Plataforma de agregação DeFi na Solana – Step Finance – encerrou oficialmente todas as atividades após um ataque que retirou cerca de 30 milhões de USD em ativos da carteira do projeto no final de janeiro. No entanto, a história não termina com a interrupção de uma protocolo, mas reflete uma nova tendência de risco emergente no setor DeFi.
Ao contrário de muitos incidentes DeFi anteriores, geralmente causados por vulnerabilidades em smart contracts, o caso do Step Finance teria origem na comprometimento do dispositivo de um membro da equipe de gestão. O controle desses dispositivos pode ter exposto chaves privadas ou permitido a instalação de malware que interferiu no processo de aprovação de transações internas.
Após obter acesso, o atacante cancelou aproximadamente 261.854 SOL em staking e transferiu ativos para fora da carteira controlada pelo projeto, fazendo o token STEP despencar mais de 80% em pouco tempo.
Isso revela uma realidade preocupante: mesmo com infraestrutura on-chain cuidadosamente auditada, os riscos off-chain – humanos e processos operacionais – ainda podem ser o ponto de falha do sistema.
O Step Finance atuava como um “painel de controle” de portfólio DeFi para usuários na Solana. A retirada do projeto criou um vazio no ecossistema, especialmente para usuários acostumados com ferramentas de agregação e monitoramento de ativos.
No entanto, a reação ao SOL foi relativamente estável, indicando que o mercado diferencia o risco de um protocolo específico das perspectivas de longo prazo da rede blockchain.
O incidente do Step Finance ocorre em um contexto de aumento expressivo de perdas relacionadas a criptomoedas. Segundo dados da PeckShield, o prejuízo total por hacks e fraudes em 2025 ultrapassou 4,04 bilhões de USD, um aumento de quase 34% em relação ao ano anterior.
Dentre eles:
Mais de 200 incidentes de hacking registrados no ano, sem contar fraudes. Destaca-se que fevereiro foi o mês mais prejudicial, principalmente devido ao ataque de 1,51 bilhão de USD contra a exchange Bybit.
A PeckShield também observa uma tendência de transição de exploração puramente técnica para formas de engenharia social direcionadas, focadas em organizações centralizadas e indivíduos com grandes volumes de ativos, aumentando significativamente o prejuízo médio por incidente.
O encerramento do Step Finance mostra que o DeFi não enfrenta mais apenas o desafio de “código seguro”, mas precisa ampliar seus padrões de segurança para incluir governança interna, gestão de chaves privadas, processos de aprovação de transações e controle de dispositivos.
Com o fluxo de capital institucional cada vez mais voltado para ativos digitais, incidentes como esse levantam uma grande questão: a infraestrutura DeFi está suficientemente madura para lidar com riscos operacionais em escala?
O Step Finance pode ser apenas um projeto dentro do ecossistema, mas esse evento reforça uma realidade fundamental: os riscos no DeFi não estão apenas na blockchain, mas também na forma como as pessoas gerenciam e operam o sistema por trás dele.