
O CEO da Wintermute, Evgeny Gaevoy, publicou recentemente um longo artigo filosófico, no qual analisa sistematicamente três possíveis futuros para a indústria de criptomoedas, admitindo que a maioria desses caminhos “vai sufocar” os ideais centrais do cypherpunk. Gaevoy reconhece que, após quase nove anos na área, nunca se sentiu tão perdido, sem esperança alguma.
Gaevoy acredita que o caminho mais provável é o sistema financeiro tradicional (TradFi) integrar completamente as tecnologias de criptomoedas: uso generalizado de stablecoins, implementação de KYC em cadeias empresariais e DEX, Bitcoin tornando-se o ouro digital de governos e corporações, ou o fim com uma CBDC, permitindo que o governo controle totalmente a privacidade financeira dos cidadãos. Sua avaliação é: “A tecnologia funciona muito bem, mas nós perdemos.” Probabilidade: altíssima.
A segunda possibilidade é o governo render-se às blockchains, operando tudo em registros públicos permissionless, completamente bypassando KYC/AML, com tokens avaliados em trilhões de dólares. Gaevoy chama isso de “sonho louco”: “Os governos não vão abrir mão da soberania, assim como as empresas não vão abrir mão de seu monopólio. Casinos não podem operar livremente na Solana, e a CFTC não vai relaxar suas regulações sobre Hyperliquid.” Probabilidade: extremamente baixa.
A terceira via é construir uma economia paralela totalmente independente do sistema existente, onde indivíduos possam coexistir em ambos os sistemas, e o governo, devido à arquitetura do sistema, não possa interferir. Sua avaliação: “Nós vencemos, e vencemos de forma legítima.” Probabilidade: “Depende totalmente de nós.”
Gaevoy acredita que alcançar essa terceira via exige que a comunidade de criptomoedas tome uma série de ações concretas:
Ele enfatiza que o verdadeiro objetivo é criar “um sistema onde pessoas comuns possam existir sem precisar de permissão de ninguém”, voltado para indivíduos que realmente necessitam de proteção de soberania — seja em países autoritários ou em democracias com leis de privacidade cada vez mais rigorosas.
Gaevoy acredita que a indústria absorveu entre 2022 e 2024 “lições completamente erradas”. Diante do colapso da FTX e da repressão da SEC, a reação do setor não foi intensificar a busca por descentralização, mas sim direcionar esforços para “colocar as pessoas certas nos lugares certos” — essencialmente aceitando uma centralização mais profunda.
Ele cita o conceito de “Caminho de Ouro” de Duna: o que realmente vale a pena construir não é um império que traga máxima estabilidade, mas um sistema disperso, diversificado, que evite o colapso de indivíduos e civilizações por excesso de concentração.
O que são os três futuros possíveis para as criptomoedas descritos por Gaevoy?
São: (1) TradFi absorve criptomoedas, mais provável, Gaevoy acredita que isso significa “perdemos”; (2) tudo migra para cadeias descentralizadas, altamente improvável, descrito como “sonho louco”; (3) coexistência paralela de TradFi e criptomoedas, cuja viabilidade depende das escolhas do setor, sendo a única que ele considera digna de busca.
Por que Gaevoy acredita que os ideais cypherpunk terão dificuldade de sobreviver na maioria dos futuros?
Porque o núcleo cypherpunk é a soberania individual e sistemas permissionless. O futuro mais provável (TradFi absorvendo criptomoedas) exige KYC e controle centralizado; o futuro ideal de total descentralização é considerado praticamente impossível na política atual. Apenas a terceira via de coexistência paralela pode preservar o espírito cypherpunk, mas requer uma escolha e construção ativa pela comunidade.
Qual é a contradição entre as ideias pessoais de Gaevoy e os interesses comerciais da Wintermute?
Gaevoy admite que a Wintermute pode se beneficiar da convergência entre TradFi e criptomoedas (primeiro futuro), mas ele pessoalmente acredita que isso diverge da missão original das criptomoedas, deixando claro que “não está interessado nisso”, demonstrando uma autoavaliação consciente e rara entre suas convicções pessoais e a realidade de negócios.