Acabei de ver uma atualização dos dados de produção global de gás natural para 2024, bastante interessante as mudanças no padrão de mercado. A produção mundial de gás natural no ano passado atingiu 4,05 trilhões de metros cúbicos, parecendo um crescimento moderado, mas o verdadeiro enredo está na disputa geopolítica por trás.



Os Estados Unidos continuam ocupando a primeira posição, com uma produção de 1,35 trilhão de metros cúbicos, representando mais de um quarto do total global. Nos últimos anos, graças à revolução do gás de xisto e às tecnologias de fraturamento, a produção dobrou. Ainda mais impressionante, os EUA agora são o maior exportador mundial de gás natural liquefeito, enviando continuamente para a Europa. Em contraste com o declínio da Rússia — cuja produção caiu para 586 bilhões de metros cúbicos, uma redução de 5,2% em relação ao ano anterior —, principalmente devido à diminuição das importações europeias. Quão grande é essa mudança? Em 2021, o gás russo fornecia 45% da demanda da União Europeia; em 2023, caiu para apenas 14%.

Curiosamente, embora a Rússia enfrente dificuldades na Europa, sua estratégia de expansão para o leste tem ido bem. China e Índia agora são os principais compradores do gás russo. Isso também reflete uma tendência de multipolarização na produção global de gás — não mais uma cadeia de suprimentos única, mas várias regiões formando seus próprios ecossistemas industriais.

Analisando a estrutura da produção de gás natural dos países, os dez maiores produtores têm características distintas. O Irã ocupa a terceira posição, com uma produção de 251,7 bilhões de metros cúbicos, triplicando nos últimos dez anos, com ambições de aumentar a produção em 30% nos próximos cinco anos. Canadá, Catar e Austrália também estão nesse grupo, mas enfrentam desafios diferentes — o Canadá carece de infraestrutura de LNG, a Austrália tem campos antigos em declínio, enquanto o Catar está expandindo sua capacidade.

O desempenho da China merece atenção. Com uma produção de 234,3 bilhões de metros cúbicos, cresceu 92% em dez anos, mas ainda não é suficiente — metade da demanda doméstica precisa ser atendida por importações. O governo chinês está promovendo a substituição do carvão pelo gás, visando reduzir a poluição e as emissões, o que aumenta a demanda por gás natural. Além disso, com a desaceleração econômica e a expansão de energias renováveis, a demanda futura da China por gás apresenta incertezas.

Noruega e Argélia, no Norte da África, também ocupam posições importantes. A Noruega produz 116,6 bilhões de metros cúbicos, atualmente sendo o maior fornecedor da Europa, substituindo o papel da Rússia. Apesar de estar em décimo lugar, a Argélia também está expandindo sua produção e assinou novos acordos de longo prazo com a Europa.

Do ponto de vista do padrão de produção global de gás natural, isso não é apenas uma questão energética, mas uma manifestação direta da geopolítica. A guerra na Ucrânia remodelou as cadeias de suprimentos globais: os EUA emergiram como o maior exportador, a Europa foi forçada a buscar alternativas, e a Ásia (especialmente a China) tem uma demanda forte. Essa diversificação na produção e consumo terá impactos profundos na segurança energética a longo prazo e na estabilidade dos preços.

Se você se interessa pelo mercado de energia, na Gate também é possível acompanhar diversos ativos e tendências relacionados ao setor. Essas mudanças macroeconômicas no setor acabarão se refletindo nas negociações do mercado.
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