No mercado financeiro, os investidores não assumem risco sem compensação. Sempre que um investimento envolve incerteza, é necessário oferecer retornos adicionais como compensação—este retorno adicional designa-se por prémio de risco.
A estrutura lógica mais elementar pode ser apresentada na tabela seguinte:

A fórmula é: Retorno exigido = Taxa livre de risco + Prémio de risco. É esta estrutura que determina o custo de capital.
Quando uma empresa procura financiamento, tem de garantir retornos esperados proporcionais ao risco para captar investidores. Quanto maior o risco, maior o custo de capital; quanto mais elevado o custo de capital, menor a valorização da empresa.
Da ótica do investidor, as fontes do prémio de risco incluem:
Quando as condições de mercado são instáveis, o prémio de risco aumenta; quando o sentimento de mercado é otimista e existe abundância de liquidez, o prémio de risco comprime-se. Assim, as oscilações dos preços dos ativos resultam frequentemente não de alterações no próprio ativo, mas de mudanças nas exigências do mercado em termos de compensação pelo risco.
Se o prémio de risco explica a valorização da incerteza, as taxas de juro e os mecanismos de desconto explicam como o tempo é valorizado. Um princípio fundamental das finanças dita que um euro hoje vale mais do que um euro amanhã. Este é o valor temporal do dinheiro.
No TradFi, a valorização dos ativos consiste, na essência, no desconto dos fluxos de caixa futuros. Quer se trate de ações, obrigações ou imobiliário, o seu valor resulta da soma dos fluxos de caixa futuros descontados a uma determinada taxa.
Por exemplo:
É por este motivo que as políticas de taxas de juro dos bancos centrais têm impacto em todos os ativos.
A taxa de desconto integra normalmente dois componentes:
Assim, as taxas de juro afetam não só o mercado obrigacionista, mas também a valorização das ações e os fluxos de capital.
Quando o mercado antecipa subidas futuras das taxas de juro, os ativos de longo prazo tendem a sofrer pressão; quando se espera maior liquidez, os ativos de crescimento beneficiam. O modelo de desconto unifica tempo e risco.
Se as taxas de juro valorizam o tempo e o prémio de risco valoriza a incerteza, a volatilidade reflete o consenso do mercado sobre a incerteza futura.
A volatilidade não é sinónimo de risco, mas sim a expectativa do mercado sobre as oscilações futuras dos preços. Nos mercados financeiros tradicionais, a volatilidade resulta de vários mecanismos-chave:
A volatilidade tem um efeito auto-reforçado:
A volatilidade implícita nos mercados de opções reflete diretamente a forma como o mercado valoriza o risco futuro. Por exemplo, quando os investidores compram grandes volumes de opções de venda (Put) de proteção, a volatilidade implícita aumenta, sinalizando expectativas acrescidas de risco de mercado. Hoje, a volatilidade é também um ativo transacionável.