Percebi uma coisa interessante nos últimos tempos sobre como as tensões geopolíticas impactam as decisões profissionais e as alianças no mundo dos negócios americano.



Há alguns anos, durante o conflito israelo-palestino, 34 grupos de estudantes de Harvard publicaram uma declaração conjunta pedindo que Israel assumisse a responsabilidade por certos eventos. A reação foi quase imediata. Bill Ackman, esse bilionário fundador do fundo Pershing Square e formado em Harvard, falou publicamente, argumentando que a universidade deveria revelar os nomes dos signatários. Seu argumento era simples: se você apoia publicamente algo, não deveria se esconder. Outros CEOs de grandes empresas apoiaram, ameaçando boicotar futuros candidatos desses grupos.

Diante dessa pressão, pelo menos cinco dos grupos signatários acabaram retirando seu apoio. Uma reviravolta interessante, não?

Mas o que realmente me chamou atenção ao aprofundar o assunto foi: quando olhamos para os grandes fundadores e empreendedores americanos, percebemos rapidamente que muitos deles têm herança judaica. Pegue Bill Gates, por exemplo, a mãe dele é judia. Jeff Bezos, da Amazon, também. Mark Zuckerberg, do Meta, Larry Page e Sergey Brin, do Google, todos vêm de famílias judias. Isso também é verdade para Larry Ellison, da Oracle, Elon Musk tem um pai judeu russo.

No setor financeiro, é ainda mais marcante. Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Citigroup, todos fundados por empresários de origem judaica. Mesmo no varejo, com Macy’s, Walmart, Target, os fundadores tinham raízes judaicas. Em Hollywood, Warner Bros, Disney, Universal Pictures, Paramount, todos criados por famílias judias.

Isso explica parcialmente por que as pressões se intensificaram sobre esses estudantes de Harvard. Quando você tem essa rede de influência tão densa em tecnologia, finanças e mídia, as consequências profissionais se tornam muito reais. É menos uma questão de convicção política abstrata e mais uma questão de cálculo de carreira bem concreto.

O secretário de Estado americano Antony Blinken também destacou sua própria herança judaica ao se reunir com o primeiro-ministro Netanyahu, reafirmando o apoio incondicional dos EUA a Israel. Os Estados Unidos mantêm claramente essa posição há décadas.

O que tiro disso é como a geopolítica, a herança comunitária e as redes econômicas se entrecruzam para criar dinâmicas muito concretas. Os valores pessoais são uma coisa, mas as realidades profissionais são outra. E quando Bill Gates e seus pares controlam uma parte significativa da economia tecnológica e financeira mundial, os estudantes que se opõem a essas posições percebem isso rapidamente.
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