Lembro-me do final dos anos 80, início dos anos 90… Assim que chegava dezembro, uma excitação começava em casa, como se o mundo girasse apenas à nossa volta. A véspera de Ano Novo não era como é hoje, cheia de centros comerciais iluminados, presentes caros ou publicações nas redes sociais. Naquela altura, a véspera de Ano Novo significava uma noite em um lar quente, com flocos de neve a derreter lentamente na janela. O aroma maravilhoso de especiarias a sair do meu mãe a rechear um peru na cozinha enchia toda a casa. Muitas vezes nevava lá fora. A neve fina e silenciosa… Assim que acordávamos de manhã, corríamos até à janela. A rua estaria completamente branca, com fumo a sair das chaminés dos vizinhos. Corríamos para a rua para fazer bonecos de neve; colocávamos cenouras para os narizes e pedaços de carvão para os olhos, e depois ríamos e perguntávamos uns aos outros, "Ele ganhou vida?" Quando chegávamos a casa, bebíamos o salep quente ou boza que a nossa mãe tinha preparado, com as mãos congeladas, as bochechas vermelhas. Os presentes também eram diferentes. Não brinquedos caros, mas um par de meias de lã, um conjunto colorido de lápis ou alguns chocolates que o nosso pai tirava do bolso… Mas a alegria que sentíamos ao abrir aquele presente era diferente de tudo hoje. Porque não era o valor do presente que importava, mas o calor da mão do doador. E a melhor parte era estar na mesma sala com a família. Mãe, pai, irmãos… Ninguém olhava para os seus telemóveis, ninguém dizia, "Vamos tirar uma foto agora mesmo." Estávamos apenas a rir juntos, a ficar entusiasmados juntos, a viver essa noite mágica juntos. Quando a meia-noite se aproximava, juntávamo-nos na contagem decrescente na TV, gritando "10… 9… 8…" em uníssono. Depois, abraçávamo-nos e dizíamos sinceramente, "Feliz Ano Novo." Agora, ao pensar nisso, o maior presente dessas noites de Ano Novo era esse amor sem limites e esse sentimento de pertença. Quão simples, quão real era tudo… Hoje as luzes estão mais brilhantes, os presentes talvez maiores, mas aquele sentimento quente de casa, o cheiro de neve, a voz da nossa mãe, o riso do nosso pai… Eles nunca voltam. Sinto falta daqueles dias. Sinto falta daquela excitação inocente, daquele amor incondicional. Talvez um dia volte a nevar e desperte a criança que há em mim, mesmo que seja só por uma noite. Feliz Ano Novo, minha infância… Feliz Ano Novo àqueles Natal encantados.
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Lembro-me do final dos anos 80, início dos anos 90… Assim que chegava dezembro, uma excitação começava em casa, como se o mundo girasse apenas à nossa volta. A véspera de Ano Novo não era como é hoje, cheia de centros comerciais iluminados, presentes caros ou publicações nas redes sociais. Naquela altura, a véspera de Ano Novo significava uma noite em um lar quente, com flocos de neve a derreter lentamente na janela. O aroma maravilhoso de especiarias a sair do meu mãe a rechear um peru na cozinha enchia toda a casa. Muitas vezes nevava lá fora. A neve fina e silenciosa… Assim que acordávamos de manhã, corríamos até à janela. A rua estaria completamente branca, com fumo a sair das chaminés dos vizinhos. Corríamos para a rua para fazer bonecos de neve; colocávamos cenouras para os narizes e pedaços de carvão para os olhos, e depois ríamos e perguntávamos uns aos outros, "Ele ganhou vida?" Quando chegávamos a casa, bebíamos o salep quente ou boza que a nossa mãe tinha preparado, com as mãos congeladas, as bochechas vermelhas. Os presentes também eram diferentes. Não brinquedos caros, mas um par de meias de lã, um conjunto colorido de lápis ou alguns chocolates que o nosso pai tirava do bolso… Mas a alegria que sentíamos ao abrir aquele presente era diferente de tudo hoje. Porque não era o valor do presente que importava, mas o calor da mão do doador. E a melhor parte era estar na mesma sala com a família. Mãe, pai, irmãos… Ninguém olhava para os seus telemóveis, ninguém dizia, "Vamos tirar uma foto agora mesmo." Estávamos apenas a rir juntos, a ficar entusiasmados juntos, a viver essa noite mágica juntos. Quando a meia-noite se aproximava, juntávamo-nos na contagem decrescente na TV, gritando "10… 9… 8…" em uníssono. Depois, abraçávamo-nos e dizíamos sinceramente, "Feliz Ano Novo." Agora, ao pensar nisso, o maior presente dessas noites de Ano Novo era esse amor sem limites e esse sentimento de pertença. Quão simples, quão real era tudo… Hoje as luzes estão mais brilhantes, os presentes talvez maiores, mas aquele sentimento quente de casa, o cheiro de neve, a voz da nossa mãe, o riso do nosso pai… Eles nunca voltam. Sinto falta daqueles dias. Sinto falta daquela excitação inocente, daquele amor incondicional. Talvez um dia volte a nevar e desperte a criança que há em mim, mesmo que seja só por uma noite. Feliz Ano Novo, minha infância… Feliz Ano Novo àqueles Natal encantados.