
O vice-presidente do Banco de Inglaterra (BoE), Sarah Breeden, afirmou na quarta-feira, durante uma audiência no Comitê de Supervisão Financeira da Câmara dos Lordes, que, além de estabelecer limites de posse, o Banco de Inglaterra está aberto a outras formas de gerenciar riscos relacionados às stablecoins, destacando que está “disposta a ouvir” feedbacks sobre alternativas. Breeden também anunciou que as empresas poderão começar a solicitar a emissão de stablecoins em libras até o final de 2026, refutando a ideia de que o Reino Unido esteja “atrasado” nesse setor.
O Banco da Inglaterra publicou, em novembro de 2025, um documento de consulta sobre o quadro regulatório para stablecoins denominadas em libras, propondo um limite de posse entre 10.000 e 20.000 libras, com prazo de resposta até 10 de fevereiro de 2026. Organizações do setor criticaram fortemente, concentrando suas críticas em:
Sinal de rejeição às criptomoedas: o limite foi interpretado como uma postura do Reino Unido de não apoiar a indústria de criptomoedas
Fuga de empresas: preocupação de que empresas migrem para jurisdições com regulamentação mais favorável
Prejuízo à inovação: restrições de pequenas quantidades dificultariam a adoção de stablecoins em pagamentos ao varejo e ambientes comerciais
Impacto no crescimento econômico: limites excessivamente conservadores prejudicariam a competitividade do Reino Unido no cenário financeiro global de criptomoedas
Breeden explicou que o objetivo do limite de posse é evitar que depósitos sejam transferidos em grande escala de bancos para stablecoins, o que poderia afetar a capacidade de empréstimo e a oferta de crédito. Ela afirmou: “Propusemos estabelecer limites de posse para controlar esse risco e estamos abertos a ouvir feedbacks sobre outras formas de implementação. Mas, como autoridade de supervisão financeira, esperamos garantir que o crédito no Reino Unido não sofra quedas abruptas.”
Breeden destacou que stablecoins mantidas em carteiras não custodiais (Non-custodial), fora de exchanges e entidades reguladas, não estarão sob a proteção do sistema regulatório do Reino Unido. Ela explicou que essas carteiras não possuem mecanismos que garantam conformidade com as regras de combate à lavagem de dinheiro (AML) e de Conheça Seu Cliente (KYC), portanto, essa prática é “não permitida” no Reino Unido, diferentemente das regulamentações dos Estados Unidos que permitem carteiras não custodiais.
Breeden refutou as críticas de que o regulador do Reino Unido estaria atrasado: “Discordo completamente dessa afirmação. Começaremos a aceitar pedidos de emissão de stablecoins até o final deste ano.” Ela também reiterou os princípios regulatórios: “Stablecoins que funcionam como moeda na economia devem ser tão sólidas quanto a moeda emitida pelos bancos que usamos hoje.”
A Autoridade de Conduta Financeira (FCA) do Reino Unido criou um sandbox regulatório, onde várias empresas poderão testar produtos e serviços de stablecoins no primeiro trimestre de 2026, oferecendo um espaço protegido antes da implementação do quadro regulatório oficial. O Banco da Inglaterra ainda está realizando consultas finais sobre as regras de stablecoins em libras, mas as empresas já podem enviar pedidos de emissão até o final de 2026.
A indústria criticou amplamente a proposta de limite entre 10.000 e 20.000 libras, alegando que prejudicaria a inovação e incentivaria a saída de empresas. Breeden afirmou estar disposta a ouvir alternativas, mas ressaltou que qualquer solução deve ser capaz de evitar a transferência massiva de depósitos de bancos para stablecoins, protegendo assim o fornecimento de crédito no Reino Unido.
Segundo Breeden, atualmente, no Reino Unido, carteiras não custodiais que mantêm stablecoins fora de entidades reguladas, como exchanges, são “não permitidas”, devido à ausência de mecanismos que garantam conformidade com AML e KYC. Essa postura contrasta com a regulamentação dos Estados Unidos, que permite esse tipo de carteira.
Breeden afirmou que as empresas poderão começar a enviar pedidos formais de emissão de stablecoins em libras até o final de 2026. Além disso, a FCA criou um sandbox regulatório no primeiro trimestre de 2026 para que o setor possa testar produtos e serviços relacionados antecipadamente.