Acabei de ver o mercado despencar por causa de uma especulação bastante louca sobre a IA saindo do controle. Acontece que a Citrini Research divulgou esse cenário fictício — e quero dizer, uma história inventada ambientada em 2028 — descrevendo um cenário de apocalipse total, onde agentes de IA basicamente automatizam empregos de escritório até desaparecerem. O desemprego atinge 10%, o S&P 500 despenca 38%, tudo parece um thriller distópico.



Wall Street aparentemente levou a sério. O relatório explica como máquinas autônomas poderiam substituir contadores, advogados, profissionais de marketing e engenheiros mais rápido do que podemos nos adaptar. Sem necessidade de dormir, tirar licença-doença ou ter plano de saúde. O consumo dos consumidores colapsa, os inadimplentes aumentam, as instituições financeiras restringem empréstimos, e boom — recessão e queda do mercado.

Mas aqui está o ponto: esse cenário de apocalipse, embora instigante, provavelmente não é como a história realmente se desenrola. Já passamos por isso antes. O boom da internet nos anos 1990 deslocou trabalhadores no comércio, distribuição de música, impressão, locação de vídeos, agências de viagem — tudo desapareceu ou foi transformado. Mas o que aconteceu? Novas indústrias surgiram. Comércio eletrônico, computação em nuvem, publicidade digital, streaming de mídia. Essas criaram categorias inteiramente novas de empregos: trabalhadores de fulfillment, motoristas de entrega, especialistas em cadeia de suprimentos, web designers, cientistas de dados, analistas de segurança cibernética.

O mesmo padrão se repete há séculos. A primeira revolução industrial substituiu produtos feitos à mão por máquinas. A segunda trouxe eletricidade para a produção. A terceira digitalizou tudo. Cada vez, as pessoas ficaram assustadas com o deslocamento. Cada vez, a economia se adaptou e a prosperidade aumentou.

Os números confirmam isso. Apesar do estouro da bolha das pontocom, que eliminou 50% do valor de mercado, o S&P 500 retornou 2.570% desde 1995 — isso dá 11,1% ao ano. Então, mesmo com uma disrupção massiva, investidores pacientes que permaneceram com uma exposição ampla ao mercado saíram muito à frente.

A revolução da IA provavelmente seguirá o mesmo roteiro. Sim, alguns empregos vão desaparecer. Sim, haverá disrupção. Mas novas indústrias que ainda nem podemos imaginar vão surgir. O cenário de apocalipse é bom para ficção, mas a história sugere que o maior risco é ficar de fora da transformação completamente.
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