
Várias instituições financeiras em Taiwan, incluindo bancos privados e bancos totalmente digitais, nos últimos doze meses, concluíram negociações com provedores de VASP e prepararam-se para apresentar ao Conselho de Supervisão Financeira (FSC) pedidos de licença experimental para o serviço de custódia de ativos virtuais, mas tiveram suas solicitações repetidamente rejeitadas. O motivo alegado pelo FSC foi a “quantidade excessiva de contas com alertas”, exigindo que os bancos reduzissem significativamente o número de contas com alertas antes de poderem avançar com a solicitação.
De acordo com o Commercial Times, várias instituições financeiras, incluindo bancos privados e bancos digitais, no último ano, concluíram negociações com provedores de VASP, preparando-se para solicitar ao FSC a licença experimental para o serviço de custódia de ativos virtuais, mas tiveram seus pedidos recusados repetidamente. O motivo alegado pelo FSC foi a “quantidade excessiva de contas com alertas”. As autoridades reguladoras exigem que esses bancos reduzam drasticamente o número de contas com alertas para que possam ter chance de sucesso na solicitação.
Esse requisito de “primeiro reduzir as contas com alertas para poder solicitar” é extremamente injusto para bancos que atuam ativamente no setor de criptomoedas. A razão de terem muitas contas com alertas é, em grande parte, porque eles fornecem serviços de fluxo financeiro para a indústria de criptomoedas. Entre usuários de exchanges de criptomoedas e VASP, há de fato alguns envolvidos em fraudes ou lavagem de dinheiro. Quando essas contas são denunciadas ou congeladas, os bancos que oferecem serviços a esses usuários acabam gerando contas com alertas. Mas isso não indica que o banco tenha problemas, e sim que a natureza do setor que atendem assim o exige.
A lógica do FSC é: se você tem muitas contas com alertas, isso indica uma deficiência na gestão de riscos ou envolvimento em atividades de alto risco, e, portanto, não posso permitir que expanda suas operações de criptomoedas. Contudo, o dilema dos bancos é: para reduzir as contas com alertas, eles precisam diminuir ou até abandonar os serviços de fluxo financeiro de criptomoedas, o que também significa perder o incentivo comercial e a base de clientes para solicitar a custódia de criptomoedas. Essa contradição de “primeiro abandonar negócios existentes para poder solicitar novos” coloca os bancos em uma situação difícil.
Requisito de contas com alertas: deve estar muito abaixo de uma “linha vermelha” não explicitamente definida pelo FSC
Capital e tecnologia: necessidade de estabelecer sistemas completos, como carteiras frias, HSM, seguros, etc.
Elegibilidade para teste: mesmo aprovado, trata-se apenas de um teste, com reavaliação após seis meses
Até o momento, o FSC aprovou oficialmente os bancos Union Bank, KGI Bank e CTBC Bank para o teste do serviço de custódia de ativos virtuais. Cathay United Bank também foi autorizado a participar, com foco inicial em Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH). O KGI Bank anunciou sua operação em 5 de fevereiro de 2026, tornando-se destaque no setor.
A estrutura de custódia do KGI utiliza tecnologia de carteiras frias totalmente offline, combinando HSM (Hardware Security Module) como base para armazenamento frio, garantindo que os ativos estejam isolados tanto no nível físico quanto na rede. Além disso, o KGI foi a primeira instituição financeira em Taiwan a concluir uma apólice de seguro para a custódia de ativos virtuais, introduzindo um mecanismo de seguro internacional. A CEO do KGI, Lin Su-zhen, enfatizou que a estratégia será guiada pelos princípios de “estabilidade, segurança e conformidade” na condução do serviço de custódia.
As três instituições aprovadas têm um limite total de exposição a ativos criptográficos de aproximadamente 20 milhões de dólares (cerca de 650 milhões de NTD). O período de teste é de seis meses, durante os quais devem apresentar relatórios completos de operação ao FSC, incluindo controles internos, prevenção à lavagem de dinheiro e atendimento ao cliente. O limite de 20 milhões de dólares é bastante conservador. Com o Bitcoin cotado a aproximadamente 66.000 dólares, esse valor equivale a cerca de 303 bitcoins. Para o mercado de criptomoedas de Taiwan, estimado em dezenas de bilhões de dólares, esse limite é praticamente insignificante.
Esse escopo de teste extremamente conservador demonstra que o FSC ainda mantém uma postura cautelosa em relação à custódia de criptomoedas. Trata-se mais de uma “prova de conceito” do que de uma abertura real ao mercado, com o objetivo de testar se os bancos podem custodiar ativos digitais de forma segura sob regulamentação rigorosa, acumulando experiência para uma possível abertura total no futuro. Contudo, esse pequeno escopo de teste oferece pouco apelo comercial para os bancos, provavelmente servindo mais para “garantir uma posição” e “acumular experiência”.
Em outubro de 2025, o Far Eastern Bank anunciou publicamente que responde por 97% de todo o fluxo de ativos virtuais de Taiwan, sendo o principal banco de entrada e saída de criptomoedas no país. No mercado de “trust de moeda fiduciária” para ativos virtuais, sua participação de mercado é ainda maior. Apesar de controlar uma quantidade tão grande de fluxo financeiro de criptomoedas, o Far Eastern Bank ainda não solicitou a licença experimental de custódia de ativos virtuais.
Essa contradição é bastante irônica. Como o principal provedor de fluxo de criptomoedas em Taiwan (com quase 97% de participação de mercado, praticamente monopolizando), o banco deveria ter mais motivação e capacidade para solicitar a custódia de criptomoedas, pois já possui uma grande base de clientes e infraestrutura tecnológica. Mas, justamente por sua dominância de mercado, o número de contas com alertas do Far Eastern provavelmente também é o maior (pois atende a mais usuários de criptomoedas). Isso faz com que seja difícil passar pelo “limite de contas com alertas” imposto pelo FSC.
O Far Eastern Bank pode estar diante de uma escolha estratégica: continuar com seus 97% de fluxo financeiro e aceitar não poder solicitar a custódia, ou reduzir seus serviços de fluxo financeiro para diminuir as contas com alertas e tentar obter a licença de custódia. Ambas as opções têm vantagens e desvantagens. Manter o status atual significa abrir mão de novas receitas de custódia, mas manter sua posição de mercado. Reduzir o fluxo financeiro para obter a licença pode abrir novas oportunidades de negócio, mas sacrificaria parte de sua base de clientes e receitas atuais. Atualmente, o Far Eastern opta por manter o status quo, provavelmente avaliando que os ganhos de sua operação atual superam as incertezas de uma nova atividade de custódia.
Segundo dados do FSC, o número de contas com alertas no Taiwan aumentou de 66 mil no início de 2022 para 150 mil no início de 2024, mais que o dobro em dois anos. Em 2024, o número de contas com alertas ultrapassou 180 mil, marcando um recorde. No entanto, desde janeiro de 2025, o FSC implementou um mecanismo de “controle mensal”, no qual, se a proporção de contas com alertas ultrapassar a proporção de clientes com depósitos ou a média do setor, essas contas passam a ser monitoradas. Como resultado, o crescimento descontrolado de contas com alertas foi controlado.
O aumento de 66 mil para 150 mil contas com alertas reflete a crescente incidência de fraudes e crimes relacionados a criptomoedas em Taiwan. Contas com alertas são aquelas denunciadas ou verificadas por envolvimento em fraudes, lavagem de dinheiro ou atividades criminosas. Uma vez na lista de contas com alertas, elas são congeladas e não podem ser usadas. O número de 150 mil contas indica que há pelo menos esse volume de contas suspeitas de envolvimento em crimes, embora esse seja apenas a ponta do iceberg, pois muitas fraudes não são denunciadas ou descobertas.
Em setembro de 2025, o número de contas com alertas apresentou uma primeira queda, atribuída pelo presidente do FSC, Peng Jin-long, à implementação de modelos de IA para combate a fraudes. No entanto, o uso excessivamente sensível da IA também gerou problemas, com muitas transferências de salários, mensalidades escolares e hipotecas sendo erroneamente bloqueadas, causando insatisfação. O FSC propôs quatro melhorias: otimizar a precisão dos modelos de IA, estabelecer uma linha direta de desbloqueio 24 horas, introduzir um sistema de classificação de risco e compartilhar casos entre bancos por meio da associação bancária para fortalecer a cooperação.
Atualmente, o projeto de lei de serviços de ativos virtuais de Taiwan foi enviado ao Conselho Executivo para revisão, com previsão de aprovação até o final de 2026. Assim, a legislação fornecerá uma base legal mais clara para emissão de stablecoins, regulamentação de VASP, operações bancárias com ativos virtuais, entre outros. Durante o período de transição, enquanto a lei não entra em vigor, o FSC vem adotando uma abordagem de “testes pilotos” para permitir gradualmente a participação dos bancos, mas a definição de “limite de contas com alertas” coloca alguns bancos que desejam atuar no setor de criptomoedas em uma posição difícil.
Devem reduzir seus serviços de fluxo financeiro de criptomoedas para diminuir as contas com alertas ou continuar focados no mercado, ficando excluídos de novas atividades? A resposta a essa questão só será clara após a entrada em vigor da lei definitiva e o aprimoramento do quadro regulatório. Para a indústria de criptomoedas de Taiwan, a abertura do serviço de custódia de criptomoedas pelos bancos é uma etapa crucial rumo à conformidade e à adoção mainstream. Se esse caminho for bloqueado por problemas com contas com alertas por muito tempo, Taiwan poderá ficar atrás de Hong Kong e Cingapura na corrida global por regulamentação de criptomoedas.
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