Estou vendo muita gente na comunidade cripto falando sobre o Ciclo de Benner ultimamente. E honestamente, é meio fascinante como um gráfico de mais de 150 anos está voltando a ganhar tração justamente agora.



Para quem não conhece, há uma história bem interessante por trás disso. Samuel Benner era fazendeiro que sofreu uma forte crise na crise de 1873. Depois disso, ele começou a estudar padrões nos preços agrícolas – observando na prática mesmo, não com fórmulas matemáticas complexas. Publicou um livro em 1875 chamado Business Prophecies of the Future Ups and Downs in Prices e deixou uma anotação simples: "Certeza absoluta". Quase 200 anos depois, essa nota está gerando debate novamente.

O ciclo funciona assim: Benner acreditava que ciclos solares afetavam a produtividade das colheitas e, consequentemente, os preços. A partir disso, criou um gráfico com três linhas – uma marcando anos de pânico, outra indicando booms (bom pra vender), e uma terceira destacando recessões (ideal pra acumular). O interessante é que o gráfico dele se alinhava com eventos reais como a Grande Depressão, bolha da Internet e até COVID. Pequenas variações de alguns anos, mas surpreendentemente preciso.

Agora, aqui está o ponto: muitos investidores de varejo estão usando o ciclo de Benner para justificar otimismo para 2025-2026. A previsão sugeria que 2023 foi o melhor momento para comprar e que 2026 marcaria o próximo grande pico. Alguns traders argumentam que isso explica por que o hype em Cripto IA e tecnologia emergente pode explodir antes de uma correção mais séria.

Mas aí vem o problema. Recentemente, o mercado começou a se comportar de forma bem diferente do que esse ciclo de Benner sugeria. Em abril, movimentos geopolíticos e anúncios de tarifas causaram quedas severas – teve até quem chamasse de "Black Monday" em comparação com 1987. O mercado cripto caiu trilhões em capitalização. JPMorgan elevou a probabilidade de recessão global para 60%, Goldman Sachs para 45%. Não é exatamente o cenário otimista que o gráfico previa.

Traders veteranos como Peter Brandt questionaram abertamente se vale confiar nessa ferramenta. Ele comentou que prefere focar nas operações reais em vez de se distrair com gráficos históricos. Para ele, é mais fantasia que análise prática.

Mas sabe o que é interessante? Apesar de todo ceticismo, o interesse de busca por "ciclo de Benner" atingiu picos recordes no último mês. Investidores de varejo ainda estão procurando narrativas otimistas em meio à incerteza. E alguns argumentam que talvez o gráfico funcione justamente porque muita gente acredita nele – não por magia, mas por dinâmica de mercado mesmo.

Estamos basicamente vivendo o período que o ciclo de Benner previa como crítico. Se a história se repetir, teríamos mais um ano até o topo. Parece loucura? Talvez. Mas mercados são sobre mais que números – são sobre sentimento, memória coletiva e momentum. Às vezes, esses gráficos antigos funcionam não porque são místicos, mas porque definem expectativas que moldam comportamento real.
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