
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou os arquivos de Epstein, revelando nove figuras influentes do mundo das criptomoedas. Thiel recebeu um investimento de 40 milhões de dólares e foi convidado para uma ilha privada; Musk, através da SolarCity, forneceu energia à ilha e perguntou sobre festas; Pierce, fundador da Tether, comunicou-se várias vezes com Epstein e admitiu que Epstein foi quem lhe ensinou sobre criptomoedas; Saylor apareceu indiretamente através de terceiros. A maioria das declarações esclarece que não há ilegalidades, mas apenas 3,5 milhões de páginas foram tornadas públicas, levantando dúvidas sobre possíveis tentativas de encobrimento da verdade.
Peter Thiel é cofundador do gigante de pagamentos PayPal e conhecido investidor em criptomoedas. Nos arquivos de Epstein, há evidências de que Thiel trocou inúmeros e-mails com Epstein, abordando temas políticos globais e discussões sobre processos judiciais contra Gawker. Epstein investiu 40 milhões de dólares na Valar Ventures, fundo de capital de risco fundado por Thiel, e chegou a convidá-lo para visitar sua ilha privada no Caribe.
Este investimento de 40 milhões de dólares é de grande escala. A Valar Ventures concentra-se em fintechs e empresas de internet, incluindo TransferWise (agora Wise), Xero, entre outras. O fato de Epstein investir essa quantia demonstra alta confiança no olho de Thiel para investimentos, além de sugerir que a relação vai além do social, entrando no âmbito comercial.
Apesar da comunicação frequente, o porta-voz de Thiel esclareceu ao The New York Times que ele nunca visitou a ilha. Este esclarecimento é crucial, pois a ilha privada de Epstein foi apontada como principal local de crimes sexuais, e qualquer pessoa que a visitasse poderia ser alvo de questionamentos morais e legais. Thiel recusou o convite para a ilha, mantendo sua relação com Epstein apenas no âmbito de negócios, sem envolvimento social privado.
Thiel escreveu em 2025 no Financial Times que o presidente Trump revelaria a verdade sobre os arquivos de Epstein durante seu novo mandato. Essa posição indica que Thiel apoia a divulgação dos arquivos, possivelmente para mostrar que sua relação com Epstein foi apenas de negócios.
Em 2014, Epstein participou de uma rodada seed de 18 milhões de dólares na empresa de blockchain Blockstream. Ele investiu 50 mil dólares na empresa através do fundo do diretor do MIT Media Lab, Joi Ito, a título pessoal. Essa conexão revela como Epstein, por meio de relações com instituições acadêmicas e elites tecnológicas, se infiltrou no setor de tecnologia emergente.
Sobre esse investimento, o CEO da Blockstream, Adam Back, respondeu na plataforma X que a relação se limitou ao investimento. Ele afirmou que, meses depois, o fundo de Ito se desfez da participação na empresa devido a conflitos de interesse e outros motivos, e que a Blockstream não tinha mais relação financeira direta ou indireta com Epstein ou seu legado. Essa rápida retirada mostra que, ao perceberem os riscos, a equipe da Blockstream agiu para cortar laços.
Austin Hill, cofundador da Blockstream, enviou um e-mail na época a Ito e Epstein expressando preocupação, alegando que investidores apoiando simultaneamente Ripple e Stellar poderiam gerar conflitos de interesse. Essa comunicação indica que Epstein tinha contato direto com Hill e era considerado um potencial investidor importante no setor de criptomoedas, merecendo influência.
Joi Ito pediu desculpas publicamente em 2019 por ter aceitado fundos de Epstein, admitindo erro de julgamento. Após o escândalo, Ito deixou seu cargo no MIT Media Lab e devolveu as doações recebidas de Epstein. Reconheceu que subestimou o risco de sua associação e pediu desculpas às vítimas.
Elon Musk, CEO da Tesla, dono da plataforma X e entusiasta de Dogecoin, também trocou muitas mensagens com Epstein. Os e-mails mostram que a SolarCity, empresa de Musk, forneceu energia solar para a ilha caribenha de Epstein. Essa relação comercial demonstra que, mesmo sem envolvimento social, as empresas de Musk prestaram serviços a Epstein.
Em um e-mail de final de 2012, Musk perguntou sobre festas loucas e se haveria um helicóptero para levá-lo e sua então esposa. Depois, mensagens indicaram que Musk, sob pressão de trabalho, queria relaxar após o retorno dos filhos. Apesar de mencionar a busca por informações sobre a ilha, posteriormente ficou claro que a viagem não ocorreu por problemas logísticos. Musk, recentemente, no X, esclareceu que nunca participou de festas de Epstein, nem visitou a ilha ou usou seu famoso avião particular.
O relacionamento mais próximo é com Brock Pierce, cofundador da Tether. Ele trocou várias mensagens com Epstein sobre criptomoedas. Em 2011, marcaram um encontro em Nova York, e há registros de chamadas e reuniões via Google Meet. Em 2015, Pierce enviou um e-mail apresentando oportunidades de investimento na Coinbase e discutiu investimentos na Blockstream.
O mais explosivo é um screenshot de um grupo no WhatsApp de maio de 2018, onde Epstein admitiu que Pierce foi quem lhe ensinou tudo sobre criptomoedas. Essa declaração mostra que a relação vai além de um investidor comum, parecendo mais uma relação de mentor ou conselheiro próximo. Pierce não só discutiu investimentos com Epstein, como também apresentou de forma sistemática conceitos de tecnologia, mercado e estratégias de investimento em criptomoedas. Até o momento, Pierce não comentou publicamente sobre as informações do arquivo.
Brock Pierce (Tether): mais próximo, várias reuniões e comunicações, Epstein admitiu que foi seu mentor em criptomoedas
Peter Thiel (PayPal): relação de investimento importante, US$ 40 milhões investidos, mas recusou convite para ilha
Musk (Tesla/X): relação comercial (sistema solar) e perguntas sociais, mas sem viagens ou encontros
Adam Back (Blockstream): relação de investimento indireta, seguida de rápida retirada
Michael Saylor (MicroStrategy): mencionado apenas por terceiros, sem comunicação direta
Embora o DOJ afirme ter divulgado milhões de páginas de Epstein, as ações legais subsequentes parecem pessimistas. A Associated Press cita fontes do governo dizendo que, embora os arquivos contenham muitos e-mails e fotos perturbadoras, isso pode não ser suficiente para uma acusação, e a possibilidade de processar é muito baixa.
Ao mesmo tempo, a gestão dos arquivos de Epstein gerou insatisfação bipartidária. O deputado democrata Ro Khanna afirmou que o DOJ confirmou mais de 6 milhões de páginas relacionadas, mas após revisão e edição, apenas cerca de 3,5 milhões foram divulgadas. Ele questionou se os documentos não divulgados não seriam protegidos para preservar figuras influentes, o que prejudicaria a confiança pública no sistema. A deputada democrata de Novo México, Melanie Stansbury, acusou abertamente de encobrimento, enquanto o republicano Thomas Massie afirmou que há muitos documentos retidos ou excessivamente editados.
Essa unanimidade bipartidária é rara e mostra que a questão da transparência na divulgação dos arquivos ultrapassa as diferenças políticas, representando um desafio à integridade do governo. Os 2,5 milhões de páginas restantes podem conter informações mais sensíveis sobre pessoas e negócios, e o equilíbrio entre o direito do público à informação e a privacidade dos envolvidos será o foco de futuras controvérsias. Para o setor de criptomoedas, a revelação de mais nomes influentes pode gerar uma nova crise de reputação.
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