Num novo relatório, a TRM Labs afirmou que, embora as ameaças de financiamento ilícito continuem presentes na América Latina (Latam), incluindo corretores OTC ligados a cartéis, fluxos venezuelanos sujeitos a sanções e redes chinesas de branqueamento, as regulamentações estão a envolver estas ameaças, com cada grande mercado da Latam a aumentar os seus esforços de conformidade.
Principais conclusões:
As regulamentações sobre criptomoedas estão a avançar a nível internacional, e a Latam não é exceção, mesmo com inúmeras ameaças documentadas. Segundo a TRM Labs, uma empresa de inteligência para blockchain, estão a surgir regras para tornar as transações e os fluxos de criptomoedas mais seguros na região.
Num relatório recente, a TRM Labs revelou que as stablecoins se tornaram as principais infraestruturas de pagamento na Latam, representando 95% das entradas para entidades sancionadas a nível global, numa região que, devido às suas características económicas, está aberta à adoção destas novas tecnologias.

A TRM Labs afirma que as ameaças estão bem documentadas na região, incluindo fluxos ligados ao Cartel de Sinaloa, recorrendo a corretores locais e a bolsas P2P para branquearem fundos, utilizando organizações chinesas como intermediárias para processar mais de $103 mil milhões em 2025, só por si.
Além disso, a instituição destacou que as sanções que permanecem em vigor relacionadas com movimentos ilícitos de petróleo e tráfico de droga mantêm a Latam em destaque na aplicação da lei. Ainda assim, os governos estão a avançar rapidamente para tapar estas falhas e reforçar a conformidade em todo o setor.
No Brasil, novas regulamentações aprovadas em fevereiro estabelecem um quadro de conformidade que inclui novos requisitos de luta contra o branqueamento de capitais (AML) e de financiamento do terrorismo (TF) para os prestadores de serviços sobre ativos virtuais (VASPs) receberem autorização para operar.
A Argentina também apertou a supervisão sobre o mercado de criptoativos, com requisitos de registo atualizados para VASPs que incluem regras de AML, obrigações de auditoria e requisitos de segregação de ativos.
O México também introduziu avaliações baseadas no risco, designou responsáveis de conformidade e auditorias periódicas de conformidade para as entidades, uma vez que as atividades de ativos virtuais ainda estão confinadas a organizações aprovadas pelo Banco Central do México (Banxico).
A TRM Labs concluiu que “para bolsas, fintechs e instituições financeiras a operar na América Latina, os requisitos regulamentares estão a chegar simultaneamente em toda a região. As instituições que constroem infraestruturas de conformidade antes dos prazos de aplicação têm uma vantagem operacional clara.”