Os maiores bancos estatais da China aumentaram as suas compras de dólares norte-americanos no mercado onshore, sinalizando uma nova ronda de intervenção cambial. Este movimento surge numa altura em que o yuan atingiu o seu nível mais forte em mais de um ano, levando Pequim a tentar travar uma valorização que poderia prejudicar as exportações. Fontes indicam que os bancos mantiveram os dólares em carteira em vez de os reciclarem através de swaps, algo que os traders consideram invulgar e estratégico.
A retenção desses dólares apertou a liquidez e aumentou o custo de posições longas em yuan. Como resultado, os pontos de swap dólar/yuan a um ano caíram, mostrando que o mercado enfrenta agora maiores despesas para apostar numa maior valorização do yuan.
O yuan subiu cerca de 3,3 por cento este ano, estando a caminho do seu maior salto anual desde 2020. Os analistas acreditam que a nova intervenção visa estabilizar a moeda e não enfraquecê-la. As autoridades já apoiaram o yuan através de definições de taxas de referência mais firmes e ações anteriores no mercado.
As recentes medidas contrastam também com a orientação do Banco Popular da China no início deste ano. Nessa altura, Pequim incentivou os bancos a evitarem comprar dólares para ajudar a proteger o yuan das pressões de desvalorização ligadas às tensões comerciais.
Os observadores de mercado analisam se a China planeia restringir a liquidez de dólares por um período mais prolongado. Se os bancos estatais continuarem a aumentar as suas reservas em dólares, os mercados cambiais globais poderão sentir efeitos secundários. Os traders afirmam que a estratégia pode desencorajar a atividade especulativa e abrandar as entradas de capital que impulsionam o yuan.
Pontos-chave incluem:
• Custos mais elevados do dólar tornam as posições longas em yuan mais arriscadas.
• Redução da liquidez pode alterar o comportamento do carry trade.
• A intervenção destaca a abordagem flexível da China ao controlo cambial.