Os derivados não visam complicar o mercado, mas sim permitir uma gestão de risco mais rigorosa. A sua génese resulta de necessidades económicas concretas: agricultores que desejam fixar preços das colheitas, empresas que pretendem proteger-se do risco cambial e investidores que procuram gerir a volatilidade do mercado.
Com o desenvolvimento dos derivados, consolidaram-se três funções fundamentais:
Compreender derivados não é memorizar nomes de produtos, mas perceber de que forma alteram a distribuição do risco.
O surgimento dos futuros e forwards responde a uma questão prática: perante a incerteza dos preços futuros, é possível fixá-los já?
Os forwards são a forma original — um acordo OTC (ao balcão) entre duas partes para liquidar um ativo a um preço definido numa data futura. São flexíveis, mas comportam risco de crédito devido à inexistência de uma câmara de compensação central.
Os futuros constituem uma evolução padronizada dos forwards, negociados em bolsa, com câmaras de compensação que asseguram a liquidação e reduzem substancialmente o risco de incumprimento.
Os mecanismos essenciais dos futuros incluem:
Os futuros servem não só para cobertura de risco, mas também como instrumentos de especulação.
Por exemplo:
A existência de mercados de futuros permite negociar hoje os preços futuros, reforçando significativamente a transparência dos preços.
Se os futuros fixam a direção, as opções fixam direitos. Estas conferem ao titular o direito — mas não a obrigação — de comprar ou vender um ativo a um preço definido numa data futura. Por isso, quem compra opções paga um prémio, enquanto quem vende assume o risco potencial.
O preço das opções depende não só do preço atual do ativo subjacente, mas também de várias variáveis:

A variável mais determinante é a volatilidade. Quanto maior for, mais valiosa se torna a opção, pois aumentam as probabilidades de grandes oscilações. Assim, os mercados de opções negociam essencialmente o grau de incerteza futura, sendo a volatilidade implícita um dos principais indicadores de sentimento de mercado.
Por exemplo:
As opções permitem aos investidores posicionarem-se não só quanto à direção do preço, mas também quanto à probabilidade de movimentos significativos.
Um swap é um contrato para trocar fluxos de caixa futuros. O objetivo não é negociar ativos, mas sim trocar estruturas de risco.
O exemplo mais comum é o swap de taxa de juro:
Este mecanismo permite às empresas converter empréstimos a taxa variável em estruturas de taxa fixa, ou vice-versa.
A essência dos swaps é transferir uma exposição ao risco para outra parte mais disposta a assumi-lo. Os produtos estruturados vão mais longe, combinando vários derivados. Por exemplo:
Estes produtos utilizam engenharia financeira para segmentar o risco em diferentes níveis e comercializá-los junto de investidores com distintos perfis de risco.
O risco não desaparece: é redistribuído.
O volume dos mercados de derivados supera frequentemente, por larga margem, o dos mercados à vista — e isto não é casualidade.
Os derivados aumentam a liquidez ao:
Quando um ativo tem mercados de futuros e opções ativos:
Os derivados não são meros acessórios dos mercados à vista; são motores essenciais da liquidez destes mercados.