O acordo do drone interceptor da Força Aérea dos EUA com a Powerus, apoiada pelos Trump, estreita os laços familiares com o Pentágono enquanto Washington muda o foco para drones de IA baratos contra o Irã.
Resumo
A Força Aérea dos EUA fechou um acordo de aquisição de armas com a Powerus, uma empresa de drones apoiada pelos filhos do presidente Donald Trump, estreitando ainda mais os vínculos entre os interesses empresariais da família Trump e o Pentágono enquanto a guerra EUA–Irã se arrasta para o terceiro mês.
De acordo com a Bloomberg, a Força Aérea concordou em comprar um número não divulgado de drones interceptores da empresa sediada em West Palm Beach, que conta com apoio de Eric Trump e Donald Trump Jr. por meio do veículo de investimentos Aureus Greenway Holdings.
O cofundador e presidente da Powerus, Brett Velicovich, disse à Bloomberg que a empresa venderá os drones ao Pentágono após uma demonstração em uma instalação no Arizona, descrevendo o acordo como o primeiro contrato da Powerus para vender armas ao setor militar dos EUA.
Ele se recusou a divulgar o escopo ou o valor do pedido, e autoridades não comentaram as quantidades, mas a reportagem observa que o Pentágono geralmente faz compras limitadas ao avaliar sistemas novos antes de se comprometer com programas maiores e mais abrangentes.
O contrato destaca como os EUA correm para colocar no campo opções mais baratas de contradrone à medida que o Irã e seus proxies dependem fortemente de drones de ataque unidirecionais estilo Shahed de baixo custo neste conflito.
Analistas e autoridades alertaram que disparar interceptores Patriot ou THAAD de vários milhões de dólares contra drones de US$ 30.000 é economicamente insustentável, levando o Pentágono a buscar sistemas menores e descartáveis, que possam ser implantados em grandes quantidades.
Essa mudança já é visível no campo de batalha. Em março, autoridades ucranianas e dos EUA disseram que Washington acelerou a entrega de cerca de 10.000 drones interceptores Merops habilitados para IA, originalmente desenvolvidos e testados em combate na Ucrânia, para o Oriente Médio a fim de proteger forças dos EUA e parceiros de enxames de drones iranianos.
Relatórios do fabricante e de analistas de defesa afirmam que as unidades Merops combinam uma estação de comando, plataformas de lançamento e frotas de interceptores autônomos que dependem de visão computacional embarcada em vez de GPS ou links via satélite, permitindo caçar e destruir drones mesmo em ambientes fortemente sujeitos a interferência.
O sistema teria registrado mais de 1.000 abates contra drones fabricados na Rússia e no Irã na Ucrânia e agora foi implantado na Polônia, na Romênia e em bases dos EUA na região, mostrando como, rapidamente, novas ferramentas de contradrone podem sair de testes para implantação em massa.
Para a Powerus, o novo acordo com o Pentágono chega apenas algumas semanas depois de a Bloomberg relatar que a startup também estava oferecendo vendas de armas aos Emirados Árabes Unidos, incluindo um drone interceptor projetado para atingir os Shahed-136 do Irã.
Com investidores apoiados pela família Trump agora financiando uma empresa que vende drones para um conflito ativo moldado por decisões de política dos EUA, questões de ética e supervisão provavelmente virão, mesmo enquanto planejadores militares correm para fechar a lacuna de custo e capacidade diante do arsenal de drones em expansão do Irã.