O que é uma recessão? E como investir durante uma crise económica

Conhecimentos essenciais sobre a deflação

Se és um investidor interessado no mercado financeiro, a expressão “deflação” já não será novidade, pois é uma condição económica que afeta as nossas decisões de investimento.

Deflação (Deflation) — uma explicação simples é que os preços de bens e serviços diminuem progressivamente, ao contrário da inflação, onde os preços sobem. Quando ocorre deflação, o valor do dinheiro aumenta, permitindo às pessoas comprar mais com a mesma quantia.

No entanto, o que é importante entender é que a redução de preços não significa que todos os bens e serviços estejam a diminuir de preço, mas sim uma média geral. Alguns itens podem manter-se caros, outros podem diminuir bastante.

Causas da deflação

A ocorrência de deflação não resulta de uma única causa, mas de vários fatores que atuam em conjunto.

Má gestão económica

O governo pode aumentar demasiado as taxas de juro, dificultando os empréstimos ou cobrar impostos elevados, deixando as pessoas sem dinheiro disponível. Assim, a procura e a oferta ficam desequilibradas.

Problemas com a saída de capital

Quando há uma grande fuga de capitais, a economia fica apertada, com taxas de juro elevadas, o que reduz a produção e o emprego.

Quantidade de dinheiro insuficiente

As pessoas preferem guardar dinheiro (como em cofres), em vez de o depositar no sistema financeiro, o que reduz a circulação de dinheiro na economia.

Aumento da oferta e diminuição da procura

Com avanços tecnológicos, os custos de produção reduzem-se, aumentando a oferta de bens, mas as pessoas compram menos, forçando a redução de preços para vender os produtos.

A relação entre deflação e recessão económica

Já te questionaste por que a deflação costuma vir acompanhada de recessão?

Quando o PIB cai durante dois trimestres consecutivos, significa que a atividade económica está a deteriorar-se. As pessoas têm menos rendimentos, o que leva a menos gastos. As empresas veem as vendas a diminuir, reduzem a produção, o desemprego aumenta e as pessoas gastam ainda menos. As empresas, por sua vez, têm de baixar os preços dos seus produtos.

Este ciclo está interligado — quanto mais as empresas baixam preços para vender, mais precisam reduzir custos, incluindo despedimentos. No final, as pessoas têm rendimentos ainda menores.

Indicadores económicos do Brasil durante uma crise

Em abril de 2563 (quando a COVID-19 ainda era grave), o Brasil enfrentou uma primeira deflação:

Índice de preços ao consumidor (CPI):

  • Redução de 2,99% (YoY)
  • Mais de 10 anos e 9 meses de queda contínua

Índice de preços ao produtor (PPI):

  • Queda de 4,3% em relação ao ano anterior

Índice de preços de materiais de construção (CMI):

  • Redução de 4,0% em relação ao ano anterior

A origem desta contração foi o lockdown, a desaceleração económica, a diminuição da procura, a forte queda do preço do petróleo — tudo isto pressionou a inflação para valores negativos.

O Brasil entrou realmente em deflação? Segundo a definição oficial, ainda não, pois é necessário cumprir quatro critérios simultaneamente. Contudo, estes sinais alertam para riscos na economia.

Quem sofre e quem beneficia com a deflação?

Beneficiários

  • Pessoas com rendimentos fixos: o valor dos salários aumenta, podendo comprar mais
  • Credores: quem empresta dinheiro recebe de volta um valor maior

Quem sofre

  • Empresários e acionistas: lucros diminuem ao precisarem baixar preços
  • Devedores: o valor das dívidas aumenta, dificultando o pagamento
  • Desempregados: as oportunidades de emprego reduzem-se à medida que as empresas encolhem

Exemplo histórico — A Grande Depressão

Em 1929, o mercado de ações dos EUA quebrou, com o evento “Terça-feira Negra”, levando a uma crise económica prolongada.

Impactos devastadores:

  • O PIB mundial caiu mais de 15%
  • As trocas internacionais reduziram-se 50%
  • A taxa de desemprego nos EUA atingiu 23%, chegando a 33% em alguns países
  • Os preços agrícolas despencaram 60%

Este período prolongado de crise durou até à Segunda Guerra Mundial. Para as pessoas da época, foi um evento que mudou vidas drasticamente.

O que os governos devem fazer?

Quando a deflação surge, o governo deve agir para reverter a situação:

Política monetária:

  • Reduzir as taxas de juro para estimular empréstimos e investimentos
  • Diminuir o (Requisito de reserva) para que os bancos tenham mais dinheiro para conceder créditos
  • Comprar ativos no mercado para aumentar a liquidez

Política fiscal:

  • Reduzir impostos para deixar mais dinheiro na mão das pessoas
  • Aumentar os gastos públicos para criar empregos
  • Reduzir tarifas de água e eletricidade para aliviar custos

Incentivos à investimento:

  • Promover novas indústrias
  • Atrair capitais estrangeiros
  • Apoiar as exportações

Em que investir durante a deflação?

1. Dinheiro em espécie

Durante a deflação, o dinheiro mantém ou aumenta de valor, sendo útil para quem espera o momento certo para investir.

2. Títulos de dívida (Bonds)

Com a redução das taxas de juro, os títulos antigos podem valorizar-se. Prefere títulos confiáveis.

3. Ações de empresas sólidas

Procura negócios essenciais no dia a dia, como alimentos e bebidas. Os preços das ações podem não subir imediatamente, mas as empresas continuam a gerar lucros.

4. Títulos de capital — para mercados em baixa

Para traders que não têm medo do risco, fazer short ou comprar opções de venda (Put Warrant) é uma estratégia eficaz em mercados em queda.

5. Imóveis

Preços mais baixos devido à urgência dos vendedores representam uma oportunidade para investidores de longo prazo com capital disponível.

6. Ouro

O preço do ouro tende a diminuir, sendo uma boa opção para especulação, pois tem valor intrínseco e ajuda a diversificar riscos.

Dica de trading CFD: Se queres negociar ouro ou outros produtos sem possuir fisicamente, experimenta fazer trading de CFD com corretoras confiáveis, como a Mitrade, que permite começar com apenas 50 USD.

Problemas: quando a deflação realmente acontece

A chegada da deflação não é algo positivo, pois:

Para as pessoas comuns:

  • O desemprego aumenta, e quem fica sem trabalho é despedido
  • Os rendimentos diminuem devido a menores dividendos
  • Enfrentam incertezas

Para a economia:

  • O consumo contrai-se, pois as pessoas esperam preços mais baixos
  • A produção diminui por falta de compradores
  • O ciclo de desemprego intensifica-se

Ciclo de desespero: As pessoas esperam que os preços continuem a cair, deixam de comprar e poupam. Os produtores, sem vendas, reduzem preços ainda mais, despedem trabalhadores e fecham negócios. Se não conseguirem gerir, entram em recessão profunda.

Oportunidade de lucros em mercados em baixa

Contudo, há formas de lucrar mesmo em mercados em queda:

Método 1 — Ações de empresas fortes Escolhe ações de empresas que continuam a gerar lucros, mesmo com o mercado em baixa. Podem não subir imediatamente, mas tendem a recuperar-se devido à sua solidez.

Método 2 — Planeamento financeiro em camadas Divide o capital em partes e investe progressivamente, evitando perdas totais ao atingir o topo do mercado.

Método 3 — Gestão de risco Faz short ou compra Put Warrant para lucrar com a descida dos preços.

Método 4 — Estudo e aprendizagem Analisa as características das empresas; quando o mercado recuperar, as ações de boas empresas sobem primeiro.

Resumo simples

A deflação é um sinal de que a economia está a sofrer. Os preços caem, a procura diminui, e há aumento do desemprego.

Quem beneficia: pessoas com dinheiro antigo e credores. Quem sofre: empresários, acionistas e trabalhadores.

Mas não é o fim. Investidores inteligentes aproveitam esta oportunidade para guardar dinheiro e investir quando os preços estiverem no ponto mais baixo. Quando a economia se recuperar, terão lucros significativos.

Por isso, acompanha os indicadores económicos, planeia com antecedência e prepara-te para o imprevisível, pois a “deflação” é uma situação gerível se compreenderes e te preparares com antecedência.

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