California dos EUA propõe uma taxa única de 5% sobre património líquido superior a 10 mil milhões de dólares para os bilionários, provocando forte reação na indústria de tecnologia e criptomoedas. Os apoiantes esperam injetar nova dinâmica nas finanças públicas, enquanto os opositores alertam que esta medida pode acelerar a fuga de capital e talento, prejudicando a economia inovadora da Califórnia.
(Antecedentes: Trump lança forte ataque fiscal às criptomoedas? Casa Branca revisa proposta de “conformidade com o quadro de relatórios de ativos criptográficos CARF”, incluindo tributação de contas no estrangeiro)
(Informação adicional: Impostos consomem mais da metade dos lucros? 3 estratégias legais de proteção de baleias de criptomoedas)
Índice do artigo
Recentemente, surgiu na Califórnia uma proposta fiscal dirigida a indivíduos de património extremamente elevado, gerando grande atenção e forte reação na indústria de tecnologia e criptomoedas. A proposta defende a cobrança de uma taxa única de 5% sobre património líquido superior a 10 mil milhões de dólares, com apoiantes a afirmar que pode gerar receitas consideráveis para o estado, enquanto os opositores alertam que pode acelerar a fuga de capital e talento, prejudicando a economia inovadora de longa data da Califórnia.
Esta proposta, intitulada “Lei do Imposto sobre Bilionários 2026” (2026 Billionaire Tax Act), foi lançada pelo sindicato de trabalhadores de saúde SEIU–United Healthcare Workers West, e é uma iniciativa de voto popular (ballot initiative), com previsão de ser submetida a referendo estadual em novembro de 2026. Ainda está na fase de recolha de assinaturas, sem ainda ter a qualificação oficial para inclusão na cédula de votação.
Segundo o conteúdo da proposta, a partir de 1 de janeiro de 2026, indivíduos residentes na Califórnia com património superior a 10 mil milhões de dólares serão sujeitos a uma taxa única de 5%. A tributação incide não só sobre ganhos realizados, mas também sobre ganhos não realizados de ativos como ações, participações em empresas privadas, imóveis, obras de arte, artigos de luxo e criptomoedas.
Os contribuintes podem optar por pagar tudo de uma vez ou parcelar em cinco anos; no caso de parcelamento, será acrescido um juro de 7,5%. A proposta também prevê isenções para certas partes do património, como habitações principais, fundos de pensão e contas de reforma.
Os apoiantes estimam que, se aprovada, a proposta poderá gerar uma receita única de várias centenas de bilhões ou até trilhões de dólares para o estado, com planos de investir esses fundos em saúde, educação, habitação e outros projetos sociais, visando melhorar a vida das comunidades mais vulneráveis e os serviços públicos.
Contudo, assim que a proposta foi divulgada, gerou forte oposição na comunidade de tecnologia e criptomoedas. Vários líderes do setor afirmaram publicamente que tributar ativos não realizados obrigaria os bilionários a vender ativos altamente ilíquidos para pagar os impostos, provocando fuga de capital, perda de empregos e enfraquecendo a inovação.
Jesse Powell, cofundador da bolsa de criptomoedas Kraken, afirmou que a medida equivale a “roubar 5% dos ganhos não realizados” e previu que, após a saída dos bilionários, o consumo, as doações de caridade e as oportunidades de trabalho também diminuirão.
Hunter Horsley, CEO da Bitwise, disse que muitos profissionais que há muito tempo atuam na Califórnia e contribuem para a economia já estão a discutir, ou até a planear, a mudança para outros estados nos próximos 12 meses. O conhecido investidor de risco Chamath Palihapitiya também alertou que a riqueza dos empreendedores está concentrada em participações acionárias não líquidas, e que a tributação obrigatória pode sufocar a inovação e o espírito empreendedor nas fases iniciais.
Nic Carter, sócio da Castle Island Ventures, questionou se os formuladores de políticas compreendem realmente a realidade de um capital altamente móvel; Fredrik Haga, CEO da Dune, citou a experiência do imposto sobre riqueza na Noruega, indicando que a fuga de ricos muitas vezes resulta em uma arrecadação final menor do que o esperado.
Além disso, há rumores de que figuras como Peter Thiel, Larry Page (cofundador do Google) e Palmer Luckey (fundador de empresas de tecnologia de defesa) estão a considerar reduzir ou cortar ligações com a Califórnia, para evitar riscos fiscais potenciais.