
O relatório operacional mensal mais recente da CleanSpark, mineradora de Bitcoin listada na NASDAQ, mostra que a empresa produziu 568 bitcoins em fevereiro, dos quais 553 foram vendidos por um valor total de aproximadamente 36,6 milhões de dólares, representando uma taxa de venda de até 97%, quase esvaziando toda a produção do mês. Até o final de fevereiro, a CleanSpark possuía 13.363 bitcoins, dos quais 1.086 estavam utilizados como garantia ou relacionados a transações de derivativos.
Enquanto quase esvaziava sua produção mensal de bitcoins, a CleanSpark continuou a expandir sua infraestrutura. Até o final de fevereiro, tinha implantado 235.588 máquinas de mineração; sua capacidade de hash máxima atingiu 50 EH/s, com uma média de 43,2 EH/s; o contrato de fornecimento de energia firmado corresponde a uma capacidade de 1,8 gigawatts (GW), sendo que atualmente estão em uso 808 megawatts (MW). Este ano, a empresa já produziu um total de 1.141 bitcoins.
No que diz respeito à infraestrutura, a CleanSpark concluiu a entrega do segundo parque de mineração no Texas, adicionando uma capacidade de energia de 300 MW aprovada pela ERCOT (Comitê de Confiabilidade da Energia do Texas). Além disso, a empresa anunciou que está ajustando parte de sua infraestrutura para suportar cargas de trabalho de inteligência artificial (IA) e computação de alto desempenho (HPC), alinhando-se à tendência do setor de mineradoras de Bitcoin de diversificar a monetização de centros de dados de alta densidade de potência.
A venda quase total da produção mensal de Bitcoin pela CleanSpark não é um caso isolado; várias outras mineradoras listadas também iniciaram planos de liquidação de Bitcoin de diferentes escalas:
Riot Platforms: vendeu 1.818 bitcoins em dezembro de 2024, realizando cerca de 161,6 milhões de dólares, direcionando os recursos para a monetização de infraestrutura de energia e centros de dados, incluindo uma mudança para suportar cargas de trabalho de IA.
Bitdeer: liquidou todas as suas reservas de Bitcoin em fevereiro, vendendo os 189,8 bitcoins produzidos e mais 943,1 bitcoins de suas reservas existentes.
Core Scientific: vendeu aproximadamente 1.900 bitcoins em janeiro, arrecadando cerca de 175 milhões de dólares, reduzindo seu estoque para menos de 1.000 bitcoins; anunciou também uma linha de crédito de 500 milhões de dólares com Morgan Stanley, destinada a infraestrutura de IA e HPC.
MARA Holdings: rumores de mercado sugerem que a empresa pode iniciar uma venda de reservas, mas o vice-presidente de relações com investidores, Robert Samuels, negou claramente na plataforma X que a empresa mudaria sua estratégia financeira central. Atualmente, possui 53.822 bitcoins, sendo a segunda maior reserva corporativa de Bitcoin do mundo.
O fluxo de fundos dessa onda de liquidação revela uma tendência clara do setor — as mineradoras estão convertendo seus bitcoins em investimentos em infraestrutura de IA e HPC. A infraestrutura de centros de dados de alta densidade de potência (com grande consumo de energia, capacidade de dissipação de calor e gerenciamento de hardware) é altamente compatível com as necessidades de treinamento e inferência de modelos de IA, proporcionando às mineradoras uma base natural para sua transformação de negócios.
A CleanSpark, Core Scientific e Riot Platforms já declararam explicitamente sua direção de transformação para IA. Essa tendência mostra que as mineradoras de Bitcoin estão redefinindo seu posicionamento de negócio — de produtoras de criptomoedas para fornecedoras de serviços de hash de alta densidade de potência.
Por que a CleanSpark vendeu 97% da produção de Bitcoin de fevereiro?
Diante da queda do preço do Bitcoin e da redução da lucratividade da mineração após o halving de 2024, a CleanSpark optou por monetizar quase toda a sua produção mensal para financiar a expansão de capacidade de energia no Texas e investir na transformação para negócios de IA/HPC. Essa estratégia está alinhada com a mudança geral do setor, de manter os bitcoins para liquidá-los.
O que significa a queda de 6,4% no dia do ETF de mineração de Bitcoin da CoinShares?
Esse ETF acompanha o desempenho geral das mineradoras listadas, e a queda de 6,4% reflete a preocupação geral dos investidores com a liquidação em grande escala por parte das mineradoras e a contínua redução das margens de lucro do setor, além de indicar alta sensibilidade das ações das mineradoras à queda do preço do Bitcoin.
A MARA Holdings será a próxima grande mineradora a liquidar suas reservas?
Atualmente, não há nenhuma evidência oficial que apoie essa hipótese. O vice-presidente de relações com investidores da MARA, Robert Samuels, negou claramente na plataforma X que a empresa mudaria sua estratégia financeira central. A MARA possui 53.822 bitcoins, sendo a segunda maior reserva corporativa de Bitcoin do mundo, e mantém sua estratégia de manter os ativos.