Caso Tornado Cash em julgamento: o Ministério Público afirma que ajudou a Coreia do Norte na Lavagem de dinheiro, defesa responde "ele é apenas um programador, não um criminoso"

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O julgamento do Tornado Cash começa, as partes acusatórias e defensivas têm suas próprias opiniões

O julgamento criminal de Roman Storm, cofundador da Tornado Cash, começou esta semana no tribunal federal de Nova Iorque, com a seleção do júri concluída na segunda-feira. Os argumentos de abertura revelaram as principais posições e diferenças estratégicas entre a acusação e a defesa.

História de introdução do Ministério Público: Mulher vítima de fraude de 250 mil dólares

O assistente do procurador dos EUA, Kevin Mosley, começou com a história real de uma mulher de Nova Iorque. Esta mulher foi enganada em 250.000 dólares em um esquema de criptomoedas, e os hackers posteriormente lavaram esse dinheiro através do Tornado Cash. O Ministério Público afirmou que este é apenas um dos muitos crimes que utilizam este protocolo, com o objetivo de mostrar ao júri o “lado humano” por trás dos crimes tecnológicos.

Em seguida, Mosley elevou o nível das acusações, afirmando que a ferramenta desenvolvida pela Storm foi utilizada pelo grupo de hackers norte-coreano Lazarus para lavar 600 milhões de dólares, sendo esses fundos provenientes de um ataque a uma empresa de jogos. Ele destacou que isso não só viola as leis de sanções dos EUA, mas também ameaça a segurança nacional.

O Ministério Público acredita que a Storm sabia que seu acordo estava a ser utilizado para lavagem de dinheiro, mas optou por “continuar a operar a máquina de lavar”, afirmando que “tinha a chave da lavandaria” e removeu proativamente a função de desligar o sistema, o que configura intenção de lucro.

Defesa responde: “Ele é programador, não criminoso”

A advogada de defesa de Storm, Keri Axel, retratou uma imagem completamente diferente da apresentada pela acusação. Ela disse que Storm é um jovem imigrante, que se mudou do Cazaquistão para a Rússia e depois para os Estados Unidos, inspirado pelo fundador do Ethereum, Vitalik Buterin, e ama a descentralização e a ideia de privacidade, tendo desenvolvido o Tornado Cash.

Axel apontou que o Tornado Cash é apenas uma ferramenta neutra, assim como o software de comunicação Signal ou um martelo, não tendo em si mesmo bem ou mal. Uma vez que o protocolo é implantado, ninguém (incluindo o próprio Storm) pode fechá-lo ou controlá-lo.

A T-shirt tornou-se prova, a defesa afirma que é uma “piada do setor”

O Ministério Público citou que Storm usava uma camiseta com a frase irônica “lavagem de dinheiro” como “evidência indireta”. Em resposta, Axel afirmou que a camiseta era apenas uma piada do mundo das criptomoedas e não uma prova de intenção criminosa, “isso é uma piada, não uma confissão.”

Defesa detalha a descentralização: sem controle, sem taxas, sem permissões de modificação

A defesa também apresentou ao júri uma explicação detalhada sobre o funcionamento técnico do Tornado Cash, incluindo contratos inteligentes, blockchain pública e o funcionamento dos nós Ethereum. Axel enfatizou que a Storm não cobra taxas, não tem acesso aos fundos dos usuários e não pode modificar os contratos. O governo tem uma compreensão seriamente distorcida do mecanismo de código descentralizado.

Ela também citou a mensagem que Storm enviou aos colaboradores após o ataque cibernético na Coreia do Norte: “Estamos acabados.” Isso não é uma intenção criminosa, mas uma reação genuína de pânico dele.

Primeiro testemunha a depor: Tornado Cash usado para fraudes criptográficas

Após o término da declaração de abertura, a acusação convocou a primeira testemunha — a Sra. Lin, de Taiwan. Ela afirmou que foi enganada em uma fraude de criptomoeda e que foi instruída pelos golpistas a usar o Tornado Cash para “ocultar o fluxo de fundos”. O testemunho visa demonstrar como usuários comuns foram prejudicados devido ao uso desse protocolo em atividades criminosas.

O caso continua a ser ouvido: o foco é o código ou a ferramenta criminosa?

O caso deve durar várias semanas, com a acusação a apresentar registos de conversas, dados financeiros e mais testemunhos. O júri decidirá, no final, se Storm apenas escreveu código ou se liderou uma “empresa de lavagem de dinheiro descentralizada”.

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