Análise das Políticas da SEC por Paul Atkins: Uma Mudança Abrangente no Quadro Regulatório dos Criptoativos nos EUA para 2025–2026

Mercados
Atualizado: 2026-04-21 07:41

21 de abril de 2025 assinalou o início oficial do mandato de Paul Atkins como Presidente da Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA. Em 21 de abril de 2026, completou um ano completo em funções. Durante este período, a abordagem da SEC à regulação dos ativos digitais sofreu uma mudança fundamental — de uma postura centrada na fiscalização e de linha dura, típica da era Gensler, para um modelo orientado por políticas, com foco na elaboração de regras e na coordenação interinstitucional.

O próprio Atkins descreveu esta transformação como "um novo dia para a SEC". Em entrevista à CNBC, afirmou: "Deixámos de substituir a regulação pela fiscalização e de recorrer a práticas institucionais opacas. O setor cripto é o melhor exemplo desta mudança." Contudo, esta viragem não começou com a nomeação de Atkins. Já em janeiro de 2025, após a demissão de Gensler e durante a presidência interina do Comissário Mark Uyeda, a SEC tinha criado um grupo de trabalho dedicado às criptomoedas, liderado por Hester Peirce, e, em fevereiro de 2025, retirou a ação civil contra a Coinbase. Os sinais desta mudança de política começaram a surgir logo após o anúncio dos resultados eleitorais.

Que Impacto Duradouro Deixou a "Regulação Liderada pela Fiscalização" na Indústria Durante a Era Gensler?

Para compreender as alterações sob a liderança de Atkins, é essencial rever o percurso regulatório da SEC durante o mandato de Gensler. Segundo a Cornerstone Research, entre abril de 2021 e dezembro de 2024, a SEC iniciou 125 ações de fiscalização relacionadas com criptoativos durante o mandato de Gensler — um aumento de 80% face às 70 ações tomadas sob o seu antecessor, Jay Clayton, de 2017 a 2020. As coimas totais atingiram 6,05 mil milhões $, quase quatro vezes os 1,52 mil milhões $ aplicados no mandato de Clayton.

A era Gensler ficou marcada por uma filosofia central de "regulação através da fiscalização". A SEC intentou processos judiciais contra grandes plataformas cripto como Binance, Coinbase e Kraken, alegando violações das leis dos valores mobiliários. Os críticos argumentaram que esta estratégia agressiva sufocou a inovação doméstica e empurrou empresas cripto para o estrangeiro. Importa salientar que 66% das ações de fiscalização sob Gensler envolveram alegações de fraude, em comparação com 54% sob Clayton, o que indica uma mudança de foco para casos de fraude durante a liderança de Gensler.

Da Retirada de Processos à Admissão de Erros: Como a Era Atkins Pôs Fim ao Modelo de Fiscalização-Primeiro?

No seu primeiro ano, Atkins supervisionou várias mudanças substanciais na fiscalização da SEC. A alteração mais significativa: desde fevereiro de 2025, a SEC retirou sete ações de fiscalização relacionadas com criptoativos, envolvendo Coinbase, Binance, Kraken, Cumberland DRW, Consensys, entre outras. A SEC justificou a retirada destes processos com a "falta de fundamento suficiente ao abrigo das leis federais dos valores mobiliários".

A 8 de abril de 2026, a SEC publicou o seu relatório de fiscalização do exercício de 2025, reconhecendo ainda falhas na abordagem da era Gensler. O relatório classificou vários processos anteriores de registo de criptoativos como "interpretações erradas da lei federal dos valores mobiliários" e referiu que estas ações "não trouxeram benefícios materiais aos investidores". A SEC revelou também que, desde 2022, iniciou 95 ações de fiscalização relacionadas com deficiências na manutenção de registos por parte de instituições, impondo coimas de 2,3 mil milhões $, admitindo que esta abordagem de "quantidade em detrimento da qualidade" refletiu um viés sistémico.

Analisando os dados, a SEC iniciou 456 ações de fiscalização no exercício de 2025, cerca de menos 30% face a 2024. Atkins afirmou que a agência está a "reposicionar" o seu programa de fiscalização, redirecionando recursos do volume de processos para o combate à fraude e manipulação de mercado — os comportamentos que mais prejudicam os investidores. Paralelamente, a SEC retirou a secção dedicada aos ativos cripto das suas prioridades de supervisão para 2026, integrando-os em categorias de risco mais amplas.

Aprovação em Massa de Diversos ETFs Cripto: Como Mudou a Lógica de Aprovação da SEC?

Os avanços da SEC na aprovação de ETFs cripto durante o primeiro ano de Atkins são o sinal mais visível da mudança de política. Sob Gensler, a SEC apenas aprovou ETFs spot de Bitcoin e Ethereum, num processo marcado por longas batalhas judiciais. Com Atkins, as aprovações de ETFs aceleraram e alargaram-se em âmbito.

Em setembro de 2025, a SEC anunciou que os critérios gerais de admissão passariam a aplicar-se a ETFs cripto, levando os gestores de ativos a agir rapidamente. Nesse mesmo mês, a Hashdex obteve aprovação da SEC para lançar um ETF de índice cripto incluindo BTC, ETH, XRP e SOL. Em outubro, a SEC aprovou o ETF de Litecoin da Canary Capital e o ETF de Hedera para negociação no Nasdaq.

Em março de 2026, a SEC realizou uma "aprovação em grupo", aprovando formalmente alterações às regras-base para ETFs spot cobrindo 24 tokens, incluindo XRP, Solana e Litecoin. Em abril de 2026, a SEC aprovou ainda a cotação de opções de ETF fiduciários "multi-criptoativos" na NYSE American, quebrando a restrição anterior que apenas permitia opções sobre ativos cripto individuais.

Esta mudança na lógica de aprovação de ETFs é evidente em dois aspetos: primeiro, o âmbito expandiu-se de ativos individuais para combinações baseadas em índices e multiativos; segundo, o ritmo acelerou, passando de análises caso a caso para aprovações em lote. Isto reflete uma alteração no enquadramento conceptual da SEC para os ativos cripto — quando a maioria dos criptoativos deixa de ser vista como "valor mobiliário", o seu caminho para produtos financeiros tradicionais regulados abre-se naturalmente.

SEC e CFTC Assinam Memorando de Coordenação Regulamentar: Poderá a Colaboração Institucional Pôr Fim às Disputas de Competências?

Um desafio antigo para o setor cripto tem sido a indefinição das fronteiras de competência entre a SEC e a CFTC. Desde a entrada em funções de Atkins, as duas entidades deram passos significativos na coordenação regulatória.

A 2 de setembro de 2025, a Divisão de Mercados e Negociação da SEC e a Divisão de Supervisão de Mercados e Risco de Compensação da CFTC emitiram uma declaração conjunta lançando uma iniciativa de coordenação interinstitucional, esclarecendo que a legislação em vigor não proíbe as bolsas registadas de negociar determinados produtos spot de criptoativos. Três dias depois, Atkins e a então presidente interina da CFTC, Caroline Pham, anunciaram conjuntamente uma mesa-redonda de coordenação regulatória, abordando temas como mercados 24/7, contratos de eventos, swaps perpétuos, margem de portefólio, isenções para inovação e DeFi.

Em janeiro de 2026, o Projeto Crypto tornou-se oficialmente uma iniciativa política conjunta da SEC e da CFTC, visando unificar o enquadramento regulatório federal para os mercados de criptoativos. Em 17 de março, as duas entidades emitiram conjuntamente uma orientação interpretativa de 68 páginas, afirmando explicitamente que "a maioria dos criptoativos não são valores mobiliários", marcando a implementação substancial da mudança de política.

Numa declaração conjunta, Atkins e o presidente da CFTC, Michael Selig, referiram que a colaboração interinstitucional começa pelo trabalho de base: harmonização de definições, coordenação da supervisão e estabelecimento de mecanismos de partilha de dados entre entidades. Embora já tenha sido emitida orientação conjunta, o enquadramento regulatório da SEC para criptoativos permanece numa fase de transição "orientação mais análise caso a caso", e será a aprovação de uma lei do Congresso sobre a estrutura de mercado a determinar, em última análise, as fronteiras de competência.

Perspetivas de Conformidade Cripto para o 2.º Semestre de 2026: Legislação do Congresso Continua a Ser a Variável-Chave

Apesar das mudanças significativas da SEC na fiscalização e aprovação de produtos, a institucionalização plena de um enquadramento regulatório para criptoativos continua a depender da legislação do Congresso.

No plano legislativo, a Comissão de Agricultura do Senado remeteu, em fevereiro de 2026, o Digital Asset Market Structure Act para análise em comissão, com 12 votos a favor e 11 contra. Analistas do JPMorgan referiram num relatório de fevereiro de 2026: "Apesar do sentimento negativo persistente no mercado cripto, continuamos a acreditar que a legislação sobre estrutura de mercado poderá ser aprovada até meados do ano, o que deverá funcionar como catalisador positivo para o mercado cripto no segundo semestre."

No plano regulamentar, Atkins anunciou em dezembro de 2025 que o programa de isenção para inovação da SEC, dirigido a empresas cripto, entraria em vigor em janeiro de 2026, proporcionando um "período de buffer regulatório" para projetos que cumpram critérios de descentralização e segurança técnica. Em abril de 2026, Atkins afirmou que a proposta de safe harbor tinha sido submetida ao Gabinete de Informação e Assuntos Regulatórios da Casa Branca para análise, permitindo que projetos cripto angariem fundos sem requisitos imediatos de registo.

No que respeita às stablecoins, o GENIUS Act entrou em fase de implementação. Em abril de 2026, o Tesouro e o OFAC emitiram conjuntamente propostas de regulamento que sujeitam os emissores de stablecoins em conformidade a requisitos de prevenção de branqueamento de capitais e sanções. A nível internacional, o Basileia III/IV entrará em vigor no segundo semestre de 2026, permitindo aos bancos alocar até 2% do capital de nível 1 a ativos cripto, abrindo ainda mais caminho à participação institucional.

Um ponto a acompanhar é a crescente oposição no Congresso. A senadora Elizabeth Warren e outros democratas criticaram repetidamente Atkins, alegando que as ações de fiscalização da SEC atingiram o nível mais baixo da última década e levantando preocupações sobre potenciais conflitos de interesses em processos envolvendo empresas ligadas a Trump. Apesar destas controvérsias, a mudança na regulação cripto nos EUA, de uma abordagem "fiscalização-primeiro" para uma lógica "orientada por regras", está agora largamente consolidada, e o foco para o segundo semestre de 2026 passará da definição de políticas para a implementação prática.

Conclusão

No primeiro aniversário da nomeação de Paul Atkins como Presidente da SEC, a regulação cripto nos EUA completou uma mudança sistémica do modelo "liderado pela fiscalização" da era Gensler para uma abordagem "orientada por políticas". Esta transformação é evidente em três frentes: primeiro, uma reestruturação da filosofia de fiscalização, com a SEC a reconhecer "falhas" em ações passadas, a retirar sete processos e a reduzir a fiscalização em cerca de 30%; segundo, aprovações de produtos mais rápidas, passando de ETFs de Bitcoin e Ethereum para ETFs multiativos abrangendo 24 tokens e a aprovação de opções sobre ETFs multi-criptoativos; terceiro, uma colaboração institucional mais profunda, com a SEC e a CFTC a assinarem um memorando de coordenação regulatória e a emitirem conjuntamente orientações interpretativas que clarificam que a maioria dos criptoativos não são valores mobiliários. Olhando para o segundo semestre de 2026, o desfecho da análise parlamentar ao projeto de lei sobre estrutura de mercado será o fator decisivo para determinar se o enquadramento regulatório cripto se tornará plenamente institucionalizado.

FAQ

Q1: Quais os principais processos de fiscalização cripto que a SEC retirou durante o mandato de Atkins?

Desde fevereiro de 2025, a SEC retirou sete ações de fiscalização relacionadas com criptoativos, envolvendo Coinbase, Binance, Kraken, Cumberland DRW, Consensys, entre outras. A SEC afirmou que estes processos "não tinham fundamento suficiente ao abrigo das leis federais dos valores mobiliários".

Q2: Que tipos de ETFs cripto aprovou a SEC durante o mandato de Atkins?

A SEC aprovou ETFs spot de Bitcoin, ETFs spot de Ethereum, ETFs de Litecoin, ETFs de Hedera, ETFs de índice cripto incluindo BTC/ETH/XRP/SOL e, em março de 2026, aprovou alterações de regras-base para ETFs spot abrangendo 24 tokens. Em abril de 2026, a SEC aprovou ainda a negociação de opções sobre ETFs multi-criptoativos.

Q3: Quais são os principais pontos do memorando de coordenação regulatória assinado pela SEC e CFTC?

Em setembro de 2025, a SEC e a CFTC anunciaram conjuntamente o lançamento do Projeto Crypto, uma iniciativa de coordenação interinstitucional que clarifica que a legislação em vigor não proíbe as bolsas registadas de negociar produtos spot de criptoativos. Em janeiro de 2026, o Projeto Crypto tornou-se oficialmente uma iniciativa política conjunta. Em março de 2026, as entidades emitiram conjuntamente orientação interpretativa afirmando que "a maioria dos criptoativos não são valores mobiliários".

Q4: Quais os marcos políticos a acompanhar na conformidade cripto para o segundo semestre de 2026?

Há três áreas principais a acompanhar: primeiro, o progresso da análise parlamentar ao projeto de lei sobre estrutura de mercado; segundo, a implementação do programa de isenção para inovação da SEC; terceiro, a concretização do GENIUS Act para stablecoins. Adicionalmente, o Basileia III/IV entrará em vigor no segundo semestre do ano, permitindo aos bancos alocar ativos a cripto, o que poderá impulsionar mais entradas institucionais.

Q5: Existe controvérsia em torno da mudança regulatória sob Atkins?

Sim. Legisladores democratas questionaram a queda das ações de fiscalização da SEC para o nível mais baixo da última década. A senadora Elizabeth Warren e outros desafiaram a veracidade do testemunho de Atkins no Congresso e levantaram preocupações sobre potenciais conflitos de interesses em processos envolvendo empresas ligadas a Trump.

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