Vazamento de mensagem da noite do golpe da OpenAI: Altman pede "Microsoft, me compre"

Em novembro de 2023, naquele fim de semana caótico, Sam Altman foi repentinamente demitido pelo conselho de administração. Dois anos e meio depois, a troca de mensagens entre ele e Mira Murati foi divulgada pela primeira vez em tribunal, como um thriller em tempo real, reconstruindo quadro a quadro a mais dramática luta pelo poder do Vale do Silício.

Em maio de 2026, o caso de Elon Musk contra a OpenAI entrou na segunda semana de julgamento. No tribunal, uma troca de mensagens nunca antes revelada veio à tona — era a noite do golpe de novembro de 2023, logo após a demissão de Sam Altman, e a conversa em tempo real entre ele e Mira Murati, ex-CTO da OpenAI.

Essas mensagens não são memórias posteriores, nem relatos de segunda mão. Elas representam cada segundo daquele momento. Ao ler esses diálogos, percebe-se: aquele golpe foi muito mais caótico, absurdo e frio do que a mídia descrevia.

Data: 17 de novembro (sexta-feira) à tarde, Altman foi informado por telefone de sua demissão

Altman claramente ainda não tinha assimilado. Ele enviou uma mensagem para Murati:

Altman: Você pode me dizer se a situação está boa ou ruim? Satya (CEO da Microsoft) e os outros estão muito ansiosos. Murati: Muito ruim. Altman: Entendi. Você consegue resolver isso rápido? A Microsoft está me pressionando para dar uma resposta. Murati: Sam, realmente está muito ruim.

Em poucas palavras, “muito ruim” foi repetido duas vezes. O tom de Murati parecia uma advertência para um familiar de um paciente em estado grave — não é uma gripe, é uma UTI.

Altman começou a tentar intervir pessoalmente:

Altman: Posso ir aí? Murati: Eles não querem que você vá.

Eles não querem que você vá. Essas cinco palavras ergueram uma parede de gelo. Esse “eles” se referia a alguns colegas com quem ele tinha acabado de participar de uma reunião do conselho — Ilya Sutskever, Adam D‘Angelo, Tasha McCauley, Helen Toner.

Altman claramente percebeu a gravidade da situação. Baixou a cabeça, até mesmo oferecendo-se para sair:

Altman: O que você acha que pode melhorar a situação? Se ajudar, posso sair a qualquer momento. Se eles estiverem prontos para uma ação judicial agressiva contra mim, não sei o que fazer. Você pode dizer a eles que só quero resolver as coisas, conversar com eles?

“Posso sair a qualquer momento.” Um fundador recém-expulso, implorando para sair de forma mais definitiva. Isso não é humildade, é um instinto de sobrevivência em meio ao caos — ele não entende o que o conselho realmente quer.

E a resposta de Murati encerrou o primeiro ato com um trovão:

Murati: Eles já decidiram. Altman: Decidiram me tirar? Ou é uma nova situação? Murati: Sim, eles decidiram que você deve sair.

“Eles já decidiram.” Sem negociações, sem espaço para barganha. É como uma sentença de morte sendo lida.

Mas o diálogo seguinte revelou uma divisão interna no conselho.

Altman, confuso, perguntou:

Altman: Então por que eles passaram o fim de semana dizendo que queriam que eu voltasse?

Durante todo o fim de semana, o conselho anunciou sua demissão publicamente, enquanto por trás das cenas enviava sinais — “Talvez você possa voltar”. Essa contradição deixava todos confusos. A resposta de Murati foi ainda mais fatal:

Murati: Eles vão nomear um novo CEO.

Entendido. Não é “te trazer de volta”, mas procurar alguém para te substituir, mantendo você na reserva.

Altman imediatamente percebeu:

Altman: Eles já sabem quem é? Posso contar ao Satya? Isso já está decidido? Ou você vai puxar o Satya para dentro?

Ele começou a entender que não era mais o negociador, mas um obstáculo — o conselho só queria afastá-lo, quem ocupar a cadeira não importava.

Então, Murati soltou a frase mais sombria da noite do golpe, com humor negro:

Murati: O novo é aquele cara desconhecido do Twitch (rando twitch guy).

“Aquele cara desconhecido do Twitch.” Essa era a descrição da CTO da OpenAI na noite do golpe, para o próximo CEO que substituiria Sam Altman, à frente da empresa avaliada em quase mil bilhões de dólares.

Altman entendeu imediatamente quem ela tinha em mente:

Altman: Emmett? (Emmett Shear, cofundador do Twitch) Murati: Sim.

Antes disso, Emmett Shear tinha quase nenhuma ligação com a OpenAI. Não era um cientista de ponta em IA, nem um gestor experiente, e tampouco membro do conselho. Era apenas um fundador de uma plataforma de streaming de jogos. O conselho gastou menos de 24 horas para encontrar alguém do vasto mar de Silicon Valley para salvar a OpenAI.

A crítica de Murati ao “rando twitch guy” não era uma ofensa, mas uma condenação pública da qualidade das decisões do conselho.

Mais absurdo ainda, Emmett Shear também foi substituído poucos dias depois. A execução desse golpe revela muito sobre sua qualidade.

A conversa avançou para o ponto mais profundo. A equipe de Altman já começava a suspeitar das verdadeiras motivações do conselho — não desempenho, não capacidade, mas algo mais oculto.

Altman: Eles querem transferir a propriedade intelectual para a Anthropic? A equipe suspeitava que sim.

A Anthropic, fundada por ex-funcionários da OpenAI, é a concorrente mais direta da OpenAI. Se o conselho realmente quisesse transferir a propriedade intelectual da OpenAI para a concorrência, seria uma das operações mais absurdas da história do negócio. Mas essa suspeita não tinha provas, apenas o pânico da equipe.

No entanto, a resposta de Murati foi ainda mais fria:

Murati: Eles simplesmente não querem que a AGI esteja sob seu controle (Just not your hand on agi).

“Só não querem que a AGI esteja sob seu controle.”

Não é “você não é capaz”, nem “você cometeu erros”, mas — qualquer um que seja você, desde que seja você, não pode controlar. É uma negação estratégica direcionada a uma pessoa. O conselho acredita que a AGI (Inteligência Artificial Geral), a maior conquista tecnológica da história da humanidade, não pode ficar nas mãos de Sam Altman.

Essa frase é o núcleo do golpe. Todas as justificativas oficiais de “falta de transparência na comunicação” ou “evasão de avaliações de segurança” são apenas aparências. A lógica subjacente é uma só: quem controla a AGI controla o futuro. O conselho não confia em Altman.

A resposta de Altman, carregada de cansaço e desespero, foi:

Altman: Eu posso não voltar! Eles ainda estavam me chamando para voltar ontem de manhã.

“Eu posso não voltar” — essa já é a segunda vez que ele se oferece para desistir. Mas a imprevisibilidade do conselho tornou essa desistência inútil.

Na última parte da troca de mensagens, Altman fez uma proposta capaz de mudar a história da IA:

Altman: Espere, tenho uma ideia interessante. Murati: Ainda com Satya, diga. Altman: E se a Microsoft comprar a OpenAI? Assim, não estaria atendendo à estrutura de governança que o conselho quer?

E se a Microsoft comprasse a OpenAI?

Essa ideia só veio à tona hoje. Na noite em que foi expulso de sua própria empresa, Altman não pensou em voltar, mas em vender tudo para a Microsoft.

Por trás disso, há duas intenções: primeiro, Altman já considerava que a estrutura de governança sem fins lucrativos da OpenAI era irremediável, e que era melhor derrubá-la; segundo, ele estaria disposto a “vender” a empresa, fazendo da Microsoft a controladora real, contornando o conselho.

Mas a resposta de Murati é enigmática:

Murati: Satya foi bem diplomático.

“Bem diplomático” é uma expressão educada. Na prática, significa que o CEO da Microsoft, Nadella, não respondeu à provocação. Por quê?

Porque na época, a Microsoft já era a maior acionista da OpenAI (com 49% de participação), mas a estrutura sem fins lucrativos impedia que a Microsoft controlasse diretamente o conselho. A aquisição poderia resolver o controle, mas traria problemas maiores — investigações antitruste, controvérsias morais sobre a missão sem fins lucrativos, e a ameaça constante de Musk, que poderia entrar com processos a qualquer momento. A Microsoft optou por manter o status quo, sem assumir o risco de uma aquisição tumultuada.

A conversa terminou com Murati confirmando que o conselho tinha conhecimento de sua “recontratação” de Altman. Mas já era tarde demais. Naquele fim de semana, o conselho nomeou oficialmente o “cara desconhecido do Twitch”, enquanto Altman, sob controle da Microsoft, iniciou seu exílio de 13 dias.

Essas mensagens, só reveladas após dois anos e meio, estão se tornando provas cruciais no caso de Musk contra a OpenAI.

O argumento central de Musk é que a OpenAI traiu sua missão sem fins lucrativos, transformando-se em uma ferramenta comercial de Microsoft e Altman. E as mensagens, nas quais Altman propõe a compra pela Microsoft, confirmam exatamente essa narrativa — de dentro, já se pensava em vender a empresa.

Além disso, a frase de Murati, “Eles só não querem que a AGI esteja sob seu controle”, revela a motivação pessoal por trás da decisão do conselho. Os advogados de Musk vão questionar: se o conselho achava que Altman não era adequado para controlar a AGI, por que ele ainda mantém o controle após a aquisição pela Microsoft? Isso não prova que a OpenAI já havia se rendido completamente ao capital?

O processo, Musk reivindica 180 bilhões de dólares em indenizações, buscando derrubar completamente o modelo de lucro da OpenAI. E essas mensagens, como balas, estão sendo carregadas uma a uma no tribunal.

Na verdade, naquele fim de semana caótico de 2023, ninguém saiu vencedor. Altman foi expulso, voltou sob pressão dos funcionários, mas as cicatrizes na governança permanecem na OpenAI; o conselho foi completamente eliminado, Ilya Sutskever saiu de cabeça baixa; a Microsoft não adquiriu a empresa, mas seu controle se tornou mais sutil; e os usuários e o público só viram uma gigante de centenas de bilhões de dólares, como uma turma de estudantes do ensino médio, decidir o futuro da AGI com uma mensagem e um “rando twitch guy”.

A luta pelo poder mais dramática da história do Vale do Silício deixou não heróis, mas um rastro de caos. Essas mensagens são as impressões digitais mais nítidas nesse caos.

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