Na era da internet, testemunhámos um crescimento exponencial da tecnologia. Mas um paradoxo também surgiu: a produtividade está a disparar, mas a sociedade está a regredir. Porquê?
Alguns dirão que é uma questão económica, mas a verdadeira raiz está numa coisa mais profunda — a desagregação do princípio de consenso.
Os algoritmos subjacentes determinam o nível de civilização
Imagine, qual é o ativo mais importante na vida? Não é a casa, nem as ações, mas um sistema de «princípios» que orienta as decisões. Este sistema é como um código, que determina as nossas preferências comportamentais, a ordenação de valores, e até que ponto estamos dispostos a pagar em jogos de limite extremo.
Ao longo da história da humanidade, cada sociedade precisou de um conjunto de regras informais para restringir o comportamento individual — por isso, religiões e culturas evoluíram com princípios centrais semelhantes. Independentemente das diferenças geográficas, as necessidades de todas as sociedades são iguais: reduzir custos de transação e alcançar a cooperação social.
Aquelas lições éticas clássicas — «Ama o teu próximo como a ti mesmo», «A causa e efeito» — do ponto de vista da teoria dos jogos, na verdade, são mecanismos de incentivo. Quando um indivíduo adota uma estratégia de «dar mais do que tirar», o custo de ajudar costuma ser muito menor do que o benefício para quem recebe, gerando um efeito de externalidade positiva. E isto é a essência do reciprocidade altruísta: criar uma situação de ganha-ganha não-zero.
Mas agora? Este sistema de princípios está a desmoronar-se.
A definição económica do bem e do mal
Precisamos de redefinir o que é o bem e o mal.
Do ponto de vista económico, o bem é aquele comportamento que maximiza a utilidade social total (gera externalidades positivas), e o mal é aquele que prejudica o interesse do sistema como um todo (gera externalidades negativas). Em termos simples, o bem beneficia a maioria, o mal beneficia poucos à custa da sociedade.
E aquelas ineficiências na cooperação social causadas por interesses pessoais — estas perdas irrecuperáveis (deadweight loss) — estão a aumentar. Quando a integridade desaparece, a moderação é abandonada, e a coragem torna-se um luxo, toda a sociedade paga um preço elevado. Uma boa personalidade não é uma etiqueta moral, mas um ativo que maximiza o bem-estar coletivo.
Isto não é apenas uma questão ética, é uma questão de eficiência do sistema.
A rápida desvalorização do capital social
Estamos numa espécie de «trajectória descendente» metafórica. A característica mais marcante é: o consenso sobre o bem e o mal está a desaparecer.
Antigamente, o contrato social baseava-se num consenso tácito — as pessoas acreditavam numa espécie de melhoria de Pareto, onde a maioria beneficiava sem prejudicar ninguém. Mas agora, o princípio dominante reduziu-se à maximização do interesse próprio: uma pilhagem absoluta de dinheiro e poder.
Basta olharmos para a nossa cultura — falta-nos modelos morais com apelo ético. Quando comportamentos negativos são apresentados como atalhos para o sucesso, quando os jovens crescem num ambiente sem modelos de incentivo corretos, drogas, violência, suicídio, e a crescente desigualdade de oportunidades surgem. Estes não são fenómenos isolados, mas sintomas do colapso dos princípios sociais, e também suas causas.
Mais irónico ainda, muitas pessoas, ao abandonarem a religião e o misticismo, também erradamente descartaram os princípios sociais benéficos que estes continham. Isto deixou um vácuo institucional — sem novos quadros de incentivo para preencher esse vazio.
A tecnologia é uma alavanca que pode amplificar tudo
Aqui há uma compreensão fundamental: a tecnologia é apenas uma ferramenta, que pode tanto ampliar o bem-estar quanto a destruição.
As lições da história são claras — o progresso tecnológico por si só não eliminou conflitos. Não há pólvora, nem eletricidade, nem internet. A variável verdadeira não está na tecnologia, mas em quais princípios as pessoas que usam essa tecnologia seguem.
IA, blockchain, biotecnologia… estas ferramentas são neutras. A questão-chave é: que mecanismos de incentivo usamos para orientar a sua aplicação? Para beneficiar a maioria ou para explorar a maioria?
A janela de reconstrução ainda está aberta
Boa notícia: a solução para os problemas está ao nosso alcance.
Dispomos da caixa de ferramentas tecnológicas mais poderosa da história. Desde que consigamos reconstruir um sistema de princípios saudáveis de reciprocidade e ganho mútuo, seremos capazes de resolver todas as crises sistémicas — desde a desigualdade de riqueza até ao colapso da confiança social.
Não é preciso voltar ao passado, nem recorrer à religião. O que é necessário é um novo quadro de consenso, um sistema de incentivos que motive as pessoas a perseguir o ótimo coletivo, e não apenas o ótimo local.
Quando cada um perceber que é um nó do sistema, e que os seus benefícios estão ligados ao bem-estar do sistema, os princípios irão naturalmente restabelecer-se. A tecnologia pode ajudar nisso — mas só se tivermos coragem de redefinir o que é sucesso, e o que é fracasso.
Esta conversa, mal começou.
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A crise da estabilidade social: como o colapso dos princípios devora o bem-estar coletivo
Na era da internet, testemunhámos um crescimento exponencial da tecnologia. Mas um paradoxo também surgiu: a produtividade está a disparar, mas a sociedade está a regredir. Porquê?
Alguns dirão que é uma questão económica, mas a verdadeira raiz está numa coisa mais profunda — a desagregação do princípio de consenso.
Os algoritmos subjacentes determinam o nível de civilização
Imagine, qual é o ativo mais importante na vida? Não é a casa, nem as ações, mas um sistema de «princípios» que orienta as decisões. Este sistema é como um código, que determina as nossas preferências comportamentais, a ordenação de valores, e até que ponto estamos dispostos a pagar em jogos de limite extremo.
Ao longo da história da humanidade, cada sociedade precisou de um conjunto de regras informais para restringir o comportamento individual — por isso, religiões e culturas evoluíram com princípios centrais semelhantes. Independentemente das diferenças geográficas, as necessidades de todas as sociedades são iguais: reduzir custos de transação e alcançar a cooperação social.
Aquelas lições éticas clássicas — «Ama o teu próximo como a ti mesmo», «A causa e efeito» — do ponto de vista da teoria dos jogos, na verdade, são mecanismos de incentivo. Quando um indivíduo adota uma estratégia de «dar mais do que tirar», o custo de ajudar costuma ser muito menor do que o benefício para quem recebe, gerando um efeito de externalidade positiva. E isto é a essência do reciprocidade altruísta: criar uma situação de ganha-ganha não-zero.
Mas agora? Este sistema de princípios está a desmoronar-se.
A definição económica do bem e do mal
Precisamos de redefinir o que é o bem e o mal.
Do ponto de vista económico, o bem é aquele comportamento que maximiza a utilidade social total (gera externalidades positivas), e o mal é aquele que prejudica o interesse do sistema como um todo (gera externalidades negativas). Em termos simples, o bem beneficia a maioria, o mal beneficia poucos à custa da sociedade.
E aquelas ineficiências na cooperação social causadas por interesses pessoais — estas perdas irrecuperáveis (deadweight loss) — estão a aumentar. Quando a integridade desaparece, a moderação é abandonada, e a coragem torna-se um luxo, toda a sociedade paga um preço elevado. Uma boa personalidade não é uma etiqueta moral, mas um ativo que maximiza o bem-estar coletivo.
Isto não é apenas uma questão ética, é uma questão de eficiência do sistema.
A rápida desvalorização do capital social
Estamos numa espécie de «trajectória descendente» metafórica. A característica mais marcante é: o consenso sobre o bem e o mal está a desaparecer.
Antigamente, o contrato social baseava-se num consenso tácito — as pessoas acreditavam numa espécie de melhoria de Pareto, onde a maioria beneficiava sem prejudicar ninguém. Mas agora, o princípio dominante reduziu-se à maximização do interesse próprio: uma pilhagem absoluta de dinheiro e poder.
Basta olharmos para a nossa cultura — falta-nos modelos morais com apelo ético. Quando comportamentos negativos são apresentados como atalhos para o sucesso, quando os jovens crescem num ambiente sem modelos de incentivo corretos, drogas, violência, suicídio, e a crescente desigualdade de oportunidades surgem. Estes não são fenómenos isolados, mas sintomas do colapso dos princípios sociais, e também suas causas.
Mais irónico ainda, muitas pessoas, ao abandonarem a religião e o misticismo, também erradamente descartaram os princípios sociais benéficos que estes continham. Isto deixou um vácuo institucional — sem novos quadros de incentivo para preencher esse vazio.
A tecnologia é uma alavanca que pode amplificar tudo
Aqui há uma compreensão fundamental: a tecnologia é apenas uma ferramenta, que pode tanto ampliar o bem-estar quanto a destruição.
As lições da história são claras — o progresso tecnológico por si só não eliminou conflitos. Não há pólvora, nem eletricidade, nem internet. A variável verdadeira não está na tecnologia, mas em quais princípios as pessoas que usam essa tecnologia seguem.
IA, blockchain, biotecnologia… estas ferramentas são neutras. A questão-chave é: que mecanismos de incentivo usamos para orientar a sua aplicação? Para beneficiar a maioria ou para explorar a maioria?
A janela de reconstrução ainda está aberta
Boa notícia: a solução para os problemas está ao nosso alcance.
Dispomos da caixa de ferramentas tecnológicas mais poderosa da história. Desde que consigamos reconstruir um sistema de princípios saudáveis de reciprocidade e ganho mútuo, seremos capazes de resolver todas as crises sistémicas — desde a desigualdade de riqueza até ao colapso da confiança social.
Não é preciso voltar ao passado, nem recorrer à religião. O que é necessário é um novo quadro de consenso, um sistema de incentivos que motive as pessoas a perseguir o ótimo coletivo, e não apenas o ótimo local.
Quando cada um perceber que é um nó do sistema, e que os seus benefícios estão ligados ao bem-estar do sistema, os princípios irão naturalmente restabelecer-se. A tecnologia pode ajudar nisso — mas só se tivermos coragem de redefinir o que é sucesso, e o que é fracasso.
Esta conversa, mal começou.