Após o presidente Lula propor a proibição de plataformas de apostas online no Brasil, enquanto o país enfrenta uma epidemia de jogos de azar, os mercados de previsão não regulamentados podem ser prejudicados. Os analistas concordam que essas plataformas operam numa “área cinzenta”, pois não há uma lei específica que as regulamente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recentemente prometeu combater a indústria de jogos de azar online no Brasil.
No Dia Internacional da Mulher, Lula referiu-se à questão, afirmando que essas plataformas têm causado um grande impacto nas famílias brasileiras. Ele declarou:
“Outro drama que afeta os lares brasileiros é o vício em jogos de azar. Embora a maioria dos viciados sejam homens, a conta recai sobre as mulheres: dinheiro para comida, aluguel, escola e crianças desaparecendo na tela de um celular.”

Lula então anunciou que os casinos online foram proibidos, afirmando que não faz sentido permitir que o jogo entre nas casas e encha as famílias de dívidas através de telefones móveis. Ele concluiu divulgando que trabalharia com o Congresso e o Judiciário para impedir que plataformas de apostas online destruíssem famílias.
Enquanto os primeiros mercados de previsão foram regulados como valores mobiliários pelo equivalente brasileiro da SEC, outros mercados de previsão descentralizados, como Polymarket e alternativas locais como Previas e Palpitada, já estão operando, e alguns acreditam que podem ser classificados como plataformas de apostas no futuro.
Claudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Estudos de Finanças da FGV EAESP, compartilha essa dúvida. Ela disse ao Valor Econômico que os mercados de previsão enfrentam uma questão-chave: podem ser tratados como apostas, enfrentando regulamentação semelhante e estando sob supervisão do Ministério da Fazenda através da Secretaria de Prêmios e Apostas.
No entanto, ela destaca que alguns produtos ligados aos mercados financeiros assemelham-se a derivativos. A Kalshi, que recentemente fez parceria com o XP Group para expandir para o Brasil, trará inicialmente esse tipo de evento de previsão para investidores brasileiros.
Outros contratos de mercados de previsão ligados a eventos esportivos podem estar mais próximos de uma área cinzenta. Lisa Worcman, sócia da Mattos Filho, destacou que os mercados de previsão devem ser regulamentados antes que o setor seja dominado por players estrangeiros. “E lembremos que estamos em um ano de Copa do Mundo e eleições no Brasil,” ela ressaltou, lembrando o grande potencial de impacto que esses eventos terão em plataformas similares.