O preço do ouro atinge recordes históricos repetidamente|O movimento de alta das últimas cinco décadas, vai se repetir nos próximos 50 anos?

Por que o ouro merece atenção? Vamos analisar o retorno de investimento dos últimos 50 anos

Investir em ouro dá dinheiro? A resposta a essa pergunta depende de como você encara o horizonte de tempo.

Se avaliarmos com base nos últimos mais de 50 anos (de 1971 até hoje), o retorno do investimento em ouro é bastante considerável. Desde 1971, quando o preço era de 35 dólares por onça, até os mais de 4000 dólares atuais, o preço do ouro subiu mais de 120 vezes. No mesmo período, o índice Dow Jones dos EUA passou de 900 pontos para cerca de 46000 pontos, um aumento de aproximadamente 51 vezes. Sob essa perspectiva, o retorno de longo prazo do ouro não fica atrás do mercado de ações, e até apresenta desempenho superior.

Porém, há uma armadilha — a valorização do ouro nunca é uma linha reta. Entre 1980 e 2000, ao longo de 20 anos, o preço do ouro ficou preso na faixa de 200~300 dólares, sem grandes movimentos. Se você investiu em ouro nesse período, foi como perder 20 anos de tempo, com retorno final próximo de zero. Quantos anos de vida temos? Essa é uma das razões pelas quais o ouro é mais adequado para operações de ondas de mercado (waves) do que para manutenção de longo prazo.

Como se formaram as máximas históricas do preço do ouro? Revisão das quatro grandes ondas de alta em meio século

Para entender por que o ouro atingiu os níveis atuais, é preciso voltar ao momento crucial de 1971.

O presidente dos EUA, Richard Nixon, anunciou em 15 de agosto de 1971 o fim do padrão ouro, rompendo a paridade do dólar com o ouro e desintegrando oficialmente o sistema de Bretton Woods. Antes disso, a taxa de câmbio oficial era de 1 onça de ouro por 35 dólares, e o dólar era, na prática, um papel representando ouro. Mas, com o crescimento acelerado do comércio internacional, a extração de ouro não acompanhava a demanda, e as reservas de ouro dos EUA estavam saindo em grande quantidade, levando ao colapso do sistema de câmbio fixo.

De 1971 a 2025, mais de meio século, o ouro passou por quatro ciclos claros de alta:

Primeira onda (1970~1975): crise de confiança após o rompimento

Após o rompimento do padrão ouro, o ouro internacional disparou de 35 dólares para 183 dólares, um aumento de mais de 400%, em 5 anos. A alta inicial foi motivada pela desconfiança do público na nova moeda — já que o dólar não podia mais ser trocado por ouro, as pessoas se perguntavam: o dólar ainda vale alguma coisa? Preferiam manter ouro físico do que confiar em papel-moeda. Depois, a crise do petróleo e a expansão monetária dos EUA para comprar petróleo impulsionaram uma segunda onda de alta. Quando a crise se acalmou e o público percebeu que o dólar ainda era útil, o preço do ouro voltou a cerca de 100 dólares.

Segunda onda (1976~1980): turbulências geopolíticas

O ouro subiu de 104 dólares para 850 dólares, um aumento de mais de 700%, em cerca de 3 anos. Essa alta foi impulsionada pela segunda crise do petróleo no Oriente Médio e por instabilidades geopolíticas — crise dos reféns no Irã, invasão soviética do Afeganistão, entre outros eventos. A economia global entrou em recessão, a inflação aumentou e o ouro virou refúgio de valor. O preço foi inflacionado a níveis nunca vistos antes. Mas, como diz o ditado, tudo que sobe demais, desce. Quando a crise se acalmou e a União Soviética se dissolveu em 1991, o ouro despencou, permanecendo entre 200~300 dólares por 20 anos, sem grandes emoções.

Terceira onda (2001~2011): do anti-terrorismo à crise financeira

O preço do ouro subiu de 260 dólares para 1921 dólares, um aumento de mais de 700%, ao longo de 10 anos. Essa fase começou com os atentados de 11 de setembro de 2001. O mundo percebeu que guerras e conflitos não tinham fim, e os EUA iniciaram uma década de guerra ao terror. Para sustentar os gastos militares, o governo americano cortou juros e aumentou a dívida, impulsionando o mercado imobiliário e, posteriormente, a crise financeira de 2008. Para salvar o sistema, o Federal Reserve lançou o programa de flexibilização quantitativa (QE), levando o ouro a uma grande tendência de alta de uma década. Em 2011, na crise da dívida na Europa, o ouro atingiu o pico de 1921 dólares por onça. Depois, com intervenções coordenadas da UE e do Banco Mundial, o preço estabilizou em torno de 1000 dólares.

Quarta onda (2015 até hoje): taxas negativas e crises geopolíticas

Nos últimos 10 anos, o ouro voltou a subir. De 1060 dólares em 2015, chegou a ultrapassar 2000 dólares. Os fatores incluem: políticas de juros negativos no Japão e Europa, desdolarização global, QE nos EUA em 2020, guerra Rússia-Ucrânia em 2022, conflitos no Oriente Médio em 2023, entre outros. Em 2024, o mercado de ouro continuou avançando, atingindo recordes históricos. Logo no início do ano, o preço começou a subir forte, e em outubro atingiu 4300 dólares por onça, marcando uma nova máxima histórica. Acredita-se que a incerteza na política econômica dos EUA, o aumento das reservas de ouro pelos bancos centrais e a escalada das tensões geopolíticas tenham impulsionado essa onda de alta.

Até meados de 2025, o cenário permanece de instabilidade: tensões no Oriente Médio, conflito Rússia-Ucrânia, preocupações comerciais com tarifas nos EUA, volatilidade nos mercados de ações e fraqueza do dólar. Esses fatores continuam elevando o preço do ouro, que já bateu recordes múltiplas vezes, saindo de 2690 dólares no início do ano e chegando perto de 4000 dólares em meados de 2025, com alta superior a 56%.

Investir em ouro para o longo prazo ou operar ondas de mercado? A resposta não é tão simples

Para determinar se investir em ouro compensa, é preciso entender suas diferenças essenciais em relação a outros ativos.

As fontes de retorno do ouro, ações e títulos são completamente distintas:

  • Ouro: retorno principalmente via valorização de preço, não gera juros
  • Títulos (renda fixa): retorno via cupom, com foco em fluxo de caixa estável
  • Ações: retorno via valorização de empresas, dependente do crescimento corporativo

Sob essa ótica, a ordem de dificuldade de investimento é: títulos mais fáceis, ouro no meio, ações mais difíceis.

Porém, em termos de rentabilidade, os últimos 50 anos mostram que o ouro foi o melhor, enquanto nos últimos 30 anos, ações lideraram, seguidas pelo ouro e depois títulos. O que isso indica? Para ganhar muito dinheiro com ouro, é preciso captar com precisão as tendências do mercado. O padrão costuma ser: uma grande fase de alta, seguida de uma queda rápida, depois uma consolidação e, por fim, uma nova fase de alta. Conseguir operar na alta e na baixa, com compras na alta e vendas na baixa, potencializa os ganhos, superando títulos e ações.

Por outro lado, se você comprou em 1980 e vendeu em 2000, ficou 20 anos sem grandes ganhos, e ainda perdeu parte do poder de compra por causa da inflação, tendo prejuízo real.

Portanto, a conclusão é: o ouro é uma excelente ferramenta de investimento, mas seu perfil natural é de operação de ondas de mercado, não de compra e manutenção de longo prazo.

Vale notar que, por ser um recurso natural, o custo de extração aumenta com o tempo. Mesmo que a tendência de alta termine, o preço tende a subir o ponto mais baixo, ou seja, o fundo do ciclo vai se elevando. Em outras palavras, não espere que o ouro caia a zero, e ao operar ondas, é importante entender essa regra para evitar esforços inúteis.

Como alocar ouro em diferentes ciclos econômicos?

A lógica básica de investimento em ouro pode ser resumida assim: em períodos de crescimento econômico, prefira ações; em recessões, prefira ouro.

Quando a economia está forte, as empresas lucram mais, e as ações tendem a subir. Em contrapartida, títulos de renda fixa perdem atratividade, e o ouro, que não paga juros, fica de lado.

Por outro lado, na desaceleração econômica, as empresas têm lucros baixos, as ações caem, e o ouro, por sua estabilidade de valor, e os títulos de renda fixa, que pagam juros, se tornam atrativos, levando o fluxo de capital para esses ativos.

A estratégia mais segura é ajustar dinamicamente a alocação entre ações, títulos e ouro, de acordo com o perfil de risco e objetivos de cada um. Eventos como a guerra Rússia-Ucrânia, inflação e aumento de juros acontecem frequentemente, e ninguém consegue prever o futuro com 100% de certeza. Manter uma carteira diversificada, com uma proporção de cada ativo, ajuda a mitigar riscos de volatilidade e torna o portfólio mais robusto.

Cinco formas de investir em ouro

Existem várias maneiras de investir em ouro, que podem ser agrupadas em cinco categorias principais:

1. Ouro físico

Compra direta de barras ou joias de ouro. Vantagens: fácil de esconder o patrimônio, pode usar como joia. Desvantagens: difícil de negociar, exige armazenamento físico.

2. Certificado de ouro (Ouro em conta)

Semelhante ao antigo certificado de dólar, é um documento de custódia do ouro. Após a compra, o certificado registra a quantidade de ouro, e é possível resgatar o ouro físico a qualquer momento. Vantagens: fácil de transportar. Desvantagens: sem juros, spread alto, mais indicado para manutenção de longo prazo.

3. ETF de ouro

Versão aprimorada do certificado, com maior liquidez e facilidade de negociação. Ao comprar, você recebe um certificado que representa uma quantidade de ouro. Desvantagens: a gestora cobra taxas de administração, e se o preço do ouro ficar parado por muito tempo, o valor líquido do ETF pode diminuir lentamente.

4. Futuros de ouro e contratos por diferença (CFD)

Ferramentas mais usadas por investidores de curto prazo, oferecem alavancagem e operações de compra e venda. Ambos usam margem de garantia, com custos relativamente baixos. Os CFDs, por serem negociados em horários mais flexíveis e com maior eficiência de capital, são especialmente amigáveis para traders de ondas de curto prazo.

Para operações de curto prazo, os futuros ou CFDs são mais indicados. Os CFDs têm vantagem de operar em horários livres, com menor valor de entrada, sendo mais acessíveis para pequenos investidores e traders iniciantes. Se você acha que o ouro vai subir, compra; se acha que vai cair, vende a descoberto, aproveitando as oscilações do mercado.

5. Fundos de ações de ouro ou de mineração

Investir em ações de empresas mineradoras ou fundos temáticos de ouro, participando indiretamente da valorização do metal.

Nos próximos 50 anos, o mercado de alta do ouro ainda pode continuar?

Com recordes históricos de preço, será que ainda há espaço para mais altas?

A resposta depende de duas premissas principais: se o dólar vai continuar a perder força no cenário internacional, e se as tensões geopolíticas persistirão.

Atualmente, o mundo enfrenta múltiplas incertezas: políticas econômicas dos EUA oscilantes, mudanças contínuas na política monetária global, conflitos regionais frequentes. Nesse contexto, o ouro, como o ativo de refúgio final, continuará sendo atraente. Mas, se algum dia o cenário global se estabilizar, o dólar recuperar valor e as tensões geopolíticas se acalmarem, o ouro pode passar por uma correção de longo prazo.

Portanto, ao invés de tentar prever os próximos 50 anos, é mais inteligente aprender a ajustar a alocação de ativos conforme os ciclos. Quando a incerteza estiver alta, aumente a proporção de ouro; quando o risco diminuir, invista em ativos de crescimento. O mercado está sempre tentando precificar o futuro, e investidores inteligentes ajustam suas estratégias conforme as mudanças de cenário.

O ouro deixou de ser um ativo comum na última meia década e virou uma das estrelas do momento, mas seu maior valor talvez esteja na sua capacidade de servir como ferramenta de proteção contra riscos. Não importa como o mundo mude, a demanda por hedge de riscos sempre existirá.

Ver original
Esta página pode conter conteúdo de terceiros, que é fornecido apenas para fins informativos (não para representações/garantias) e não deve ser considerada como um endosso de suas opiniões pela Gate nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Isenção de responsabilidade para obter detalhes.
  • Recompensa
  • Comentário
  • Repostar
  • Compartilhar
Comentário
0/400
Sem comentários
  • Marcar

Negocie criptomoedas a qualquer hora e em qualquer lugar
qrCode
Escaneie o código para baixar o app da Gate
Comunidade
Português (Brasil)
  • 简体中文
  • English
  • Tiếng Việt
  • 繁體中文
  • Español
  • Русский
  • Français (Afrique)
  • Português (Portugal)
  • Bahasa Indonesia
  • 日本語
  • بالعربية
  • Українська
  • Português (Brasil)