Ações vinculadas a tokens podem salvar as criptomoedas?

Escrito por: brian flynn

Traduzido por: AididiaoJP, Foresight News

Nos últimos cinco anos, tenho tentado resolver o problema da «desincentivação» no setor de criptomoedas.

A maioria dos tokens é projetada para fazer os detentores competirem entre si.

Isso é completamente oposto ao objetivo original. Os tokens deveriam unir equipes, investidores e utilizadores em torno de um mesmo objetivo. Se todos possuem o mesmo ativo, naturalmente querem que o projeto seja bem-sucedido, e essa ideia é correta. O problema é que o modelo de token que criamos faz as pessoas ganharem ao «vender», não ao «manter». Essa simples escolha de design arruinou tudo.

Este artigo não é para promover um projeto específico em que estou envolvido. É sobre a questão central que toda a indústria precisa resolver e que devemos apresentar às autoridades reguladoras.

Há oito anos, assistimos ao mesmo roteiro: lançamento do projeto, especulação de mercado, desbloqueio por insiders, dump e fuga, investidores de varejo presos. Esse padrão é tão familiar que quase não o percebemos como um problema — como se os tokens fossem feitos para funcionar assim. Mas, na minha opinião, nunca enfrentamos honestamente a raiz do problema. E também não vejo ninguém promovendo um modelo de token realmente melhor — um que possamos apontar e dizer «é assim que devemos fazer».

Agora, estamos diante de uma janela regulatória sem precedentes. Mas o problema é que nem mesmo pensamos claramente sobre o que é um «bom token» antes de entrar nessa janela.

Jogo de corrida

Quando você ganha dinheiro vendendo tokens, cada outro detentor é seu concorrente.

A equipe lança um token, investidores iniciais entram. A equipe também possui uma grande quantidade, mas vai desbloqueando aos poucos. Usuários compram no mercado, aparentemente, todos têm interesses alinhados. Na prática, todos estão de olho, pensando em quando vender. Investidores focam no primeiro grande desbloqueio, a equipe busca uma oportunidade de realizar lucros. Usuários querem vender antes que insiders escapem. Não há interesses alinhados, é uma corrida para sair na frente.

Mecanismos de bloqueio e desbloqueio não resolvem esse problema. Apenas determinam quem pode sair primeiro — a resposta sempre será insiders antes dos varejistas. O «jogo final» de todos não é mais «crescer o projeto», mas «quando vender».

Até mesmo estratégias «inteligentes» não funcionam

E quanto a recompra? Queima? Recompensas por staking? São tentativas de resolver o problema, mas todas têm o mesmo defeito: são complicadas demais. Recompra e queima podem elevar o preço, mas você ainda precisa vender para lucrar. Recompensas por staking, usando novos tokens, diluem o valor do token e criam nova pressão de venda. Não é retorno, é uma esteira de corrida disfarçada de retorno.

Se o seu modelo de token exige que os detentores vendam para ganhar, você não tem um mecanismo de incentivo alinhado — só criou um jogo de «quem consegue sentar na cadeira primeiro».

Progresso na indústria

De fato, há sinais de que a indústria está buscando o caminho certo. Projetos como Aave, Morpho, Uniswap estão promovendo a união entre detentores de ações e tokens, trazendo insiders e comunidade para a mesma mesa, eliminando antagonismos — esse é um passo importante.

Mas isso ainda não resolve o problema da «corrida». Todos continuam jogando o mesmo jogo: ganhar dinheiro vendendo tokens. Algumas melhorias, como taxas de governança e divisão de receitas, avançam um pouco, mas ainda são insuficientes. Para resolver de vez a «corrida», é preciso ir até o fim.

Modelos eficazes

Imagine o seguinte cenário: 100% da receita do protocolo é decidida pelos detentores de tokens. Não é a equipe que decide, nem uma autoridade por trás. Todos votam: quanto distribuir diretamente aos detentores, quanto reinvestir, quanto guardar em reserva. Empresas de capital aberto fazem assim — acionistas votam se distribuem dividendos ou reinvestem, a versão cripto é mais direta e transparente.

Sem bloqueios, pois ninguém mais precisa jogar o jogo de «quem sai primeiro». Você não ganha dinheiro vendendo tokens, mas mantendo-os. Desde que o protocolo gere receita diariamente, você pode receber a parte decidida na votação. Se vender, para de receber dividendos. Se manter, continua recebendo. É fácil de calcular, a estratégia é clara: fazer o protocolo ganhar mais.

Por exemplo, um protocolo que lucra 1 milhão de dólares por ano. Os detentores votam para distribuir 70%, reinvestindo 30%. Com 1 milhão de tokens, cada um recebe 0,70 dólares por ano, e com o financiamento de desenvolvimento, o protocolo pode crescer. Você não precisa se preocupar em quando comprar ou vender, nem em calcular estratégias contra outros detentores. Basta manter e lucrar.

A direção da competição finalmente está certa: seu protocolo compete com outros para atrair usuários e receitas, não entre detentores para «sair na frente».

Quando todos podem lucrar ao manter, a motivação deixa de ser «fugir» e passa a ser «manter e apoiar o projeto». Assim, esses projetos se parecem mais com empresas tradicionais do que com apostas de venture capital. Valorizam dividendos, não especulação; valorizam receita, não hype. Essa pode ser exatamente a coisa que o setor de criptomoedas mais precisa agora.

Por que ninguém fez isso antes?

Duas razões, e ambas estão mudando lentamente.

Primeira, antes, jogar o «jogo dos insiders» dava retorno mais rápido. Se fosse possível obter 10x com especulação e venda para varejo, quem se daria ao trabalho de criar um negócio realmente rentável? Mas essa era uma fase que está chegando ao fim. Os varejistas aprenderam a ser mais inteligentes, dados on-chain revelam os movimentos dos insiders, e as equipes que ainda trabalham de verdade querem ficar.

Segunda, a questão legal. Um token que distribui receita aos detentores parece uma segurança sob o teste de Howey. Por isso, muitas equipes sérias têm evitado esse modelo há anos. Mesmo que os fundadores saibam que compartilhar receita é melhor, o risco de ser considerado «securities não registrados» impede de começar.

Por isso, muitos protocolos recorrem a métodos indiretos, como queima ou recompra, não por serem melhores, mas para evitar distribuir dividendos diretamente e assim criar uma justificativa legal: «Veja, não estamos pagando dividendos». A situação atual do design de tokens é, em grande parte, resultado do medo legal, com uma pitada de limitações técnicas.

Outro obstáculo real é a infraestrutura. Para implementar uma distribuição de receita confiável, programável e em grande escala na blockchain, é preciso transações baratas, contratos inteligentes confiáveis e infraestrutura robusta. Há cinco anos, na Ethereum mainnet, o custo de transação tornava inviável essa abordagem. Agora, com Layer 2 e infraestrutura moderna, isso se tornou possível.

Por que agora é possível?

O último ano trouxe mudanças regulatórias maiores do que os oito anos anteriores. A SEC criou, em janeiro de 2025, um grupo de trabalho dedicado às criptomoedas, liderado pela comissária Hester Peirce, com uma missão clara: «definir limites regulatórios claros e oferecer caminhos de registro viáveis». Peirce também propôs uma «zona de segurança» para tokens, dando um período de transição antes de uma eventual classificação definitiva. A SEC e a CFTC emitiram uma declaração conjunta sobre coordenação regulatória. Essas ações não são palavras ao vento — regras concretas estão sendo elaboradas.

Mas essa janela não dura para sempre. Este ano, com as eleições intermediárias, o clima político mais aberto pode não durar até o próximo ciclo eleitoral. Se ficarmos passivos, essa janela pode fechar antes de apresentarmos algo que mereça apoio. Ainda mais perigoso, se a indústria não apresentar alternativas confiáveis, uma nova onda de falências de tokens pode acontecer, e as autoridades podem estabelecer um padrão rígido — sem espaço para diálogo.

Por isso, é tão importante discutir isso agora. Não é uma resposta passiva ou remendo depois, mas uma ação proativa. Se não mostrarmos às autoridades o que é um «bom token», elas usarão exemplos ruins como padrão. Projetos que exploram investidores, manipulação de preços, saídas rápidas — tudo isso vira «referência» regulatória, enquanto modelos de compartilhamento de receita legítimos podem ser injustamente penalizados.

Projetos como Aave, Morpho, Uniswap, que unem ações e tokens, já demonstram que a indústria quer avançar para uma economia real e sustentável. As autoridades deveriam apoiar esse caminho, não dificultar. Mas para isso, precisamos explicar claramente e divulgar antes que a janela se feche.

Pergunta que todo fundador deve fazer

Se você está criando um token agora, pergunte-se: seus detentores ganham vendendo ou mantendo?

Se a resposta for «vendendo», você criou um jogo de «quem consegue sentar na cadeira primeiro». Alguns conseguem, a maioria não. E quem não consegue, fica com má lembrança.

Se a resposta for «mantendo», você criou algo onde todos podem lucrar ao fazer o projeto crescer. Essa é a verdadeira «alinhamento de interesses» de um token.

Claro, não é uma questão simples. Compartilhar receita envolve questões de classificação do token, mecanismos de distribuição, governança, entre outros. Mas é um ponto de partida melhor do que o modelo atual, que é bastante falho.

A janela regulatória está aberta, mas não por muito tempo. As eleições intermediárias podem mudar tudo. Uma nova crise de tokens pode acontecer antes que o setor tenha chance de ser tratado de forma justa. Se quisermos regras melhores, precisamos mostrar às autoridades o que «melhor» significa — agora, não na próxima rodada.

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