Uma situação interessante está a desenrolar-se no Japão. O Primeiro-Ministro do Japão, Sanae Takaichi, na sua reunião com o chefe do Banco do Japão, Kazua Ueda, na semana passada, expressou preocupação relativamente ao aprofundamento da política monetária restritiva. À primeira vista, parece uma conversa diplomática comum, mas por trás dela há uma tensão real entre o governo e o banco central.



A razão é clara. O iene em queda já está a afetar os bolsos dos japoneses, os preços dos bens importados estão a subir, e as pessoas sentem a pressão sobre os rendimentos. Se o Primeiro-Ministro do Japão está preocupado, significa que a pressão por parte da sociedade é realmente sentida. Ueda, claro, afirma que a reunião foi apenas uma troca de opiniões sobre a situação económica geral, sem pedidos específicos em relação à política monetária. Mas os mercados interpretaram o recado de forma diferente, e o iene depreciou-se imediatamente face ao dólar e ao euro.

Takaichi mantém-se cautelosa nos comentários, evitando entrar em detalhes concretos. Ela apenas destaca a necessidade de coordenação entre o banco central e o governo para alcançar uma inflação alvo de 2%, num contexto de crescimento salarial. Isto, na prática, é um indício de que o aumento das taxas de juro deve ser feito com cautela e de forma coordenada.

No mercado, já circulam rumores de que o Banco do Japão poderá considerar um aumento das taxas em março ou abril. Se isso acontecer sem a coordenação com o novo governo, a cooperação tornará-se ainda mais difícil. Por enquanto, tudo não passa de especulação, mas é importante acompanhar de perto o desenvolvimento da situação.
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