Mensagem do Gate News, 27 de abril — As autoridades russas intensificaram uma campanha abrangente de censura, invadindo a maior editora do país, Eksmo-AST, e visando a literatura infantojuvenil. Os serviços de segurança detiveram altos executivos e iniciaram a revisão das obras do autor infantojuvenil, de 78 anos, Grigoriy Oster, cujos livros recorrem ao humor negro para incentivar o pensamento independente.
As medidas de censura incluem envolver livros dissidentes em película plástica com etiquetas de aviso, apagar páginas inteiras de texto e remover mais de 250 títulos dos mercados online, incluindo obras de Dostoiévski e Stephen King. Uma biografia do realizador Pier Paolo Pasolini foi lançada com cerca de 20% do conteúdo obscurecido com tinta preta. A repressão intensificou-se desde a invasão da Ucrânia, em 2022, com proibições quase totais da literatura relacionada com LGBT agora em vigor.
O autor exilado Boris Akunin criticou as rusgas, salientando que nem mesmo as editoras mais obedientes, que tentaram agradar ao Kremlin com publicações patrióticas sobre a guerra e com a remoção assistida por IA de conteúdos, ficaram poupadas. O analista político Andrei Kolesnikov alertou que o regime «não vai acalmar até ter destruído tudo — dos monumentos às vítimas das repressões políticas, aos livros infantis com os quais várias gerações cresceram».
A empresária Olga Uskova, que anteriormente apoiava as proibições de livros, publicou recentemente um pedido de desculpas no Telegram, manifestando preocupação de que precedentes de censura sem controlo criam situações absurdas e incontroláveis.