunal observou que, embora Bigatton argumentasse em seus documentos de isenção que seu conselho não constituía aconselhamento financeiro, a natureza substancial de suas ações refletia claramente orientação financeira sujeita à regulamentação.

Resposta regulatória da ASIC

A Comissão Australiana de Valores e Investimentos destacou a gravidade das infrações, com a vice-presidente Sarah Court afirmando que “fornecer orientação financeira sem licença priva os investidores australianos de acesso a salvaguardas essenciais e enfraquece a confiança no setor de serviços financeiros do país”. Essa declaração refletiu a preocupação institucional sobre como promotores não regulados poderiam comprometer a integridade do mercado financeiro australiano.

Em 2018, a ASIC apresentou uma solicitação bem-sucedida ao Tribunal Federal para congelar os ativos de John Bigatton, incluindo especificamente suas participações em criptomoedas. Este procedimento representou a primeira ocasião em que o regulador australiano envolveu ativos digitais em uma ação de congelamento de bens, marcando um precedente importante na regulamentação de criptomoedas. Os procedimentos de recuperação de ativos, atualmente sob supervisão da Polícia Federal Australiana de acordo com a Lei de Recuperação de Ativos, continuam em tramitação no Tribunal Supremo de Nova Gales do Sul.

Além da sentença recente, a ASIC já havia proibido anteriormente John Bigatton de fornecer serviços financeiros em 2020, por um período de sete anos. Bigatton se declarou culpado da acusação de fornecer aconselhamento financeiro sem licença em maio do ano passado, abrindo caminho para a sentença imposta esta semana pelo tribunal australiano.

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