Para onde vai a libra esterlina? Análise aprofundada das perspetivas da taxa de câmbio da libra em 2025

A libra esterlina passou por uma montanha-russa nos últimos dez anos. Desde a depreciação contínua após a crise financeira de 2008, passando por volatilidades acentuadas durante o Brexit em 2016, até atingir mínimas históricas em 2022, a libra tornou-se uma das principais moedas de reserva mais voláteis do mercado. No entanto, com a mudança no panorama financeiro global em 2025, será que a libra poderá retomar uma trajetória de valorização? E como os investidores devem interpretar a lógica por trás do movimento desta moeda-chave?

Os fundamentos da libra esterlina: a quarta maior moeda de negociação global

Libra Esterlina (GBP) é a moeda oficial do Reino Unido, gerida e emitida pelo Banco da Inglaterra, com símbolo £. Como uma das moedas de maior destaque no mercado cambial global, a libra representa cerca de 13% do volume diário de negociações cambiais mundiais, ficando atrás apenas do dólar, euro e iene, consolidando-se como uma peça importante no sistema financeiro internacional.

Os pares de negociação mais observados com a libra são EUR/GBP e GBP/USD. Entre eles, o GBP/USD, por ser o par mais líquido e com menor spread no mercado de câmbio, sempre atrai a atenção dos investidores globais. Quando a cotação do GBP/USD está em 1.2125, isso significa que para comprar 1 libra é necessário pagar 1.2125 dólares.

Características únicas do GBP/USD

Como a terceira maior componente do índice do dólar (com peso de 11,9%), o GBP/USD apresenta algumas características marcantes:

Sensibilidade política extrema. Eventos políticos no Reino Unido frequentemente impactam diretamente a cotação da libra. Em comparação com outras moedas de reserva, a libra reage de forma mais sensível às variáveis políticas internas, exigindo que os investidores acompanhem de perto os movimentos do cenário político britânico.

Alta correlação com a economia europeia. Apesar do Brexit, a Europa continua sendo seu maior parceiro comercial. As políticas do Banco Central Europeu (BCE) e os dados econômicos da zona do euro influenciam a libra em uma cadeia de reações. O Banco da Inglaterra também costuma ajustar suas políticas considerando o cenário econômico europeu, buscando manter o diferencial de juros entre ambos.

Volatilidade relativamente elevada. A circulação da libra é concentrada no Reino Unido, diferentemente do dólar ou euro, que possuem alcance global. Isso faz com que, durante anúncios de dados econômicos (como PIB, desemprego, inflação), a libra apresente oscilações mais intensas do que as moedas europeias ou americanas. Para traders de curto prazo, essa volatilidade representa tanto oportunidades de altos retornos quanto riscos elevados.

Alta sensibilidade às políticas do Federal Reserve. As decisões de juros e o ajuste do balanço do Fed têm impacto fundamental na trajetória da libra. Quando o Fed inicia um ciclo de redução de juros, a libra tende a se fortalecer; o contrário também é verdadeiro.

Trajetória histórica e padrões internos do movimento da libra

Momentos decisivos dos últimos dez anos

Ao revisar o movimento do GBP/USD de 2015 a 2025, é possível identificar alguns momentos-chave:

Antes de 2015 — o auge. A libra se manteve em torno de 1.53, com a economia britânica relativamente sólida. Apesar do surgimento do tema Brexit, o mercado ainda não precificava totalmente esse risco.

Junho de 2016 — o impacto do Brexit. Na noite do referendo, a libra despencou mais de 20%, caindo de 1.47 para cerca de 1.22, a maior queda diária em décadas. Este evento mudou radicalmente a lógica de precificação da moeda.

Impacto da pandemia em 2020. Durante os lockdowns globais, o Reino Unido enfrentou uma recessão prolongada. A libra chegou a cair abaixo de 1.15, próximo aos níveis de 2008. O dólar, como moeda de refúgio, valorizou-se significativamente, tornando a libra uma das principais vítimas.

2022 — o desastre do “mini orçamento”. A então nova primeira-ministra Liz Truss propôs um pacote de cortes de impostos sem esclarecer a origem dos fundos. O mercado entrou em pânico, levando a uma corrida na dívida e no câmbio, com a libra despencando até um recorde de 1.03, sendo considerada uma “queda livre da libra”.

2023 até hoje — recuperação gradual. Com o Fed desacelerando o ciclo de alta e o Banco da Inglaterra mantendo uma postura hawkish, a libra estabilizou-se, oscillando por volta de 1.26 no início de 2025. Embora longe do fundo de 2022, ainda não recuperou o auge de 2015.

Três padrões que explicam o movimento da libra

A partir da análise histórica, os investidores podem identificar a lógica central que rege as oscilações da libra:

Regra 1: Incerteza política → queda da libra. Desde o referendo do Brexit até o mini orçamento e as discussões sobre independência da Escócia, sempre que há turbulência política interna, a confiança na libra diminui. Sua sensibilidade política faz dela uma moeda que reage rapidamente ao clima de instabilidade.

Regra 2: Ciclo de alta do Federal Reserve → pressão sobre a libra. Como o principal centro de fluxo de capitais global, o Fed ao elevar juros atrai recursos para os EUA. A menos que o Banco da Inglaterra acompanhe essa alta, a libra tende a se depreciar devido à redução do diferencial de juros. Contudo, essa regra está mudando — com a expectativa de que o Fed entre em ciclo de redução de juros, a atratividade relativa da libra pode aumentar.

Regra 3: Postura hawkish do Banco da Inglaterra + dados econômicos positivos → valorização da libra. Desde 2023, o Banco da Inglaterra reforçou sua postura de manter juros elevados, o que tem sustentado a valorização da moeda. Dados de emprego fortes e uma economia relativamente estável reforçam essa expectativa.

Perspectiva da libra em 2025: oportunidades com o descompasso de juros

Para 2025, a libra enfrenta um ponto de inflexão importante. A expectativa de redução de juros pelo Fed se torna clara, enquanto o Banco da Inglaterra mantém sua postura de juros altos. Essa “discrepância de política” será um fator determinante para o movimento da moeda.

Mudanças no diferencial de juros entre o dólar e a libra

Segundo as projeções de mercado, o Fed deve iniciar cortes de juros na segunda metade de 2025, com uma redução total de 75 a 100 pontos-base. Por outro lado, a inflação no Reino Unido permanece em torno de 3%, acima da meta de 2%. O Banco da Inglaterra já sinalizou que manterá juros elevados por um período prolongado até que a inflação recue de forma consistente.

Essa diferença de juros aumentará a atratividade dos ativos denominados em libra para investidores globais. Quando o rendimento do dólar cair e o da libra permanecer alto, o fluxo de capitais tenderá a se direcionar para ativos em libra, impulsionando sua valorização.

Avaliação dos fundamentos econômicos do Reino Unido

A economia britânica, embora não seja exuberante, também não apresenta sinais de crise descontrolada. Os principais dados de início de 2025 indicam:

  • Inflação: 3,2% ao ano, em queda em relação ao pico de 2022, mas ainda acima da meta
  • Mercado de trabalho: desemprego em 4,1%, salários em crescimento estável, demonstrando resiliência
  • Crescimento econômico: no quarto trimestre de 2024, crescimento de 0,3% na comparação trimestral, indicando saída da recessão técnica. Projeções para 2025 apontam crescimento entre 1,1% e 1,3%.

De modo geral, os fundamentos econômicos do Reino Unido permanecem relativamente estáveis, com ritmo de crescimento moderado e sem desequilíbrios graves.

Dois cenários para o futuro

Cenário otimista: se o Fed cumprir a expectativa de corte de juros e o Banco da Inglaterra mantiver postura hawkish, a libra terá forte suporte. Instituições financeiras projetam que a moeda pode subir para 1.30, até mesmo testar 1.35. Nesse cenário, a libra retornaria a uma avaliação mais próxima de sua média histórica.

Cenário pessimista: se os dados econômicos do Reino Unido decepcionarem, levando o Banco a antecipar cortes de juros ou se a instabilidade geopolítica aumentar, a libra pode testar novamente o marca de 1.20 ou até níveis inferiores. Os investidores devem estar atentos a esses riscos.

Considerações práticas para negociação da libra

Quando é o melhor momento para entrar

O melhor momento para negociar a libra costuma ser na sobreposição dos mercados europeu e americano. A abertura de Londres (às 14h de PT) marca o início do movimento de negociação da moeda, enquanto a abertura de Nova York (às 20h de PT) tende a aumentar a volatilidade. O período de sobreposição (das 20h às 2h de PT) é considerado o mais ativo e com maior potencial de oscilações.

Horários de atenção especial: decisões do Banco da Inglaterra (geralmente às 20h de PT), divulgação de dados de PIB e emprego (normalmente às 17-18h de PT). Nesses momentos, a libra costuma apresentar movimentos mais expressivos.

Princípios básicos de estratégia de negociação

Para o par GBP/USD, os investidores podem adotar as seguintes abordagens:

Para quem é otimista com a libra: se espera valorização, pode estabelecer ordens de compra em níveis de suporte ou comprar à mercado. É fundamental definir stops de proteção para limitar perdas e estabelecer metas de lucro realistas.

Para quem é pessimista: se acredita na depreciação, pode colocar ordens de venda em resistências ou vender à vista. Também é importante usar stops e limites de lucro para evitar perdas excessivas.

Gestão de risco é fundamental. Independentemente da estratégia, priorizar o controle de riscos é essencial. Stops bem colocados ajudam a proteger o capital em movimentos adversos.

Oportunidades na libra diante da tendência de desdolarização global

Um fator importante para 2025 é a tendência de desdolarização do sistema financeiro mundial. Com bancos centrais aumentando suas reservas em moedas como a libra, essa moeda pode ganhar demanda como reserva alternativa ao dólar. Isso cria uma base estrutural para valorização da libra no médio prazo.

Por outro lado, os investidores devem manter cautela. A libra ainda enfrenta riscos políticos, econômicos e geopolíticos. Caso o Reino Unido entre em período eleitoral ou a situação internacional se agrave, a moeda pode sofrer novas quedas.

Para aproveitar as oscilações da libra, os investidores precisam acompanhar de perto os sinais de política do Banco da Inglaterra, os dados econômicos, as movimentações do Fed e o sentimento do mercado global. A combinação de análise técnica e fundamental costuma oferecer maior probabilidade de sucesso.

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