O Brasil eliminará stablecoins de transações transfronteiriças

O Banco Central do Brasil está adotando uma postura rígida sobre como as criptomoedas podem ser usadas no sistema financeiro do país, efetivamente excluindo stablecoins dos pagamentos transfronteiriços. Sob a Resolução nº 561, tais transações precisarão passar por canais tradicionais de câmbio ou serem processadas por meio de contas de real brasileiro de não residentes mantidas no Brasil, com “o uso de ativos virtuais sendo proibido”.

A resolução entrará em vigor em 1º de outubro, permitindo que provedores licenciados continuem operando sob uma nova estrutura que também foi adotada na semana passada.

A partir daí, provedores de pagamento licenciados deverão liquidar transações transfronteiriças inteiramente em moeda fiduciária, sem etapas intermediárias de liquidação em criptomoedas. A resolução também introduz requisitos aprimorados de relatório, procedimentos mais rigorosos de Conheça Seu Cliente (KYC) e retenção obrigatória de dados por até dez anos.

A Lógica por Trás da Medida

A autoridade fiscal do Brasil, a Receita Federal, levantou preocupações de que transações transfronteiriças liquidadas com stablecoins fora da supervisão do banco central criam riscos potenciais de lavagem de dinheiro e conformidade tributária. Em fevereiro, o Brasil começou a classificar transferências de stablecoins como transações de câmbio, colocando-as sob estruturas tributáveis. No entanto, restringir seu uso agora também pode reduzir uma fonte potencial de receita.

A maioria das stablecoins usadas no Brasil é denominadas em dólares americanos. Limitar seu uso dá às autoridades maior controle não apenas sobre a infraestrutura de pagamento, mas também sobre os fluxos de moeda dentro e fora do país.

“O Brasil não está banindo stablecoins porque elas não funcionam, mas porque elas funcionam tão bem,” disse Joel Hugentobler, Analista de Criptomoedas na Javelin Strategy & Research. “Elas permitem que o dinheiro se mova além das fronteiras fora do sistema bancário tradicional, o que prejudica controles de capital, arrecadação de impostos e visibilidade sobre fluxos transfronteiriços. Isso é menos sobre a opcionalidade de pagamento e mais sobre manter o controle sobre seu sistema financeiro. Stablecoins são efetivamente um sistema paralelo de câmbio, então eles estão fechando antes que ele escale mais.”

Quem é Afetado?

O Brasil se tornou um dos maiores usuários de stablecoins do mundo em volume de transações. A mudança impactará significativamente instituições brasileiras como o Braza Bank, que integrou liquidação de stablecoins em seus sistemas de pagamento transfronteiriço. Também afetará empresas de criptomoedas como o protocolo de mensagens Nomad, que usa a rede Ripple para facilitar transferências de fundos entre o Brasil e os EUA.

A regra não proíbe que indivíduos possuam ou negociem criptomoedas. Os brasileiros ainda poderão comprar, vender e manter stablecoins e outros ativos digitais. O Brasil continua sendo um dos maiores mercados de criptomoedas na América Latina e ficou em quinto lugar globalmente no Índice de Adoção Global de Criptomoedas da Chainalysis em 2025.

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Tags: BrasilBanco Central do BrasilTransfronteiriçoNômade DigitalRippleStablecoins

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